dilma51

E Dilma escreveu um artigo para a Folha, seção Tendências e Debates, falando dos refugiados sírios e das medidas que o Brasil toma e vai tomar.

O artigo é bonitinho até, e passaria em branco como perfumaria fofa, se: Não tivesse sido assinado pela Presidente da República e não contivesse uma “confusão” entre o ISIS e “Grupos Criminosos”.

ISIS é a sigla do grupo chamado Estado Islâmico ou DAESH, que vem a ser um grupo fundamentalista islâmico armado que atua no Iraque e Síria, chamado de terrorista pelo ocidente/OTAN, mídia,etc, e combatido pelos Curdos Libertários do PKK, YPG e que vivem no também chamado Curdistão Livre da Síria.

Grupos Criminosos são mais simplórios, como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando (TC), Amigos dos Amigos (ADA), Milícias como a “Liga da justiça”, pegando os que atuam no RJ, e atuam com fim lucrativo, parte violenta da economia informal,e alimentadores da economia formal via bancos como o HSBC. Confundi-los é um erro, ainda mais em tempos de aprovação da Lei antiterrorismo (Lei 2016/15 ) que permite inclusive encaixar ativismo e manifestações entre violações à lei e tratando-os como “terroristas”.

Essa “confusão” seria normal, problema de má formação, informação, excesso de senso comum, caso o autor não fosse a Presidência da República na figura de sua atual ocupante, Dilma Vana Rousseff.

Além da liturgia do cargo, a quebra da formalidade reservada à palavra do ocupante da Presidência da República pode ser mais que um equívoco, mas abertura de perigoso precedente interpretativo de uma lei que já possui brechas demais.

Brechas de uma lei que permite seu uso para classificação do jovem que quebra vidraça de banco como tão “terrorista” quanto o jovem que arranca a cabeça de um jornalista em frente às câmaras, que escravizam e estupram mulheres, sob pretexto de exercer sua fé islâmica, para horror da maioria dos muçulmanos que sofrem com os orientalismos e a classificação racista, sectária, de sua fé como cúmplice destes atos.

Comparar grupos fundamentalistas com tinturas de uma espécie de fascismo religioso com grupos criminosos amplifica a ação policial trabalhada na psicologia e ética da guerra, a velha guerra aos pobres travestida de guerra às drogas, que alimenta recordes de assassinato da juventude negra brasileira.

E não é o deputado irresponsável ou o jornalista sensacionalista que diz, escreve, isso, mas a chefe do estado maior das forças armadas.

Ao fazer a tenebrosa comparação do ISIS com “Grupos Criminosos”, Dilma Vana Rousseff ultrapassa uma fronteira que não traz nada de bom: Se foi um equívoco alimenta o pior da sociedade com argumentos, se foi um ato falho revela um desejo oculto em relação à ação contra grupos criminosos usando a lei antiterrorismo e se foi consciente é melhor corrermos para as montanhas.

A coisa toda só piora se considerarmos a origem política e partidária da Presidenta, acusada ela mesma de terrorismo de forma arbitrária, truculenta, ditatorial e criminosa no passado.

Em tempos de prisões arbitrárias sob pano de “proteção à democracia”, de chacinas como “política de segurança”, de ocupação militar da periferia como “combate ao crime” e de tortura e morte de Amarildo, Cláudia, Eduardo e Cristian, uma comparação entre ISIS e “Grupos Criminosos” é gasolina numa fogueira que assa a carne preta, a mais barata do mercado.

Ainda mais escrevendo o artigo para a Folha de São Paulo, a mesma que emprestava kombis pra Operação Bandeirante, a OBAN.

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