christine-lagarde
Christine Lagarde do FMI pega por corrupção na França,mas quem liga?

A apropriação do samba da União da Ilha não foi à toa.

As ondas e tsunamis conjunturais dos últimos dois anos deixaram marcas, e algumas delas tão óbvias, nas nossas apostas sobre a realidade do porvir.

Pois bem, as análises de conjuntura em sua grande maioria falharam miseravelmente, por inúmeras razões, entre elas uma aposta bizarra, que eu fiz inclusive, numa previsibilidade do capital e seu suposto respeito ao limite democrático.

E pá, ele não respeita.

O Capital não tá nem ai pra democracia.

Vimos em 2016 o Capital agindo da forma que sempre agiu: Atropelando o cacete em nome de suas necessidades pétreas, em especial do lucro.

O Capital aceita os Lula da vida, as mediações, quando ele não tem força pra atropelar.

A partir da aceitação ele coopta os Lula da vida, acumula força e ai atropela.

Até quando atropela? Até perder força, mas até isso chegar muitos vão passar fome e morrer por falta de atendimento nos postos de saúde.

Vimos isso em 2016 com os governos Temer, Pezão, Sartori e todos os estaduais destruindo o pouco estado e a pouca rede de proteção social no Brasil, doando bilhões pra empresas ampliarem sua margem de lucro enquanto demitem trabalhadores e metendo a porrada na gente, destroçando direitos minimamente conquistados depois de anos de luta.

Vimos antes, em 2015, Dilma destroçar o seguro desemprego e o seguro defeso, sem mexer nas desonerações que são exatamente isenção fiscal pra aumento da margem de lucro das empresas que nos demitem.

Estamos vendo o desmonte do CAPES, das bolsas de pós-graduação, e do desenvolvimento científico, o estrangulamento dos órgãos de análise e produção de dados sócio-econômicos, a desumanização do ensino com o apagamento das ciências humanas do mapa pedagógico e por ai vai.

O mapa da maldade tá aí, visível, e dessa vez não somos João e Maria, nós já somos nascidos e crescidos neste tempo da maldade.

E o que será o amanhã? Responda quem puder.

Não há mapa de resistência visível neste mundo de hoje, lamento.

Esperar uma reação nas ruas de uma esquerda patologicamente aprisionada em sua lógica fan boy de figura pública e que além de tudo agride e espanca quem procura resistir sem pagar pau pra Machos Alfa Ideológicos dançarem? Lamento, não dá.

Há esperança? Semrpe há, ela não morre fácil,mas além da molecada das ocupaçẽos fica difícil ver outro horizonte.

Greves? Quer que eu ria?

Grande parte da esquerda tá literalmente inventando uma ausência de condições objetivas pra greves e silenciamento quem as propõe de dentro ou fora dos movimentos de trabalhadores em nome de seu cálculo eleitoral eterno.

Pra que greve se o lance é ter fé no Lula não ser preso e ainda assim esquecer todos os acordos como andar de cima pra produzir o sebastianismo da vez, não é mesmo?

2017 pinta como um ano mais turbulento que 2016, politicamente instável, com forte cheiro de avanço violento das políticas e movimentos reacionários e repressivos sendo assistido por uma esquerda atônita.

O que esperar de uma esquerda que gasta mais tempo construindo narrativas pra justificar agressão do MTST a anarquistas e autonomistas, a viver de “Primeiramente Fora Temer”, a em meio à destruição do serviço e do servidor público em todo o pais não puxar uma maldita greve e além disso permanecer achando mais grave quebrar vidraça do que dar com o pé de cabra na cabeça de militante de esquerda? Nada.

A esquerda em sua maioria está parada, como água parada, criando mofo, seja teórica, moral ou politicamente.

A esquerda nada propõe fora de uma caixa aberta em 1917 e que se esforçam pra cacete pra esquecer que gerou a URSS de Stálin.

Nada, absolutamente nada sai fora dessa caixa. Ecologia? Formas horizontais de organização? Autonomia? Nucleação? Deshierarquização? Bebeu?

É mais fácil ver uma esquerda optando por tratar toda forma de pensamento não binário cabível em seu modus operandi como “pós-moderno”, ignorando a enorme gama de novas formas de pensar que não se propõe nem se enxergam pós-modernas e discutem o marxismo mecânico forjado pós-lênin, do que produzindo qualquer outro avanço teórico e organizativo digno de nota.

E não, não estou falando de anarquia em si mesma, ela é minha opção ideológica, não é panaceia, e sequer entendo que a anarquia hoje esteja em um quadro tão diverso dos marxismos em termos de ortodoxia mecanicista.

Estou falando de tudo, de todas as formas de intervenção ideológica.

Tem ecossocialismo, ecologia de Marx, Confederalismo democrático, municipalismo libertário, anarco primitivismo, as diversas formas de autonomia.

Tem uma porrada de forma de discussão, debate e produção teórica que permite avanços organizativos.

Há, neste momento, uma revolução em pleno oriente médio, com um sistema de governo muito mais radical e libertário do que todas as organizações partidárias e não partidárias propõe hoje, em Rojava e seu Curdistão Libertário, mas a esquerda sequer liga, ela nem olha pra isso.

A maior parte da esquerda sequer sabe que Ocalan, que produziu a migração do leninismo do PKK pro municipalismo libertário de Murray Bookchin, é preso político da Turquia e se opõe a Assad tanto quanto à Turquia, Rússia e EUA.

A esquerda não nota nem o quanto ela em sua marcha de apoio ao Estado Brasileiro ela reforça seu autoritarismo secular e o quanto ela se afastou de formas de ampliação do poder decisório da comunidade como o orçamento participativo e o quanto ela hoje atravanca a organização popular em nome de eleições.

Nossa esperança é no velho “espontaneísmo” das massas, porque são grandes as chances de neste momento de intenso ataque ao trabalho, aos aposentados (Que hoje são em pelo menos um terço das famílias o esteio econômico delas), de surgimento de revoltas espontâneas, os famosos quebra quebra, e que provavelmente serão criminalizados pela esquerda.

Fora disso é pouca a margem da esperança.

Haverá governo Temer até 2018? Haverão diretas? Faz diferença?

Não, não faz, lamento.

Diretas no máximo retornariam o direito ao voto, não resolvem o problema, sequer apontam saídas reais além da ilusão do voto.

Lula ou Marina ou até mesmo o PSOL dariam alguma solução fora da casinha dessa hegemonia cultural neoliberal? Não.

Sabe a auditoria da dívida? Nem o PSOL banca isso,como vimos na formação do programa de sua maior figura pública em 2016, quando Marcelo Freixo empoderou a ala contrária à auditoria da dívida.

Sem auditoria da dívida é melhor nem começar o debate.

O que irá nos acontecer? Não sei.

Sei que o quadro tende ao desmonte de vez do que se conseguiu entre 1917 e 1988 e sem ninguém ir além de escrever “Fora Temer” no copo do Starbucks.

Anúncios

Comente, mas cuidado...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s