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Falar de opções militantes é deveras delicado,mas é um exercício a ser feito cotidianamente.

De boas, pra mim partido não é solução pra porra nenhuma, meu maior engano foi sair do movimento anarquista em 1998 e perder cerca de 15 anos construindo partido e vendo aquele trabalho de Sísifo de construir algo que se burocratizaria e se perderia.

Quando voltei ao movimento anarquista me enxerguei onde jamais deveria ter saído. E lamento profundamente não poder fazer mais do que eu faço, que vem a ser contribuir com agitação e propaganda virtual.

Mas respeito quem entende que exista vida em partido, mesmo isso pra mim sendo um tipo de fé em vida após a morte ou crença no Negrinho do Pastoreio, só lamento que não se enxergue um eixo de reprodução quase cíclica das mesmas cagadas em tons de farsa maiores ou menores.

Uma das coisas complicadíssimas é entenderem que variações da mesma lógica hierárquica partidária (Mesmo em rede ou em formação de planta baseada em raiz) darão em caminhos diferentes das lógicas hierárquicas partidárias anteriores.

Partido centralista democrático? Burocratizou. Partido de tendências? Burocratizou. Partido esquizóide de tendências mais mandatos figurões? Burocratizou. A REDE? Enlouqueceu e eu não vou nada bem.

Os maiores sucessos recentes das lutas feitas nas ruas não saíram do partidarismo tímido e adestrado, saíram das radicalizações horizontais e multifacetadas sem líder para ser seguido.

E não só no Brasil.

Seja em Pelotas, seja em Brasília,SP ou RJ as ruas e movimentos são mais úteis que vereadores,deputados, que a tal “resistência interna ao Estado”.

E o são porque o Estado tornou-se cada vez mais impermeável a qualquer tipo de busca de alternativa interna, que qualquer lógica democrática.

A própria construção de meios de garantias legais tornou-se uma espécie de aprisionamento para toda e qualquer luta construída que se busque representar no Estado.

Vejam a ideia de “conferências”, excelente ideia, que seria uma versão federal do orçamento participativo. Tornou-se apenas meio de brincar de democracia enquanto se coopta lideranças populares com doações de migalhas.

Além disso, a busca de uma suposta solução pacífica para a luta de classes tornou-se meio de adestramento de movimentos populares que com medo da opinião pública auxiliam luxuosamente o estado na criminalização da revolta e na busca de estabelecimento de mitigações pras justas revoltas populares.

Por isso vemos quem se reivindica socialista questionar Black Blocs por queima de lixeira chamando isso de violência, sem perceber que por tabela estabelece a mesma criminalização a quem resiste a chacinas em favelas, ou ocupa terras no meio rural ou resiste a genocídio de povos indígenas e quilombolas e tem por tradição queimar pneus em ruas e estradas.

Por isso vemos gente que se pretende voz das periferias recusar a exposição da máquina calhorda de financiamento de campanhas políticas em troca de benesses do estado por medo da população “não entender” por ser “de espírito assistencialista”.

Por isso vemos quem se diz voz das minorias defender o sionismo e sequer corar.

A cada dia os Curdos mostram na prática o que Murray Bookchin defendia em seus livros a partir da experiência política das comunidades da Nova Inglaterra e do que ele entendia ter sido a experiência da democracia ateniense: A cidade, os combates nas ruas por direitos próximos, a luta por uma vida melhor no bairro, são manifestações democráticas de uma luta contra o Estado. Para isso não se precisa ser vereador,basta organizar-se coletivamente em cada bairro,favela,aldeia, e lutar por seus direitos, ampliando a luta à medida que se precisar.

Mas parece que os partidos e experiências partidárias não conseguem enxergar isso,pior, vêem isso com manifestações de furto de seu protagonismo.

Na prática partidos reagem aos movimentos autônomos e diversos das ruas, frutos de uma cultura de ampliação da polifonia das sociedades pelas mãos das redes sociais e internet, como racistas,homofóbicos,misóginos e xenófobos reagem a ganhos de direitos por minorias. Ao perderem protagonismo inventam teorias estapafúrdias para garantir seu “Veja bem…Não tenho nada contra,mas”..

Enquanto isso meninos dão aulão público, e por incrível que pareça muitos deles ,a maioria negros, são também,pasmem, black blocs…

Vão continuar pedindo que sejam isolados?

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