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Enquanto a crítica a um ícone atual da esquerda que declara que a segurança da ALERJ fez correto em impedir “invasão” , inclusive considerando o peso do uso da palavra, for tratada como “exagero”, eu apenas lamento.
Lamento que à claque seja reservado o tosco papel da defesa pela via da desqualificação da crítica, seja pelo pejorativo do “revolucionários de Facebook”, seja pela desqualificação da indignação com o segundo recuo público grave, pra ser fofo, de uma figura pública de tal monta.
O resto do discurso todo que acompanha o tratamento da indignação como “exagero” e à desqualificação é uma adaptação livre do discurso do inimigo externo que no PT vem realizando em toda a eleição.
Hoje é o Pedro Paulo o espantalho do PSOL, amanhã será outro, sempre haverá o Pedro Paulo da vez, e isso justifica todos os recuos.
Assim como sempre haverá um Tucano ou coisa pior pro PT brandir em toda eleição.
E pior, talvez os militantes do PSOL permaneçam sem perceber a repetição como farsa do discurso do inimigo externo que o PT cansou de fazer e que inclusive convenceu parte de vocês em votar “crítico” na Dilma no segundo turno em 2014.
O problema da esquerda partidária é que ela ignora sinais nítidos, concretos e cotidianos de burocratização da sua figura pública, e do partido, em nome de uma adaptação da ideia de destino manifesto da superação de toda tendência à cooptação porque se acha imune.
Parece que a esquerda partidária toda ela foi ungida pelo sacrossanto destino de libertar todos nós, mesmo à nossa revelia, e que ela só precisa de um cavalo selado pra chegar e, pá, revolucionar tudo.
Isso explica muito a similaridade do discurso marxista-leninista com o discurso teológico e o entendimento da História como teleologia e da revolução como evento escatológico.
À esquerda partidária a revolução é fundamento cosmogônico. À esquerda partidária as figuras públicas são como messias, como Moisés carregando o socialismo quarenta dias e quarenta noites através do deserto até chegar à Canaã. tudo deve ser superado, engolido,ignorado atá chegar a Canaã.
No caso do PSOL a Canaã é a prefeitura do Rio.
Quando você usa “invasão” e não ocupação, você corrobora uma prática criminalizante,mesmo talvez de forma inadvertida. Aliás, o próprio uso do termo “invasão” diz mais sobre teu lado na defesa do Freixo, e talvez na própria luta de classes.
Quem invade um lugar público? Na minha época lutávamos para que o que a direita e o sistema chama de invasão fosse denominado pelo nome correto: Ocupação.
Hoje parece que chamar ocupação de invasão é naturalizado por parte da militância e também por suas figuras públicas. E isso diz muito sobre como age o fenômeno da burocratização e da cooptação pelo sistema.
Desculpem se a militãncia não partidária e/ou não do PSOL não passa pano pra figura pública que já disse “O PSOL precisa isolar os Black Bloc”, dando auxílio luxuoso para que no ano de 2014 parte da militãncia não partidária fosse encarcerada sob processo fraudulento, permanecendo ainda hoje sob ameaça de ser presa por militar, e hoje dá declaração apoiando uma segurança parlamentar que agride trabalhador,mas não existe outra forma de agir diante da omissão do parlamentar em sua auto defesa.
Se ele não disse ou errou ao dizer seu melhor defensor seria ele ou fazendo auto crítica ou desmentindo. Não houve nem um nem outro.
O que nos leva a entender que o parlamentar quis dizer aquilo,como quis dizer que o PSOL precisava isolar os black bloc sabendo exatamente o que isso significaria para as forças de segurança pública.
É exagero pegar a frase? Se fosse uma frase apenas até poderia ser tido como tal,mas não é nem uma frase, é uma frase que complementa um cotidiano de práticas, inclusive com a declaração de voto na Dilma sem que o partido tivesse deliberado sobre.
Essa de esperar o tempo dizer se Freixo ( E o PSOL) está se burocratizando ou não é outro elemento de falência por parte da esquerda de um mínimo de formação, além de cheirar a fanfarronice. Análises de conjuntura servem para analisarmos,e evitarmos, passos e destinos.
Uma esquerda que fica esperando o tempo dizer não ajuda muito.
E tendo militado dez anos no PSOL lamento dizer que o tempo só falta gravar programa na TV informando a todos do acelerado processo de burocratização e assimilação ao sistema, inclusive do uso do discurso do “mal maior” que sim é idêntico ao usado pelo PT pra eleger continuadamente o anti-tucano da vez.
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