GCE_1025_Gimenez_gimenez

E então, que quereis?

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?

O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Vladímir Maiakóvski

Não adianta escolher um carroceiro entre milhares de brancos ou confundir insatisfação com o governo com esse ethos reacionário,fascista até, dos movimentos que foram às ruas hoje e dia 13/03.
 
São reacionários indo às ruas, ignorando, CONSCIENTEMENTE, qualquer possibilidade de diálogo e raciocínio, mandando pra puta que pariu qualquer sentido de disputa política não violenta e dentro do espectro da democracia.
 
Essas pessoas, esse tipo abjeto de pessoa, defende gás de pimenta em professor, prisão de quem quebra vidraça de banco (Não violência com quebra simbólica de símbolos do capitalismo), prisão de anarquistas,mas agride quem usa vermelho (violência explícita), defende atropelo às leis por militares ou por um juiz carreirista e vinculado à oposição.
 
Quem opta pela narrativa “Lula fugiu da justiça” porque ele passa a ser julgado pelo STF é adulto, branco, tem nível superior e renda acima dos 5 salários mínimos, não tem exatamente o álibi da ignorância.
Essa gente está hoje nas ruas com proteção policial pra defender atropelo jurídico, e ouso dizer que é pra defender a obstrução da justiça a partir da violação de direitos individuais.
 
Essa gente defende pra Lula um tratamento que não defende pra Aécio. Defende o mesmo tratamento que defende para pobres acusados de roubo ou de qualquer crime: foda-se a lei, puna o preto ou pobre ou nordestino ou analfabeto.
 
A maior ofensa a essas pessoas é Lula ser “analfabeto” ou “comunista”, o que é sinal de caráter que oblitera o bom senso e a suposta inteligência. em nome de sua limitada percepção da política,mas consciente defesa de seus privilégios, essas pessoas decidem “ser burras”.
 
Tem MBA, mestrado, doutorado, viajam pro exterior,falam várias línguas, mas no plano da política só entendem a linguagem do destino manifesto que supostamente acham que possuem por serem brancos, de classe média em diante e “pagadores de seus impostos”.
 
Eu não vou Às ruas dia 18 para defender um governo ou mesmo um Estado Democrático de Direito que nem é democrático nem de direito e cujos governos recentes fizeram questão de tornarem menos democráticos e menos de direitos ainda, especialmente pra mulheres, negros, índios, quilombolas, LGBTT, periferias inteira, jovens ativistas não partidários,etc..
 
Só que não ir às ruas dia 18 não me faz omisso, permaneço no combate cotidiano a esta turba que consegue ser pior que este governo que destruiu o Xingu, ocupa favelas com tanques e em nome do desenvolvimento ligou o foda-se pra legislação ambiental.
 
Aliás, o pior destes governos é a parte que fala a mesma língua das manifestações reacionárias: O ódio a negros,índios,mulheres,etc…
 
O mar da História é agitado,mas somos como quilhas cortando as ondas.

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