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A ação revolucionária atua na história mente humana como formadora de teorias. As mil receitas de sua construção, da produção da transformação são exemplo sintomático da procura de ordenamento do real,tido como caos,como necessidade apriorística das escolas de pensamento ocidentais.

A Ordem então é construída e criadas sobre ela um artifício,uma base,uma alicerce de regras,uma hierarquia para garantí-las, uma burocracia para controlá-la e temos ai então um sistema político.

A questão é que revolução e realidade são algo um tantinho mais complexo que sistemas políticos e de pensamento conseguem traduzir e produzir transformação sobre e a partir deles.

Por que? Ora,pois! Porque a realidade e a política são complexas, são elementos de tensionamento cruzado e transversal onde classe, raça, gênero, orientação sexual, etnia, expressão ou identidade de gênero, tudo compete para que a ação integrada entre indivíduos e entre indivíduos e sociedade tenha múltiplas motivações, ordenamentos, disputas e compreensões da realidade, conjuntura, história,etc, e isso significa, parceirinho batata, que o processo hierarquizante, centralizador, de e da unidade é a mutilização da produção revolucionária de cada voz e de cada conflito inerente às disputas no interior das sociedades.

Então não vamos nos unir contra o capitalismo ou para mantê-lo,pergunta você? E eu respondo: Unidades e rupturas ocorrem todo o tempo na luta política de transformação ou manutenção do status quo, o babado é que nada disso se encaixa como brinquedo de bebê nas formas pré-ativadas que os sistemas teóricos políticos produzem como fórmula mágica para a felicidade humana.

A realidade de Babadolândia não permite que a solução de Casa do Caralho do Norte se encaixe perfeitamente e vice versa. Da mesma forma megas teorias universalizantes não encaixam em tudo que é canto pelo singelo motivo que nenhuma casa é um universo e nenhum universo uma casa.

O Capitalismo não produziu avanço nenhum nas sociedades Africanas, Asiáticas ou Americanas, como defendia Marx, mas sim produziu extermínio, opressão, silenciamento e devastação inclusive de produção teórica autóctone com formulações e soluções próprias, mesmo que diferentes das ocidentais.

O Socialismo não fez nada muito diferente e mesmo quando inserido nas sociedades modernas,já capitalistas, da América, Ásia e África produziu adaptações a fórceps da lógica universalizante, centralizadora e hiper hierárquica do pensamento ocidental estruturalista.

A própria ideia da dialética causa em si o silenciamento da polifonia em nome da produção da síntese. Na síntese, a análise silencia os diversos sons, as diversas vozes, dos diversos grupos, indivíduos e realidades (ou visões dela), para que se construa uma tradução única do real, o que é em si impossível exceto como produção de ficção, e ficção silenciadora, dado o real ser amplo, geral, irrestritamente mais dinâmico e complexo do que qualquer síntese.

A revolução, portanto,nasce de uma ideia ficcional e romântica da leitura do real como uma espécie de ferramenta passível de ser usada por uma casta superior de observadores chamada de “intelectuais”, aqueles que possuem intelecto para esta leitura e capacidade de a partir dela produzirem sistemas e receitas repetíveis em quadros de realidade conjuntural diversa da observada.

A revolução também é a produtora de uma nova sociedade mágica, fruto de um evento teológico e escatológico, que ocorrerá (Virá, que eu vi!) de forma teleológica, ou seja, no popular: vai rolar, foda-se se tudo aponta pro inverso.

Daí pro pó de pirlimpimpim é dez real.

A questão toda é que a poética das transformações são complexas, mutantes e exigem revoluções por minuto, com confusão proposital com o rpm dos motores.

Sem mudanças cotidianas e tendo em vista que o futuro revolucionário é o já, e o locus revolucionário é o agora, nada mais, porque infelizmente não dá tempo de produzir teoria em andamento fotografando o passado pra tentar pintar o futuro quando elegermos um pintor capaz de desenhar o quadro.

A questão toda é que não temos nem o direito de produzir uma teoria vinda autocraticamente de uma produção de síntese hierarquizante e autoritária, que entende que leituras “qualificadas” são as feitas por quem possui mandato de classe (Advindo de seus próprios privilégios) para produzir uma leitura centralizada do real.

A teoria, mano, é produzida no campo do cotidiano pelas próprias mãos do hoje.

E por isso a ficção da revolução escatológica é autoritária. Só revoluções por minuto fazem o mundo andar pra frente.

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