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Pouca coisa me incomodou mais esse ano do que o rebaixamento do debate político em todas as esferas, inclusive no âmbito das eleições municipais.

Os programas de todos os candidatos das eleições de RJ, SP, PoA e Pelotas juntos não dão um, inclusive os queridinhos da Esquerda Ciranda Cirandinha©.

Os programas de educação, questão racial, cultura e questão ambiental, que são os que eu entendo mais ou menos (Falsa humildade) são um lixo.

Como os candidatos vão lidar com o Patrimônio cultural e educação patrimonial das cidades? Esqueçam, não sabem e se sabem não rescreveram sobre.

A questão ambiental nos programas é um apanhado ruim de lugares comuns sem discutir à vera sobre mudanças climáticas e suas ligações com transporte público, redução de circulação de automóveis nas grandes e médias cidades, especialmente nos grandes centros, etc.

A questão racial é uma que dá ódio: Não tocaram, nenhum deles, na enorme necessidade de resgate da identidade negra como central para a produção das urbanidades das grandes capitais e cidades como Pelotas, isso pra não dizer todas as cidades do país.

Rio, Pelotas, PoA, SP são cidades pretas, erguidas por mãos pretas, construídas por pretos, mas cujo usufruto é branco, ninguém discutiu isso a sério, menos ainda discutiu a sério o genocídio da população preta e a necessidade de mobilização cotidiana para erradicá-lo.

Cidades como Rio, Pelotas, SP tem enorme patrimônio cultural imóvel, material ou imaterial cujos candidatos parecem sequer saber que existem e do papel da educação patrimonial na vivência da cidade e na própria construção da cidadania.

A educação é reduzida a salário de professores, construção de escolas e turno integral, mas e o ato de educar, a liberdade de exercício pedagógico, os programas de modernização da escola através de experiências bem-sucedidas mundo afora, como a “Escola do Aluno Caminhador”, programas de artes e educação física, integração com cinema, artes cênicas e dança, educação patrimonial e exercício da pesquisa histórica como ferramenta de educação? Não existem?

A educação permanece encerrada na escola, os programas das disciplinas encerrados nas salas de aula, os professores limitados ao espaço físico da escola, jamais é colocada a possibilidade da escola dinâmica, da ação construtora de percepção ampla do ato de educar, nada.

E nem a esquerda discute esses temas, a esquerda ignora a queima de carbono nas grandes cidades como parte do problema de alagamento, por exemplo.

Falar em usar transporte público de massa com uso de energia elétrica não resolve o problema, a questão precisa de maior ênfase e cuidado no debate, e ninguém vai além do slogan.

Poderíamos falar de outras tantas coisas, como o debate sobre gênero, políticas de exercício de inclusão de transgêneres, etc, e encontraríamos os mesmos problemas ou mais.

As eleições, vendidas como democracias, ignoram na verdade a própria construção democrática da cidade nos programas, mesmo entre os que vendem uma construção programática coletiva através de coisas como ‘Se a cidade fosse nossa!”.

Porque tudo é cosmético, mesmo na esquerda.

As cidades não são debatidas. As cidades do Rio e Pelotas, por exemplo, não são analisadas com sua profunda secessão geográfica com base étnica, na sua diversidade cultural construída a partir dessa secessão, e que deve ser respeitada ao mesmo tempo em que a secessão deve ser desconstruída.

Não se pensa turismo, por exemplo, pensando Oswaldo Cruz ou o Peres em Pelotas, pensando para além da orla.

Também não se pensa a integração dos setores do município em ações conjuntas, pensa-se de forma taxionômica, e não de forma ecológica, onde tudo na cidade é integrado.

E ai, quando nem os transformadores pensam a cidade, é que as cidades definham.

E essas são as limitações das eleições e do voto, porque o voto morre em torno de slogans e de má discussão das questões que envolvem os municípios. E no minuto seguinte ao término das eleições os debates sequer ocorrem.

Mas as cidades continuam.

E é por isso que eu voto nulo.

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