la-derrota

A derrota da esquerda partidária brasileira é galopante e vira uma espécie de 7×1 político a cada dia mais.

Essa derrota pode até não parecer tão grave diante de um sucesso eleitoral meia boca ocorrido nos últimos anos, mas ela é grave, enorme e passa pela construção de uma esquerda que hoje é apenas reativa, tem péssima leitura de conjuntura, se afasta a cada dia mais da população trabalhadora, ignora o que acontece no planeta e passa a maior parte do tempo com uma postura teórica de papagaio de pirata que oscila entre repetição acéfala de mecanicismo marxista e reprodução de reformismo covarde travestido de responsabilidade repúblicana em conjuntura adversa.

Por que é derrota e porque isso acontece?

É derrota porque a esquerda partidária brasileira vem de um histórico de profunda base na classe trabalhadora, construído desde o fim do século XIX e que teve um primeiro pico de popularidade e reflexo institucional com o PCB, que mesmo clandestino possuia enorme penetração na classe trabalhadora, inclusive eleitoral, e como segundo renascimento o PT que no pós-ditadura enfrentou a enorme perda de quadros que a ditadura causou (matando-os) com uma organização democrática,plena de diversidade e que capilarizava a penetração das forças de esquerda em um nível talvez nunca visto antes. E perdeu isso. Perdeu o horizonte utópico e o papel de símbolo dele aos olhos da população.

Hoje esta mesma esquerda tem uma relação de distância concreta da população ou a usa de forma imensamente instrumental com fins eleitorais. Nem mesmo o PT atua de forma a organizar a base da classe trabalhadora em algum nível parta avanços políticos além da eleição de parlamentares e executivos do estado.

Os demais partidos como o PSOL, PSTU, PCB, etc atuam ou da mesma forma que o PT ou entendendo que a organização da classe trabalhadora se dá na construção de ferramentas intimamente ligadas à institucionalidade como sindicatos, associação de moradores, Centros Acadêmicos, Grêmios,etc ou de ambas as formas.

Todo tema com algum nível de complexidade, polêmica ou confronto com a cultura hegemônica é secundarizado nos debates. Se não constrói vitória na institucinalidade, ou pode a atrapalhar no curto prazo, então silencio é regra.

Por isso vemos o G7 tendo discurso ambiental mais políticamente aceitável que o da esquerda partidária brasileira. Por isso o Papa fala contra a homofobia de forma mais pesada que boa parte da esquerda partidária brasileira.

Essa lógica acaba cedendo terreno na política, e não existe espaço vazio na política, e ai este espaço é ocupado pelas forças conservadoras.

Veja bem, a esquerda partidária brasileira viu o PT caminhando cada vez mais pra direita e tornou sua a palavra da denúncia desta caminhada, jamais se tentou sequer medianamente construir a alternativa teórica, política, cultural, à caminhada do PT à direita.

Qual a produção cultural, intelectual, teórica e organizativa que deu conta de uma leitura de conjuntura digna do nome e que promoveu mudanças nas formas organizativas da esquerda partidária no âmbito sindical, estudantil, da juventude, da juventude negra, do meio ambiente produzido pela esquerda nos últimos dez anos? Isso mesmo, porra nenhuma.

Embora tenha boa parte de sua militância nas universidades partido nenhum sequer cogitou reformar-se organizativamente a partir da luz das teorias, dados e pesquisa produzidas na academia.

Embora tenha mandatos e teóricos mil, nenhum partido de esquerda sequer cogitou aprender sobre a nova ordem geopolítica mundial, revoluções que ocorrem no Curdistão, por exemplo; Sobre educação em um tempo de alta tecnologia que fizessem contraponto à política neoliberal produzida pelo banco mundial; sobre os anseios de uma juventude negra precarizada, mas que hoje avança na educação com maior penetração na educação superior e na organização a partir da construção de fóruns próprios; sobre a música da juventude negra,sua produção cultural e sua luta contra hegemônica; sobre meio ambiente,combustíveis fósseis, organização de indígenas e quilombolas, nada…

Tudo na mão, mas nenhum estudo, nenhum debate, nenhuma reavaliação da organização em nome de recompor com a classe trabalhadora e com povos originários, nenhuma saida teórica e organizativa para atender novas demandas, nenhuma forma de reconstrução interna que apontasse menos pra ocupação de cargos nos diversos níveis da institucionalidade e mais para a organização capilarizada de núcleos pra dentro da classe trabalhadora.

