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Quando a gente se assume anarquista ou autonomista é batata recebermos a pecha de “Utópicos” (Como se ofensa fosse) ou “propositores do impossível”, e assemelhados.

No caso específico da anarquia a rotulação presume que esta busca um evento teleológico e escatológico idêntico à busca da Revolução por parte da Igreja Vermelha de Lênin.

Além disso, pedem que “apontemos soluções”, como se a sociedade fosse um motor de fusca, ou uma realidade onde planos escritos em algum manual resolvesse problemas a partir de um ponto hierarquicamente superior ou a partir de um Estado naturalizado eterno e detentor das únicas formas possíveis de transformação social. Isso ocorre mesmo de forma não declarada, enrustida em cobranças de soluções que partem sempre de cima pra baixo e mediadas pelo Estado.. eterno, imutável, naturalizado e até louvado.

E ai apontamos as soluções, mas os ouvidos, moucos de estatolatria, continuam a achar estranho que existam proposições que não perpassem o Estado, ao menos não o tendo como uma espécie de objeto fálico de desejo, quando não permanecem rotulando como “fantasia”.

Só que enquanto isso GEPE, MOB, Núcleo Pró-Federação de Educação Libertária, trocentas Okupas, FARJ, OATL, etc e tals tão ai sem ligar pra estatolatria tança dos amiguinhos.

Porque é vero, amiguinhos, anarquistas tem menos um plano de longo prazo pra uma revolução escatológica, apocalíptica e com uma cara de livro profético do Marxismo-leninismo (Muito mais leninista que marxista) e mais um plano de ação (direta) cotidiana e que é praticamente uma ação de revolução permanente real, bastante distante da revolução permanente de Trotsky que confunde revolução permanente com ocupação do Estado, programa de transição e ai sim passa a, talvez, pensar na substituição do estado por comunas, talvez.

Cada Okupa, cada núcleo de promoção de educação libertária, cada movimento de organização de bases é um movimento revolucionário que organiza a revolução a cada dia, sem pensar num amanhã longínquo, sonhador, e que perde tempo demais tentando sequestrar o estado das mãos da burguesia que quando nota é parte dela.

E isso não é exclusivo de anarquistas, óbvio.

Enquanto a esquerda partidária fica numa espécie de relação de mendicância com o parlamento pra tentar uma lei de democratização das comunicações, a rapaziada funda coletivos de mídia independente, uma pancada deles, e a promove no cotidiano buscando enfrentar a velha mídia caquética com mídia livre, midialivrismo, feita todo dia, toda hora, na prática, no cotidiano, sem esperar que um dia quem sabe o parlamentar que será candidato a prefeito da vez apresente uma lei que, quem sabe, seus pares de esquerda e direita aprovarão antes de serem jantados pelos editoriais dos jornalões que os faz perder votos, alimento do seu ganha pão.

Enquanto a esquerda partidária acha que educação se resolve apenas com verba e aumento de salário, por mais que ambos sejam desejáveis, Grupos de Educação Popular e de Educação Libertária tocam projetos na prática, sem esperar o Estado, e disputando mentes e corações, fazendo luta contra hegemônica.

Okupas promovem a redução do deficit de moradia sem esperar uma figura pública pra lhes levar pela mão ou “doação” do “Minha Casa, Minha vida” em troca de apoio ao Governo Federal fingindo que é luta “contra o golpe”.

Porque o mundo é agora,os problemas ocorrem hoje, a vida precisa resistir now e não apenas a cada dois anos.

Além disso, enquanto a esquerda partidária discute em seu comitê central “O Que Fazer?”, a periferia tá agindo junto a coletivos seus, organizações suas, com e sem participação de anarquistas e autonomistas, e construindo soluções suas para problemas seus, sem esperar soluções mágicas vindas de cima pra baixo das sacolas dos Papai Noéis de Quintino com mais ou menos perfil ideológico “socialista”.

Porque a galera tá de saco cheio de quem das alturas faz escrituras sem perguntar se é pouco ou demais.

Porque o povo tá cansado de discutirem, por exemplo, legalização da maconha longe da periferia, que mais sofre com os resultados da guerra às drogas e é excluído do papo, não vê movimento dos branquinhos onde o pau come, e acha engraçado que a maioria absoluta dos movimentos de legalização das drogas sejam compostos de brancos que desfilam na beira da praia.

Porque os movimentos de legalização das drogas, amigos, são sim de classe média branca. O primeiro passo pra mudá-los seria reconhecer isso em vez de se esconder atrás da profissão de fé que terceiriza a defesa dos favelados para si sem consultá-los.

“Ah, mas lutamos para que o fim da guerra às drogas pare a morte de jovens negros!”. Beleza, Parceiro, bacanaço, mas que tal conversar com os caras? Que tal construir os movimentos nas periferias? Que tal ao menos perguntar pros caras se vocês tão fazendo a defesa em nome deles direito?Ah, não dá? Ok, tchau!

Quer discutir Legalização da maconha, Favelado? Pega um busão e vai pra beira mar! Ué, mas ai o Pezão não deixa? Te fode ai! É um diálogo realista entre os movimentos brancos e os favelados. Porque tudo, tudo, na esquerda partidária é de cima pra baixo.

Mas relaxem, a Favela há algum tempo passou a perceber que anda sozinha, e é daí que se constroem as soluções e planos de ação (direta) cotidiana, praticamente uma ação de revolução permanente real.

Por que? Porque o mundo é agora, os problemas ocorrem hoje, a vida precisa resistir now. E não dá tempo pra decorar Lênin 4, Versículo 6.

Ah, o Curdistão Livre mandou lembranças!

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