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A crise ecológica é normalmente posta em segundo pela pela esquerda. A direita não importa, pois é a causa da crise ecológica, mas a esquerda importa e muito, mesmo a pós-esquerda anarquista.

O processo de secundarização das lutas bate forte no peito da esquerda que considera tudo como menos importante do que o aspecto econômico.

No caso de segundo turno destas eleições 2014 o peso da campanha do pavor colocada em prática nos onze anos de governo petista atinge a todos que singelamente caem na esparrela do “temos de barrar a direita”. O problema é que sob o ponto de vista ambiental a direita são todos os que insistem na ideia de desenvolvimento econômico descolado do meio ambiente, da ideia de decrescimento econômico fundamental, da proteção aos biomas, às populações tradicionais, indígenas, etc.

Quando direitos humanos e meio ambiente são secundarizados pela política do medo quem perde são exatamente os tais quarenta milhões que saíram da miséria. São estes que saíram da miséria pra mira da polícia militar assassina que a política de segurança dos governos do PT e PSDB patrocinam; São estes pretos e pobres são as principais vítimas das mudanças climáticas e da crise ecológica; São as mulheres as principais atingidas pelas mudanças climáticas e pela negativa de direitos humanos que todos os governantes de PT e PSDB põe em prática; São os LGBT os massacrados pelas seguidas concessões à direita de PT e PSDB.

Então é no mínimo sintomático a suspensão da descrença quando ocorre segundo turno

Paranaense e Paulistas de esquerda arrotam que são atingidos pelos governos do PSDB, ignoram que outros tantos são atingidos pro governos do PT ou de aliados deste.

Na Bahia governos do PT atacaram sem-terra; No DF o governo do PT massacrou manifestantes e perseguiu anarquistas e autonomistas, os prendendo em casa; No RJ governo do grande aliado Cabral/Pezão do PMDB prendeu anarquistas e autonomistas e persegue Bakunin até hoje; Tarso Genro, do PT-RS, prendeu indígenas que foram para reunião sobre demarcação usando a PF do governo federal e do Ministro Cardozo, do PT-SP, como gendarmes da repressão, perseguiu manifestantes do PSOL, PSTU, anarquistas e autonomistas igualzinho Alckmin em SP. Tá bonita a “diferença” entre o PT e a direita?

Mas tá tudo bem, vamos de novo cometer o erro coletivo de votar no PT barrando o “mal maior”, não é? Somos todos militantes da esquerda ou da pós-esquerda antenados o suficiente pra ignorar todos os fatos que convergem para a ausência de diferença substancial entre os dois campos no plano da repressão, devastação ambiental, descaso com política de gênero, LGBT, fundiária, etc.

Pra que pensar nisso se nos apavorar coletivamente e ficar bem com o amiguinho antenado apavorado com os tucanos é mais socialmente aceitável?

Tudo isso tá disponível no Google, tá claro, tá gritante, tá eloquente, tá grifado com marca texto verde limão.

O que apavora é que até anarquistas caem nessa palhaçada.

Diante disso, o grau de responsabilidade coletiva deve ser apontado e colado na testa: Todos os que são cúmplices dessa falsa dicotomia são cúmplices da permanência da balela do “tiramos 40 milhões da miséria” pra pô-los controlados em territórios ocupados por uma polícia assassina ou removidos de suas casas pra obras de megaeventos ou tendo o bioma do qual tiram seu alimento cotidiano devastado e severamente prejudicado.

Vale lembrar que se a seca de SP é filha dileta da canalhice tucana, ela tem digitais da cumplicidade do governo Dilma com o avanço do desmatamento na Amazônia pela expansão da fronteira agrícola e do agronegócio da amiga Kátia Abreu.

A diferença entre eles é tão gritante que a Friboi, todas as empreiteiras e os principais bancos financiam igualmente a ambas as campanhas que chegaram ao segundo turno, além da terceira via Marinada.

Mas tá tudo bem, o importante é salvar o país dos tucanos, é atacar o mal para que o bem possa depois tranquilamente fazer o que o mal faria pra manter a governabilidade com um dos piores congressos desde 1964.

Tá tudo bem, vamos ter a velha e boa malta de desatenção aos fatores que construíram um quadro cada vez mais dantescos. Vamos reforçar a política do medo com nosso voto, não somos índios, achamos que meio ambiente é o cerrado devastado ou a Amazônia, tudo longe demais de nossas ruas e casas.

Até a próxima chuva torrencial matar centenas, até o próximo tufão tropical foder as filipinas, até o próximo pescador, quilombola ou cacique cair alvejado pelas balas de jagunços ou policiais federais.

Quando a gente secundariza lutas, dorme mais tranquilo e se omite com mais felicidade, é do jogo, eu só lamento.

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