Enquanto isso se produziu muito discurso pra dentro do aquário e pouco ou nenhuma saida pela e para a esquerda.

Enquanto isso a direita, que nunca foi estúpida, radicalizou a ocupação de espaços e manda e desmanda, tendo um nível de enfrentamento à qualquer coisa que fuja do status quo que só foi vista antes dos anos 1950 aos anos 1980 do século XX.

E ai temos de aturar avanço cruel do ruralismo,do neoliberalismo, do conservadorismo teocrata pra cima de índios, trabalhadores, pescadores, jovens negros, mulheres, transgênero, LGBTs, etc e uma esquerda partidária reativa que parece criança que apanhou do valentão chorando pra mãe.

“Olha, os ruralistas são maus!”, porra,jura?

E ai, parça? Vamos sair dessa como?

Gol da Alemanha.

A esquerda partidária brasileira parece o Davi Luiz diante do Luizito Suarez, mais perdida que surdo em bingo.

Repete o modus operandi eleitoreiro do PT por um lado e reage às pressões do parlamento com nenhum senso de análise conjuntural ao votar, por exemplo, a favor da cláusula de barreira porque podia ser pior.

Oi? Mano, se o cara apanha de bastão de beisebol ou de barra ferro ele continua apanhando e não adiantou muito você pedir pro cara usar madeira ao invés de ferro. O maxilar dele quebra igual.

Isso quando a esquerda está lá no Parlamento. Fora do parlamento a esquerda partidária não teve nenhuma solidariedade com presos políticos reprimidos pelo estado, com os Amarildos, Claudias, Eduardos, que não fossem atenções ali, quando a mídia tava em cima, e depois tchau, te fode ai.

Nenhuma construção de organização nas periferias,nenhum debate de construção de organização sem interesse de cooptação direta. E ai a rapaziada não tá de bobeira. Não quer mais fazer claque pra juventude dourada de Ipanema brincar de CONUNE.

E ai temos outras formas de organização sambando na cara da sociedade e da esquerda partidária com consciência pesada de culpa por ir no Estação tomar capuccino e que não tá a fim de engordar o institucionalismo de PSOL,PCB,PSTU, etc.. E tome organização horizontal na favela, e tome a periferia rindo na cara do universotário querendo pautar quem debate ou não maioridade penal numa periferia que tá doida pra jantar os reaças.

Pra que partido?

O que fazer quando “O que fazer?” perdeu o sentido? Repetir como mantra não resolve. Nem construir Circulos e Raízes de cima pra baixo tentando enrolar quem tá construindo seus nós. Tentar fazer um PODEMOS tupiniquim só usando jargões e discursos tampouco ajuda.

A ausência de solidariedade com presos políticos reprimidos pelo estado é sintomática do rebaixamento teórico, de análise de conjuntura e da mesquinhez de curto prazo da esquerda partidária, dado que esta ligou o foda-se pra solidariedade de classe, pro bom senso político, pro papel simbólico e para as ferramentas à mão das estruturas partidárias na institucionalidade, simplesmente deixou pra lá gente presa e reprimida em nome da mesquinhez de punir o que não controla e a quem discorda do tipo de organização que representam. Tudo pra não perder voto ou por reles vingança. Ali a esquerda partidária escolheu o lado das forças da repressão.

Pra piorar a indigência teórica e organizativa ganhamos a indigência moral.

Enquanto não se debate ou produz análise de conjuntura e se fica refém da institucionalidade o jogo corre. E gol da Alemanha.

PS: Não só a esquerda partidária brasileira se cala diante da repressão  política do estado contra anarquistas e autonomistas, como o silêncio do PODEMOS sobre a repressão a anarquistas na Espanha. Pior, às vezes a comanda, vide o SYRIZA na Grécia . É de se pensar se a lógica de omissão diante da repressão do estado não é discutida nas Internacionais Socialistas. Kronstsandt e os  Makhnovistas tão aí de exemplo

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