image

Precisamos conversar sobre educação e fundamentalmente a partir da unidade entre precarização do professor como efeito fundamental da precarização do ensino e o programa neoliberal para a educação cujo principal subproduto é o ensino ser substituto da educação e educação não ser mais que treinamento.

Desde que a lógica de educação como produto a ser incorporado ao mercado até o entendimento da educação como projeto de estado para o capital, tudo é parte de programas intergovernamentais e do mercado cujo objetivo combinado é desde a incorporação da educação como mercadoria para produção de lucro ao mercado até a transformação da educação pública em instrumento de formação mínima e treinamento máximo para o mercado onde basta saber ler manuais e executar as quatro operações básicas da matemática.

Tudo isso tá em baila desde a década de 90, tudo isso tá em execução nos EUA, Chile e até na França. No Brasil o projeto de federalização tá em discussão desde os anos 90,sempre com base nos programas de educação do BID inspirados no programa de educação do governo Bush (acho que “Nenhuma criança para trás”) que fracassou fragorosamente (assim como a implantação de sua versão chilena inspirada pelo BID), mas até hoje ficaram restritos aos Estados e municípios brasileiros.

No Rio de Janeiro o PMDB implanta com fome essa versão tupiniquim de accountability ao lado do PT. Com menos fome e competência o PSDB implantou em Minas Gerais e São Paulo. Com mais timidez o PT tentou no Rio Grande do Sul e na Bahia,etc. Ou seja, o movimento de implantação do programa de educação neoliberal nunca foi ignorado no Brasil.

Agora o governo federal repete o governo Bush e acena com a implantação do projeto sob o nome de “carreira docente Federal”, agindo como elemento de ilusionismo dos docentes ao propor um salário base para professores do ensino básico em padrões superiores aos da média nacional. Trabalho parecido com o feito pela prefeitura municipal do Rio de Janeiro ao propor salário de cerca de R$4000, 00 por 40 horas como se fosse a sétima maravilha do mundo e ocultando o cavalo de Tróia do desprezo ao tempo necessário para formação acadêmica, preparação de aula, atualização e tornando o professor em um burocrata cujo escritório se divide entre a sala de aula e a sala de professores e cuja função é executar um programa rígido de treinamento e não um programa de educação e formação cidadã. E essa pegadinha salarial oculta a destruição da educação como elemento de formação cidadã como política pública consciente.

E ai entra a centralidade do professor na vanguarda da luta de classes e contra o projeto neoliberal, assim como elemento radicalizado de transformação da classe popular. O que falta? A discussão de uma concepção de educação libertária e transformadora. Por que isso? Porque a educação libertária confronta o projeto neoliberal em cheio ao confrontar a proposta de treinamento mínimo em leitura simples e matemática com uma proposta de educação radical que inclui leitura e escrita ampla, história, arte, música, sociologia e todos os elementos de ampla formação cultural e política, inclusive a ecologia.

E é preciso coragem para ir além do debate salarial e discutir educação em si e lutar por currículo, formação e educação libertária.

Escrevi no twitter: tem professor de menos pra aluno demais e ampliam a precarização, que atinge inclusive o ensino superior, mantendo todos com baixos salários, inclusive o ensino superior, com infraestrutura parca e um enorme exército de reserva de mão de obra docente pra tentar manter quem tá empregado se sujeitando à essa precarização.

Não há projeto de educação no Brasil, nem liberal. Simplesmente não há.

Um programa liberal manteria salários baixos com escalonamento de ocupação dos níveis de ensino de acordo com a formação acadêmica, atacando o deficit de professores em salas de aula com gerenciamento de custo otimizado e mesmo assim mantendo exército de reserva de mão de obra qualificada. E isso do ensino fundamental ao superior.

Um programa de esquerda também escalonaria ocupação de docentes dos níveis de ensino a partir de sua formação acadêmica  porém buscando reduzir a zero o exército de mão de obra qualificada desempregada e efetivamente atuando por uma remuneração digna aos professores, reduzindo tanto o deficit de professores em sala de aula quanto o deficit salarial, como também o de infraestrutura.

No Brasil não tem nada disso, tem o desprezo pela educação, absoluto, como elemento fundamental para uma sociedade e até para o capitalismo. No Brasil se pudessem acabariam com a educação e se bobear com apoio popular.

E é por isso que tanto faz se você tem mestrado, graduação ou doutorado e tá disputando por absoluta necessidade dar aula no fundamental. Tanto faz se tem graduado disputando com mestre dar aula pra sexto ano ou doutor dando aula pra nono ano. Ou se o professor tem de dar aula pra setenta alunos porque os governos não tão nem aí se é possível contratar mais professores para além da reposição de aposentadoria e licenças para que exista educação realmente e não um arremedo disso que faz a educação bancária parecer boa.

E outra: Há escolas de menos, há estrutura de menos, há demanda demais.

E nem cheguei no horário de aulas, ensino integral, etc.

 

Comente, mas cuidado...

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s