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NENHUM PARTIDO DE ESQUERDA hoje discute, debate, escreve sobre greve geral. Sequer abre espaço pra começar alguma coisa nesse sentido.

E estamos falando de quem participa de CUT, CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL,etc, nenhum.

O debate tá proibido?

Por que?
 
Por que esse silêncio?
Será que da geleia geral do PSOL aos stalinistas ou trotkistas PCB e PSTU, passando pelo necrogovernismo petista e do PCdoB ninguém tentou debater isso ou pensou nisso?
 
O que está acontecendo?
Não me venham falar em “ausência de conjuntura”, please.
  • O ANDES há meses discute greve geral, sindicatos de servidores públicos de vários estados idem; escolas estão há meses ocupadas;
  • Índígenas e quilombolas em polvorosa pelas mudanças nas titulações de terra;
  • Mulheres e militância trans e lgbt em mobilização constante;
  • O governo tem a mais alta rejeição em décadas, maior que a da Dilma;
  • As PEC do Teto e da Reforma da Previdência são rejeitadas por mais de 60% da população, assim como a MP do ensino médio;
  • O congresso nacional tem a mais alta rejeição em décadas também

Cadê a chamada de unidade de ação para uma greve geral?

Por que esse silêncio?
Sabe quem fala em greve geral recentemente além dos sindicatos, alguns? A direita via MBL, etc.
Desde quando esse tema não só virou tabu para a esquerda partidária como além de manterem seus sites e páginas em redes sociais alheios a este debate, seus militantes se esmeram em transformar todo mundo que sugere greve geral como saída em “malucos”?
Não é pouca coisa isso e sugere sim um movimento articulado de silenciamento ou um nível de imobilização ancorado numa militância  e direções partidárias estupefatas e paralisadas nunca antes visto na história deste país.
A população cada vez mais radicalizada indo às ruas, as periferias idem, repressão comendo solta e a militância esperando a CUT se mobilizar por uma greve geral?
Jura que nenhum partido entende que pode ter papel preponderante neste debate e construir em conjunto uma conjuntura que permita uma greve geral?
Anarquistas e autonomistas tão praticamente diariamente neste enfrentamento e neste debate desde pelo menos 2015, é só olhar os textos das organizações anarquistas e autonomistas, fora a lembrança da greve geral de 1917, porque os partidos não começam também a organizarem suas forças para isso?
Jura que se PSOL, PSTU e PCB centrarem forças pra construção coletiva de uma greve geral não há condições objetivas de algum barulho?
O PSOL que faz propaganda de suas primaveras eleitorais não tem como deslocar as forças e pernas que as produziram para iniciar um debate franco sobre greve geral, mesmo num quadro de profunda descrença na via partidária?
E o PSTU e PCB?
Sim, vai ser difícil quebrar a desconfiança com as demais forças da esquerda, ainda mais quando todo dia militantes do socialismo amarelo fazem um esforço corno pra tentar desestimular qualquer radicalidade, transformando radicais em idiotas alucinados, ou pior, escrevem textos criminalizando autonomistas e anarquistas que adotam a tática Black Block, defendendo um tipo de manifestação que precisa ser muito descolado do real para não perceber que a PM não deixa acontecer: a manifestação pacífica contra o governo.
Mas vale um esforço mínimo construir a partir da convocação de TODAS as forças de esquerda ou historicamente ligadas a ela pra um debate convocatório de construção de greve geral.
Há uma conjuntura hoje de latência da rebelião, e ele fatalmente acabará acontecendo em algum momento, não por mágica, mas por uma conjunção de fatores que prejudicam demais grandes contingentes populacionais e em meio a uma profunda e galopante crise de representatividade. Se não é este o momento pra tentar organizar alguma mobilização de vulto, e consistência, como uma greve geral, qual seria o momento?
Claro, uma mobilização desta monta exige uma série de esforços históricos que compreenda as diferenças entre forças políticas, que vete conscientemente qualquer tentativa de hegemonização de atos e organizações, que silencie cooptações para que ocorram seriamente ações que construam uma greve geral ou atos de impacto similar.
Há sindicatos de professores discutindo auto-defesa diante da violência policial, por exemplo, o nível de tensão chegou ao ponto de deslocar pro centro gravitacional da revolta contingentes populacionais outrora avessos a ela.
É fundamental que alguém construa as pontes, seja  a CAB, a FIP, o PSOL, o PT, o PCB, sei lá, mas existe a necessidade de um novo CONCLAT com um aviso na entrada “Por favor pendurem aqui suas vaidades”.
É fundamental que a APIB seja compreendida não como um movimento social fofo,mas como um dos principais atores da retomada de mobilizações populares desde 2013.
É fundamental que a CAB e outras confederações e organizações anarquistas sejam respeitadas como parte fundamental da retomada de organizações em favelas, de mobilizações estudantis de fôlego e sucesso no último triênio.
É fundamental que os partidos da ordem que se reivindicam esquerda também desmontem a aversão a quem se organiza através da ação direta, porque o momento exige, porque o momento grita e pede por uma ação como uma greve geral.
Ah, greve geral é fetiche? Beleza, então organizemos coletivamente algo que tenha o impacto e o peso de uma greve geral. Têm ideia melhor? Opa, manda ver. Não tem? Então continuemos com o debate e a construção de uma greve geral.
Quer fazer um Cirandão país afora que atrapalhe o trânsito por 24 horas e impeça produção de rolar? Tamo junto,mas tem de impactar a produção.
O que não dá pra entender é a negação do debate, o elogio à loucura do imobilismo em um momento ímpar, na dor e no prazer, da existência das forças organizadas da esquerda.
A perda da eleição doeu,mas doerá mais perder o bonde da indignação popular.
Não dá pra eternamente ficar esperando a tempestade perfeita conjuntural.
Também não dá pra ignorar que haverão críticas a todos, como a Dilma ter feito a lei antiterrorismo e também iniciado a PEC do fim do mundo, ou do PSOL e PSTU serem cúmplices da criminalização de movimentos e ativistas que deram na lei antiterrorismo que fode a todos coletivamente hoje.
E anarquistas e autonomistas também sabem das críticas dirigidas a eles por parte da esquerda partidária, então fiquem tranquilos.
A questão é: vamos pro pau e pras ruas realmente ou é só meme?
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