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Há uma constante inflexão teórica e prática na esquerda mundial rumo à institucionalidade como estratégia, como programa máximo. Isso não é novidade e rola desde a social democracia Alemã no início do século XX. Rosa Luxemburgo foi vítima disso.

O racha na internacional socialista quando na primeira guerra mundial socialistas votaram no parlamento da França e Alemanha (E não só) a favor dos bônus de guerra apoiando a entrada dos países na primeira grande guerra, foi o primeiro grande fenômeno que se tornou um case de sucesso (Ou de fracasso) do papel da institucionalidade e da burocratização na detonação da participação dos partidos na luta revolucionária.

Esse case virou uma espécie de franquia cinematográfica longeva, similar à franquia Sexta-Feira 13, aquela do Jason. E que alterna longas dramáticos, curtas cômicos, mas que giram em torno da construção de protagonistas fortes que atraem multidões para filmes com roteiro manjado,embora por vezes ainda consigam garantir alguma emoção por truques dramáticos, boa campanha de publicidade e apelo fácil às carências e sensibilidades do público.

Hoje em dia o filme escala Mujica como protagonista do drama mexicano da busca por um homem forte para chamar de seu. Mujica é o Lula lado A. É uma espécie de Lula do Bem, aquele que “não nos traiu”.

Essa criação de fã clube em torno de figuras públicas é a repetição como farsa do sebastianismo e é um eloquente exemplo da consolidação do papel da esquerda partidária como um todo de linha auxiliar da burguesia.

Por que a esquerda partidária como um todo se tornou linha auxiliar da burguesia? Porque ao erguer seus monumentos às suas figuras públicas louvando seus feitos contemplam imóveis as graves cessões programáticas ao programa burguês como efeitos colaterais superáveis de inegáveis avanços.

Por isso Mujica, Lula, Tsipras, Iglesias, Chavez e Evo (E tantos outros) são ícones por agirem de forma progressista em parte do programa enquanto por outro atuam como reformadores liberais de direitos e da economia, de forma tão venal e daninha quanto anteriormente FHC, Menem e seus iguais.

Há um encantamento com a dimensão da utopia possível decantada nas palavras dos ícones similar à suspensão da descrença presente em shows de prestidigitação, quadrinhos e filmes de super heróis.

“Nada nessa mão, nada na outra”, declama o Mágico antes de um pequeno milagre que a todos surpreende, mas que qualquer investigação mais acurada revela ser apenas um truque elaborado.

“Tiramos 30 milhões da miséria”,dizem ocultando deslocamento de investimento pro agronegócio desmatador, predatório, que mata Guarani-Kaiowá e Quilombolas; Investindo menos de 10% do dinheiro enviado pros juros de uma dívida pública ilegal na real erradicação da miséria e do deficit de moradia, enquanto se facilita a vida de empreiteiras com mega empreendimentos com geração deficitária de energia e preço ambiental, social e étnico gigantesco como Belo Monte; Com remoções nas grandes cidades para a Copa e a Olimpíada com zero de cumprimento de condicionantes mínimas sociais como a de consulta pública a moradores antes de removê-los como lixo, envio de moradores a moradias adequadas; Com combate zero à criminalização da pobreza a partir da guerras às drogas que torna as periferias campo de refugiados urbanos de uma guerra aos pobres e valhacouto de tráfico, milícias ou Unidades de Polícia Pacificadora, quando não é o Exército,que tá mais pra Unidade de Porrada em Preto.

“Legalizamos o Aborto e a Maconha!”,se diz enquanto se mantém um programa econômico neoliberal cruel e se criminaliza Greves.

Tudo muito bonito e endossado por variados grupos da esquerda partidária, seja ela governista ou não, brasileira.

Enquanto isso o pau come na Síria, na Amazônia, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Locais onde se está em marcha a luta revolucionária de Curdos e Indígenas contra tanta coisa que só pelo fato de tentarem já mereciam aplausos emocionados, moções diárias de apoio, investigação sobre o que está acontecendo,envio de jovens pra ajudarem e aprenderem a serem revolucionários.

Mas qual o que? Quem liga pra Curdo e índio se tem Freixo, Mujica, Lula, Tsipras para amar?

Quem liga pra luta ecológica, étnica, proletária, corajosa e revolucionária dos indígenas contra o agrobusiness etnocida? Poucos.

Quem liga pra confederação libertária do Curdistão Sírio contendo até Assírios e Yazedis (Etnias que se achava que estavam mortas e moravam nos empoeirados livros de História Antiga) implantando comunas libertárias,tendo parte central da vida e do exército mulheres que deixam o Estado Islâmico precisando de fralda descartável? Menos ainda, e como a maioria é anarquista (Como os Curdos) ai mesmo é que danô-se.

Até porque, pra que prestar atenção em utopias de verdade ocorrendo um palmo à frente do nariz se se tem à mão a utopia possível, concedida, sem sangue, sem vida e nem a possível perda do ar condicionado, do discurso “republicano” de Mujica, o Lula Fofo, e afins?

E qual a cor do fã clube de Mujica? Onde mora? A maioria provavelmente é branca e não mora nas periferias das grandes cidades.

Pra que tentar entender meios de construir revolucionariamente da periferia ao centro se pertinho de casa é mais gostoso? Pois é, a periferia também acha.

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