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Queria dizer procês, como Historiador, que o lado bom dessa zona toda no Brasil é que a gente aprende in loco que o cotidiano e a realidade só são organizados na narrativa posterior, no momento exato o mundão é isso ai e a tal estabilidade sócio-política-econômica é um momento ilusório dentro de um cotidiano de pulsões e processos incontroláveis.
Mídia, academia, partidos, teses, teorias, jornais, textos, todos organizam dentro de um paradigma racionalizante uma realidade na maioria das vezes beirando o caos. Não aquele caos de filme de terror,mas um caos representado por movimentos diversos de diversas forças sociais, produzidas na diferença e divergência, que na maior parte das vezes se chocam mais do que convergem e se abraçam.
Não, não houve tempo de paz, houve tempo em que a narrativa de paz ocultava a dinâmica desses movimentos.
 O cotidiano político é em si mesmo um caos organizado pelas relações de força em disputa e pelos tensionamentos.
Uma força com hegemonia completa busca esmagar a outra, isso é a base da luta de classes inclusive, a questão é que a cada dia mais as dinâmicas das organizações na sociedade contemplam uma miríade de classes e forças em conflito e se organizando no enfrentamento entre si e suas relações.
O Brasil não é o único onde as instituições clássicas, formadas entre o século XVIII e o século XX, se confrontam com uma resistência popular, e também de parte das elites, que as querem transformar.
O Estado como o conhecemos, ou como o defendemos dentro do paradigma clássico da ciência política como “Estado democrático” (Na verdade o Estado Liberal burguês defendido por Toqueville, Locke e outros), passa por mais um abalo sísmico consolidando sua eliminação, não por revoluções socialistas ou anarquistas,mas pela consolidação das corporações como comandantes das forças políticas institucionalizadas.
Sim, as instituições estão funcionando, o controle delas é que deixou de ser feito pela dita “opinião pública” se é que um dia o foi.
Há cada vez mais um controle direto em todos os níveis do político pelo capital organizado especialmente em torno de grandes corporações comandadas pro bancos.
Renan, Temer, tudo isso é espantalho, como foram Dilma, Lula,etc.. Estes últimos ainda representavam uma mediação entre essa corporocracia, a burocracia estatal e a população dispersa entre orgânica em movimentos e partidos e solta entre as marés dos movimentos em conflito.
A reforma da previdência é só mais um pedaço dessa história.
Qual vai ser o resultado, neste momento onde a fissura cotidiana não consegue ser oculta pelos veículos de mídia, nem pelos partidos e nem mesmo pelos modernos rede ativistas internéticos? Menor ideia.
Mas duvido que seja simples explicar pras instituições que elas hoje estão em processo de atualização de suas definições enquanto tal.
O que vai sair disso é um mistério,mas o fascismo não vai esperar pra saber.
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