Slaves_in_coffee_farm_by_marc_ferrez_1885

Ah, a velha mania que as pessoas têm de tratar história como corrida de cavalo!

Pior, dizer quem tem a razão e a certeza moral, quem veste o mato da verdadeira correção moral histórica!

Via de regra isso é condição de análise individual. Ou seja, indivíduos A ou B tem a obrigação moral de discernir entre o certo e o errado, mas estados, corporações e partidos não. O coletivo não é moral, é ético e a ética tem variação de juízo de valor.

Na História se analisa os processos e se coloca a posição individual do autor e do analista sobre eles, mas o estado, o coletivo, o povo o partido não são bons ou maus, são adotadores de posição determinada e sua responsabilização política, legal, etc, cabível.

O holocausto é imoral e aético? Claro, mas o estado Alemão foi imoral e aético sustentando-se no apoio coletivo que desmoralizou a questão e por isso também a banalidade do mal e sua sustentação? Não, o estado alemão e seus dirigentes conduziram um processo que determinou uma necessária posição contrária e punitiva à prática.

E foi só o estado alemão e seus dirigentes que produziram o processo? Também não. O mal se diluiu, tornou-se projeto de estado, tornou-se aético, amoral, deixou de estar presente no cotidiano da nação alemã, ou da maioria dela, que apoiou conscientemente um projeto de seu salvamento, dane-se se morriam outros em holocausto para que isso acontecesse.

E dane-se se depois outros cordeiros fossem oferecidos ao Deus da ilusão do fim do mal, dessa vez os oficiais e burocratas nazistas que ordenaram o genocídio de judeus, homossexuais e ciganos, entre outros, para que a grande nação alemã continuasse sua marcha de desenvolvimento econômico (Pavimentada de cadáveres) com pouquíssima catarse coletiva e reanálise coletiva sobre a participação da grande sociedade no holocausto judaico, cigano, etc.

Teve o Julgamento de Nuremberg, mas não uma baita comissão da verdade, nem uma chinfrin como a nossa, pra apontar quem foi quem na construção do nazifascismo.

Por isso inclusive que na década de 1970 os filhos da sociedade que sustentou o nazi-fascismo foram às ruas como Black Blocs ou como grupos de guerrilha marxista ou anarcos, etc, denunciando a hipocrisia alemã.

Aliás, isso ocorre hoje em Israel, que vai precisar da catarse coletiva um dia.

O Brasil vive hoje com Narlochs, Olavos, Constantinos, Mainardis pela direita, e outros tantos pela esquerda, um debate que perpassa a não reavaliação dos papéis individuais morais e pragmáticos coletivos nas diversas ditaduras e na escravidão. E a OAB fez gol de placa na exumação do cadáver mor do reino disso tudo: A escravidão.

A partir da escravidão, o ethos coletivo pragmático da exploração e submissão do outro gritou e deus as caras e depois reaparece nas ditaduras, nas marchas pela família, no ranço anacrônico e seboso dos que defendem um patriotismo chauvinista que esmaga vizinhos esbanja racismo, etc.

A escravidão naturalizou a marcha imperial contra o Paraguai como a marcha do bem contra o mal, e não do Império escravista e seus aliados geopolíticos contra a ameaça guarani que fincava um modelo um pouco diferente aos dos caudilhos e imperador.

E essa visão permanece porque a moral que exige pureza à mulher de César terceiriza os pruridos morais na hora de aderir ao anti-ethos coletivo que espanca pretinhos no Aterro do Flamengo.

O anti-ethos do canalha se torna a marcha pelos impeachments, contra as cotas, contra os médicos cubanos, porque no fundo esse é o ethos do senhor de escravo que vive na estrutura da sociedade brasileira.

Todos os que combatemos o racismo, o machismo e a misoginia no Brasil somos abolicionistas.

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