Jovens pedem fim do extermínio da juventude negra no ES
Jovens pedem fim do extermínio da juventude negra no ES

 

Absoluto asco do mimimi de classe média “Deus, estão matando pessoas na facada!”, porque é indignação restrita aos seus.

Morrem às centenas pessoas nas favelas e essa branquitude canalha se cala e apoia.

Apoia porque reflete a política de segurança brasileira onde a polícia é capitão do mato e cabeça de ponte da gentrificação, da barbárie estatal de isolamento étnico, de divisão da cidade entre cidade aquilombada e cidade aburguesada.

Esse ethos não é novo, tampouco deixa de ser um ethos renovado num medo branco que desde o império é o condutor do estado brasileiro e da construção de nossa divisão social e étnica de classe.

Como escrevi aqui:

Gizlene Nader em seu artigo “Cidade, Identidade  e Exclusão Social” (aqui) afirma que: “As preocupações com o controle da massa de trabalhadores pobres revelam o medo branco, ainda presente (…)”. Este medo branco persistente  se revelava em 1908 através de uma  política de controle das “classes perigosas”. Essas classes perigosas precisavam ter um espaço de trânsito controlado, serem vigiadas para que a “ordem” se manifestasse de forma absoluta, permitindo às Classes “bem nascidas” e “educadas” a liberdade de ocupação da cidade, do melhor da cidade, com o mínimo de contato com o que consideram inferior. 

Esta idéia foi colocada em prática através das reformas urbanas de 1908 quando foi criado um cordão “sanitário” da Lapa até o Rio Comprido, evitando a circulação das classes populares nas localidades de moradia da Elite.”

Esse ethos apoia a matança cotidiana de pretos e pobres, quase todos pretos, porque a ascensão de classe no Brasil é embranquecedora. Quanto mais alto o sujeito e a família chegam, menos pretos são e mais brancos ficam.

A classe média e a classe alta reagem com uma indignação à morte de brancos pelo crime inversamente proporcional à empatia que tem com a morte de pretos favelados. Porque o branco morto é um igual, o preto morto é ”aquela gente” que é um outro com o qual só temos alteridade no trem do samba, no carnaval ou quando fingimos civilidade vendendo nosso candidato branco “republicano” ou falamos de educação esquecendo dos professores cuja agressão pela polícia apoiamos.

À essa indignação eu respondo com um imenso FODA-SE.

Cada branco morto equivale a praticamente cem negros mortos cotidianamente e condenados previamente à morte pela suposição automática de serem criminosos.

Então ou se para a matança como um todo ou a morte é o resultado da política de secessão que apoiam. Então foda-se, que morram!

Que morram porque é esta canalhada afetada, branca, moradora de Leblon e Ipanema, Lagoa, que sustenta a política de desmonte de estado, de educação e saúde, que comemora governador dando porrada em professor, sucateando aparato de reeducação de menores infratores, que por serem pretos são tratados como “bandidos”, categoria desumanizadora que dessocializa e exclui de qualquer esperança qualquer menor infrator pobre e preto pego em flagrante. Enquanto isso a juventude branquela de classe média quando comete infração é condenada a “Está equivocada e precisa de orientação psicológica!”.

Menor infrator preto é bárbaro que merece a masmorra, branco é criança desvirtuada que precisa de apoio? Tá pouco de faca.

A facada é produzida por essa lógica, pelo abandono da juventude negra ao caos, à bala da polícia, ao desprezo e à redução da maioridade penal.

Por isso tá pouco de faca, manda mais!

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