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População carcerária vivendo em masmorras é um problema para além da condição de vida dela, que já é um problema gravíssimo e o mais grave de tudo.

A população carcerária vivendo em masmorra TAMBÉM é um problema econômico. E ninguém, nem a esquerda nem a direita, nem o centro e nem os raruchos, discute programas de transformação das prisões e uso da massa carcerária em medidas de retomada da economia, que aqueceria como um todo com programas sustentáveis, ampliando a absorção também da massa desempregada livre nestes programas.

Um exemplo? Programas de educação pra presos que incluíssem do ensino fundamental ao ensino universitário, absorvendo o exército de reserva de mão de obra da área da educação, que é enorme, dando chance para egressos da graduação e mestrandos ou mestres, dando rodagem a futuros doutores e professores universitários. Isso permitiria que ao sair da cadeia o egresso do meio prisional pudesse alterar sua vida, conseguindo empregos com maior qualificação, deixando de ser economicamente inútil pra ser economicamente ativo.

Mais um exemplo?

A população carcerária poderia fazer parte de programas de transição da produção de alimentos, da transição energética com produção subsidiada de painéis solares para serem instalados em órgãos governamentais, escolas e hospitais e posteriormente vendidos a preços também subsidiados à população.

A população carcerária também poderia ser qualificada para a construção ecologicamente sustentável, com aprendizado e execução de construção baseadas na permacultura e outras técnicas de produção que poderiam ser usadas para, por exemplo, mudar a cara das periferias, melhorando a qualidade de vida da população pobre e reduzindo também o grau de impacto ambiental das construções “tradicionais”, além de produzir casas melhores, mais seguras para quem pouco tem.

Estamos falando de economia ou de direitos humanos? De ambos.

A barbárie é irracional e busca um processo de satisfação da crueldade humana em forma de supostas resoluções que nada resolve, não à toa os defensores da barbárie são também defensores de um estado mínimo em grande parte de sua estrutura, exceto a que pune e espanca, mata, a estrutura policial do estado.

Fã de Hobbes, sem nem saber, essa massa defensora da barbárie usa o medo, porque o sente, como base estrutural de seu ethos.

Isso não nasceu em árvore, é fruto de uma retomada Hobbesiana da direita estadunidense pós-Clinton, e para vencer Clinton, usando o medo do outro como plataforma para reconquistar Washington. Não foi muito difícil com um caudal de ódio racial naquele país, especialmente na parte sul.

O interregno Obama pareceu reduzir o peso desse ethos, mas não, apenas o ampliou sustentando-se em parte da mídia e no fenômeno Trump, mesmo que agora essa retomada Hobbesiana a partir de Trump perca o controle de sua criatura para o Leviatã desperto na população.

Nada mais sintomático que após a eleição do primeiro negro à Casa Branca seja eleito um branco rico, racista e misógino.

Esse ethos se espalhou América afora, não à toa, e com intervenção das mídias internacionais e nacionais como a Fox e a Globo, que não ficam nesse ethos apenas por interesse econômico e por seus proprietários,mas também por uma rigorosa seleção de trabalhadores alinhados com essa percepção.

O resultado é o aumento da defesa da barbárie, mas isso sequer é assustador em si, assustador é a ala liberal e a esquerda nada fazerem de concreto para derrubarem isso além de discursos abstratos sobre direitos humanos.

Porque não basta defender os direitos humanos ou reagir às suas violações, é necessário transformar o quadro do sistema que produze a barbárie.

E pra isso é preciso mexer na economia, no sistema prisional, na educação e na saúde par além de pautas genéricas e grandes citações de Lênin ou Bakunin.

Sim, é preciso ir pra prática.

Fala-se da auditoria da dívida, mas nãos e fala da recuperação de crédito para a população através da resolução de um enorme problema que é um terço da população estar no SPC.

Sim, é questão de direitos humanos recuperar o crédito para a população pobre. É fundamental um programa econômico que permita uma retomada controlada da capacidade de compra pelos mais pobres. É possível que o governo assuma as dívidas e promova um pagamento a juros subsidiados por parte da população, nem que exija contrapartidas como uma quarentena para a retomada de crédito e/ou serviços comunitários por período pré-determinado.

Sim, sabemos que se a população fosse banco esse projeto já teria saído do papel, mas a ideia não existe à toa, e faz parte do micro crédito desenvolvido na Índia e que jamais saiu do papel aqui. Com uma boa margem de negociação até os bancos gostariam da ideia, pois recuperariam crédito, grana, merréis e terceirizariam o serviço da dívida ao governo.

Não é nada revolucionário, mas por que nem a esquerda propõe isso a vera pra população?

E a população que não tá no SPC? Organiza um sistema de valorização de sua adimplência com ferramentas de crédito a juros subsidiados via BNDES para empreendedorismo individual, ajuda na construção de plano de negócios e meios de permitir que estas pessoas tenham meios de ampliarem sua capacidade de produção e evolução econômica. Difícil? Não, muito mais simples e fácil que fingir que financia a economia com empréstimos de pai pra filho pro Eike Batista.

Lembra do que falei sobre a massa carcerária? Pois é, esse sistema de valorização da adimplência pode ser utilizado também como ferramenta para movimentos de transição energética e/ou produção de alimentos com descentralização de comida que é parte boa do impacto da produção no aquecimento global e na ausência de soberania alimentar.

Por que não usar o sistema de valorização da adimplência pra ampliar a rede de instalação de painéis solares ou de comércio de produção agrícola orgânica de de produtores locais, tudo a preço subsidiado? Por que não ampliar a rede de fornecimento de educação profissionalizante ou de cultura?

Em dois planos falei de medidas que permitiriam alguma recuperação econômica e fariam impacto na vida da população como um todo e que governos podem fazer e cuja realização mexeria com a economia de cabo a rabo, porque a esquerda com toda sua intelectualidade não defende coisas assim nos programas de governo, na Tv, nos debates e apenas reage aos Bolsonaros e Crivellas como se estes fossem monstros do Scooby Doo?

Combater o medo com arrogância dá em Trump, que tal combater o medo com propostas?

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