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Ver nunca foi enxergar, isso é certo. Porém, em tempos de vinte e cinco quadros por segundo ver é praticamente blindar-se à percepção.

Ver, sentir, abrir o aplicativo sensorial no sistema operacional do cérebro é mais difícil hoje do que abrir o Facebook num Smartfone LG diabo.

O increíble é que a lógica sensorial comandada pela urgência que caminha com a doutrinação sensorial aos vinte e cinco quadros por segundo exigiria percepção máxima e educação cerebral para entendimento do que o cérebro já é capaz de fazer: Perceber tudo em todos os níveis. Mas qual o quê? É o inverso.

Diante do mar de sensações e possibilidades que emergem do bombardeio sensorial que é o dia ultra conectado, a maioria das pessoas bloqueia a análise, ou, em resumo, põe o doce na boca, mas não sente o gosto.

Seja analisando o futebol, a política, a música, a dança, a literatura ou cargas d’água que nos valha nesse mundo de meu Deus, as pessoas reagem aos estímulos como crianças perdidas, não pensam, não analisam, não saboreiam.

Parte disso é fruto de um sistema educacional mecanicista,parte de uma educação midiática, feita por jornais, TVs e portais, onde um pires tem mais profundidade. Acrescente a isso a falta de tempo diário para descarregar tensões e excesso de informação (Pela mobilidade urbana horrorosa,pelo trabalho extenuante,etc,etc), duas pitadas de preguiça e ausência de tensionamento concreto de paradigmas pela ação política contra hegemônica, e temos o mundo como ele é.

A sensação é que a humanidade desistiu. É o que temos ao ler zero de compreensão tática sobre futebol, sobre jogadores; nenhuma noção do que é arte e seu papel extremamente vinculado a contextos sociais e cronológicos; confusão entre qualidade e gosto pessoal; senso comum travestido de bom gosto cultural que nunca ouviu música, por exemplo, entendendo o papel de instrumentos, melodia e harmonia, arranjos, etc; análise política que tangencia a insanidade mitificadora de papéis estanques no campo das organizações políticas e sua penetração na sociedade.

A humanidade desistiu de promover combinação de fatores concretos pra ver que bicho dá, resolveu descongelar o frango pronto da razão e tomar com vinho de caixinha.

É inclusive sintomático que a rapaziadinha que liga lé com cré e faz a comida boa da razão, desprezando o miojo cognitivo de fácil acesso e preços caríssimo, é aquela galera que na passarela é porta estandarte e sabe o valor de sacudir a poeira suada da luta e cair na brincadeira.

A maior parte da classe média pra cima late em braile ao encarar situações complexas. E num mundo cada vez mais complexo isso se reflete em reações apaixonadas e irracionais a cada situação adversa ou quadros onde basta ter um pingo de noção pra se sacar que é preciso mais calma antes de chamar o Megazord mais próximo.

Em resumo: a galera sabre o preço de tudo e não sabe o valor de nada.

E mesmo sabendo que hoje nada é uma coisa de cada vez,mas tudo ao mesmo tempo agora, é fundamental sacar que a vida sempre foi um olho no padre e outro na missa.

Sem perceber que o olho no peixe não impede o olho no gato, o que temos é a infantilização da compreensão e multidões de birrentos latindo teorias dementes sem pé na realidade, pior, pagando de doutor.

A rapaziada só tem paciência pra comer Miojo, mas paga de gourmet sem ter paciência pra cozinhar arroz.

É preciso rapidez pra agir e calma pra pensar, sob pena de tudo passar a soar como tolice.

Por isso calma,Bete!

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