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Desde a década de 1990, ao menos, se critica a opção da esquerda pelo discurso anti-corrupção (A crítica era na década de 1990 dirigida ao PT). Brizola, inclusive, chamava o PT de “UDN de macacão”.

A questão toda era que a critica à corrupção alheia continha o artifício retórico de se colocar como imune à corrupção, o que além de ficcional continha o risco de demolição fácil de toda a caracterização de praticamente toda a esquerda como “Porta-voz da honestidade” caso o mínimo escorregão ocorresse.

E desde a década de 1990 não são poucos os escorregões éticos dados pelo PT e pela esquerda, vai do escândalo da CPEM envolvendo o PT até Janira do PSOL sendo acusada de desvio de verba de sindicato, passando pelo Toninho do PT, Celso Daniel, Mensalão, etc..

Claro que a direita tem tantos ou mais escândalos, o problema é que a direita jamais posou de vestal ou de transformadora do sistema, mesmo a direita que posa de vestal.

Ou seja, a esquerda compartilhando da corrupção do estado, na qual a direita chafurda desde sempre, se torna similar ao que diz combater.

Mas o problema vai além do status simbólico, da lógica do imaginário e da perda de capital político, ele pega na mão da própria ideia do que é corrupção, do que é combatê-la e como se pensa politicamente a corrupção e como inclusive se pensa politicamente.

Corrupção é uma palavra que designa muito mais que desvio de verba ou ladroagem. A ideia de corromper e ser corrupto envolve inclusive o desvio ético mínimo, o desvio de ethos, ou seja, a mudança de metodologia ideológica, a aceitação de determinados limites de atuação regidos por um tipo de ethos, ou espírito, diametralmente oposto ao que se defende.

A defesa de recebimento de financiamento de empresas privadas, por exemplo, é em si um desvio ético em si, ainda mais se o partido em questão se reivindica socialista. A defesa de uso de combustíveis fósseis também, se o partido ou movimento alega ser ecossocialista, aliás, permanecer em partido com defesa de uso de petróleo e de combustíveis fósseis como patrimônio “da nação”, não deixa de ser corrupção.

Radicalizando mais ainda, a gente pode pegar que a simples filiação de uma pessoa fundamentalista religiosa, que ataca o laicismo e LGBTs, por exemplo, já é desvio ético e corrupção, pois é a corrupção dos valores humanistas inerentes a todas as correntes da esquerda socialista, anarquista, comunista pós-século XIX. Idem manter entre seus quadros quem tem acusação de violência contra a mulher, quem filia em massa quadros anti-aborto,etc..

Em resumo: Corrupção é mais que não roubar.

Centrar discurso e bandeira no “combate à corrupção” exige um pouco mais de problematização.

Não pode roubar, mas pode pegar leve na denúncia ao neoliberalismo, travestido de social-liberalismo, da própria esquerda?

Não pode roubar, mas pode ser financiado pela Gerdau e Zaffari, que como toda empresa explora trrabalhadores?

Não pode roubar, mas pode “isolar black blocs”e se omitir na defesa de presos políticos como Sininho, só defendendo Rafael Braga pois não alinhado ideologicamente?

Não pode roubar, mas pode dar golpe em sindicato, aparelhar DCE, aparelhar ato coletivo e multifacetado da esquerda?

Não pode roubar, mas pode ser linha auxiliar de quem rouba?

Quando a ética tá só no não roubar ela acha ético o trair?

Há muito mais envolvendo ideologias de transformação. Não basta não roubar, tem de não ser machista, racista, transfóbico e homofóbico, não ser linha auxiliar da burguesia, não ser criminalizador de ativistas, de grevistas, nada disso. São condições si ne qua non.

Se você não rouba, mas se alinha ao lado do estado, do sistema, da criminalização de ativistas, quilombolas, índios você é tão corrupto quanto o Maluf, só que pobre, e burro.

Ah,você não rouba, mas é apoiado por sojeiro ou dono de empresa que explora extrativista na eleição de prefeito? Porra, que ética é essa se quem te apoia é uber explorador da classe trabalhadora e mata índio?

Essa ética de meia tigela que emoldura discurso fofinho com cara de anjo,mas oculta omissões e tenebrosas transações não é honesta, é hipócrita.

E hipocrisia não muda nada, mas desfila educada nos salões do poder.

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