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Jamais busquei ser bom ou bondoso, perfeito.

Busco errar o mínimo possível porque tudo agora mesmo pode estar por um segundo.

Viver é muito perigoso, tudo pode dar errado, a qualquer momento.

Pra superar o sistema é preciso antes de mais nada errar o mínimo possível. E sentir, deixar-se, não é erro, sentir e raciocinar ao mesmo tempo é o equilíbrio do universo deitado na relva do intelecto com o coração.

A ciência não é pura, tampouco é neutra, mas é o exercício mais contumaz da busca da erradicação ao máximo da dúvida pelo experimento.

A fé é boa, mas consiste no acreditar sem nenhuma outra razão ou base que sustente a crença. Ter fé é algo que exige ou coragem ou fanatismo. A fé sem coragem se furta a pensar, busca olhar pra algo que a torne segura, que a faça parar de sentir medo e torna aquilo, de objetos a versículos, cláusula pétrea.

A fé sem coragem torna tudo o satã que a ameaça, sejam homossexuais e mulheres livres, sejam a ciência ou a Televisão. Tudo ameaça as boas almas, que ao fim e ao cabo, boas ou não, são só pessoas que optaram por não enfrentar o medo do desconhecido e se acovardarem em conjunto sob as batinas ou o púlpito de um covarde eloquente.

A fé com coragem não teme a ciência, nem a nega, transmuta-a em dialogante e não teme dizer que a ciência provou que muita coisa da própria fé estava errada e que nenhum Deus reclamou por isso, porque Deuses não são exatamente amantes de covardes, nem o pai de Jesus.

A fé com coragem vive e ama a ciência como parte de si mesma, mesmo desconstruindo onde ela, a fé, não conseguiu iluminar. A boa fé é a fé que ilumina, não a que obscurece, essa é prima irmã da ciência e como pensamento mágico se veste do orgulho de ver a irmã mais nova ter sucesso onde ela falhou.

Só que a ciência não vai explicar como eu me sinto vendo o vento ou quando vejo uma injustiça, ou como eu olho o sol depois de um duro dia de trabalho, ou como amo minha companheira ou me relaciono com meu amigo cão. A fé explica, a seu jeito, talvez de forma tão confusa como é esse sentimento traduzido em línguas, mas explica e por vezes a explicação tem o nome de Logunedé

A ciência me ensinou a não temer o desconhecido, a fé me ensinou a não temer o conhecido.

No escuro a luz que acendo é a produzida pela ciência, a luz que acendo em mim para não temer o escuro é a luz produzida pela fé.

Ao fim e ao cabo não me iludo, tudo permanecerá do jeito que tem sido, trans correndo, trans formando, tempo e espaço navegando todos os sentidos.

E andar com fé eu vou.

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