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Há uma década a política partidária brasileira transita a cada biênio entre as narrativas anticorrupção e as narrativas de solução pras crises (Morais, éticas, econômicas ou metafísicas) por que passa o país.

Pouca coisa é inteligível nos discursos, entre os apelos fáceis e a busca de lastro legitimador da melhor proposta fica pouca coisa além da sensação de que o discursante tá enrolando.

A sensação não é nova pra maioria da população, ela percorre o imaginário que iguala a todos no bordão “Politico é tudo safado”.

PSDB brada na TV que tem a solução pra crise e é “cortar custos”. O PT alega que a solução pra crise é ajustar para investir. No fundo é o corte de custos que perpassa ambos os discursos, mas o PT tem a seu favor os serviços prestados e a reversão de expectativas em crises anteriores.

Enquanto isso a inflação aumenta, PT e PSDB são envolvidos junto ao PMDB em escândalos de corrupção que vão da Lava-Jato à merenda em SP, a esquerda chafurda numa crise de representatividade sem precedentes sem decidir se é linha auxiliar do PT ou linha auxiliar do PT fingindo que não é Linha auxiliar do PT e a extrema-direita surfa na ilusão de crescimento a partir de curtidas nas redes sociais dos discursos de Bolsonaro, chamado de Bolsomito.

Na vida da população os discursos permanecem distantes do preço que aumenta afetando o consumo, da energia mais cara, do salário parcelado e do filho sem merenda na escola.

A gritaria reacionária contra homossexuais e a luta anti racista não ecoa na maior parte da população beneficiada pelas cotas e que convive há décadas com gays nas periferias e tende a ter uma relação muito mais tolerante do que o nascente neo fascismo à brasileira quer fazer crer.

Feministas nascem cada vez mais nas periferias, trans e LGBTs também. A luta por mais direitos abraça também a luta por menos tarifas, as escolas são mais ocupadas, alunos apoiam professores em greve. Tudo isso enquanto o Jornal Nacional faz trocentas voltas pra tentar convencer o povo que apenas o PT é o mal encarnado e só o PT tem ladrão filiado.

Os discursos cansam, tratam o espectador como tolo, igualam todos aos olhos da população que se acostuma a ver cada vez mais lutas contra a tarifa, pela escola, pela universidade, pelas bolsas de iniciação científica.

Se antes o Seu Joca assistia bestificado o Jornal Nacional e influenciava seu filho com sua percepção, hoje o filho do seu Joca que entrou na universidade pelas cotas discute o Jornal Nacional com seu Joca, que discute na fila da padaria e chocado com tanta corrupção se revela decepcionado com todos os partidos,mas percebe que seu filho luta por uma escola melhor, por uma universidade melhor, por um posto de saúde melhor.

Na esquina da vila onde mora Seu Joca há protestos contra a falta de água, contra os ônibus com preço alto e nenhuma melhoria.

Seu Joca tem internet no celular e no grupo do Watsap recebe correntes contra o PT, mas também a favor, e todos lhe parecem iguais.

Só que onde todos são iguais o laço que grita é o afetivo.

Seu Joca também tem parentes em Pernambuco que elogiam o Lula, reclamando da Dilma, como se fossem de partidos diferentes, como o PT e Lula estão há um ano querendo que aconteça.

Seu Joca também sabe que o Alckmin roubou merenda, que o Serra entregou o pré-sal, que Aécio tem o nome na Lava Jato. Deu na TV.

O que seu Joca não sabe é algo de podre sobre Marina, ou que existe uma esquerda que diz ter solução pra população, mas que seus deputados e candidatos a prefeito elogiam Dilma, que nem Lula elogia mais.

E seu Joca responde que odeia o PT,mas vota em Lula. O filho do seu Joca faz parte de um grupo que odeia todos os partidos, mas é afetado pelo afeto do pai e vota em Lula no segundo turno com Marina.

E Delcídio e o sítio em Atibaia? Bem, eles são como o mensalão, histórias, histórias que não falam sobre o Bolsa Família, as cotas, a universidade…

A conjuntura tem uma crise,mas parece que um sítio é mais importante que a inflação, que Delcídio é mais importante que a inflação, e no fim ninguém é responsável pela inflação, só a Dilma, que é do PT, que seu Juca odeia, embora vote no Lula.

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