Emma_Goldman_and_Alexander_Berkman

Essa é basicamente a transcrição de comentários em um tópico sobre anarquistas, política, Luciana Genro e eleições feitas em uma comunidade anarquista.

As chances de dar merda com o PSOL no poder são demais, enormes e próximas. Acho que na corrida eleitoral de 2016 já dá merda.

Há avanços do PSOL no tensionamento à esquerda do cenário político na mesma proporção que recuos. A burocratização não é pequena, o discurso mais radical agora só foi adotado pela perda de espaço em relação à Marina e ao Eduardo Jorge. Ao contrário de Plínio, se tentou dosar pra ser mais palatável ao eleitor médio, não dando, se foi pro caminho da crítica aberta.

Considero importante pra caramba existir essa demarcação, mas os limites dela são visíveis, ainda mais conhecendo a correlação de forças interna.

No cenário presidencial, por exemplo, Lucana Genro faz um bom trabalho e tensiona pela esquerda, mas no RS ela inclusive foi parte do discurso de criminalização de lutadores, mesmo tendo parte dos seus presos e criminalizados, diferenciando bons lutadores perseguidos de maus lutadores e criminalizando quem não fazia parte de sua tática.

Aliás, foi parte de quem disse que Black Blocs atrapalhavam as lutas e afastava pessoas das ruas, permitindo o eco á mídia que ocultava que o que afastava era a repressão policial. Também sei que houve um nítido afastamento do PSOL dos companheiros anarquistas no RS.

No RJ a principal figura pública foi aos jornais dizendo que o PSOL precisava isolar os Black Bloc, isso no momento em que o Santiago morreu e houve uma megaoperação midiática de criminalizar todos, do PSOL à FIP, e a Sininho entre outros era perseguida cotidianamente. Isso logo depois deu na prisão de uma pá de lutadores pela polícia e na perseguição à Bakunin (risos).

Nesse meio tempo o apoio e o combate à repressão foi feito pelo PSOL de forma enrustida, negando-se a concretamente apoiar lutadores barbaramente perseguidos de forma pública.

Como discordava politicamente deles, se fez um jogo obscuro de apoio, ajudando pela militância de alguns psolistas no DDH, etc sem se envolver e ser enfático publicamente contra a perseguição.

Fosse uma justificativa apenas política vá lá, mas parte do problema se deu porque FIP, anarquistas, etc, são oposição sindical no principal sindicato onde o PSOL atua no RJ.

Aliás, essa ai foi a gota d’água pra minha saída do partido.

Tem uma avaliação que acho ruim de parte do discurso anarquista que é a do “está do lado do povo” ou “não está do lado do povo”.

Basicamente considero que todo socialista está em maior ou menor grau do lado das lutas populares, a divergência é tática e estratégica, não é de cunho moral ou de lado. Nós ou quem quer que seja entre os socialistas, quando estivermos na luta estamos do lado das lutas populares.

Na luta anti opressão é mais fácil ver anarquistas do lado dos partidos da esquerda socialista do que longe deles.

Na luta sindical há oposição óbvia, contra o estado idem, mas não dá pra dizer que os socialistas hoje estejam do lado do capital e longe do povo no sentido de defendê-lo.

Outro elemento é o “estar do lado do povo”. Via de regra confundimos defender os interesses das classes oprimidas e pela libertação do homem com estar do lado do povo. Estamos do lado do povo? Não. Estamos do lado da defesa de seus interesses. Estaremos do lado do povo quando o povo nos reconhecer como parceiros.

Então hoje infelizmente quem tá do lado do povo e é reconhecido pelo povo como parceiro não somos nós nem o PSOL, nem o PSTU, nem o PCB, na leitura do povo quem tá do lado dele é o PT.

O povo tá errado? Bem, na minha opinião sim, mas enquanto eu não convencê-lo disso é muita arrogância dizer que estou do lado dele e ele nem me vendo. É tipo namoro na pré-adolescência, o cara arruma uma namorada que não sabe que é namorada dele.

Sobre a honestidade da Luciana Genro e dos companheiros do PSOL,  eu acho que tem muita gente honesta lá, no PSTU, no PCB, como em todo movimento e partido.

Não acho que por serem lutadores que optam pela institucionalidade são desonestos automaticamente, aliás, nem o sujeito que milita no PT é automaticamente desonesto. É bom lembrar que estamos falando de pessoas que acreditam em seu projeto e que estão nas ruas. Há petistas ainda que lutam nas periferias do país e não são cooptados. São minoria do partido, mas não do espectro de lutas.Fazem um serviço meio sacana de manter uma mística socialista num partido ultraburocratizado, mas tão ali fazendo a luta.

No PSOL idem, tem gente honesta, muito, PSTU também, podem vir a se tornarem desonestos ou defenderem processos calhordas ou serem o endosso moral a projetos calhordas? Com certeza. Aliás, acho provável, mas as pessoas em si não são desonestas, acreditam no que falam e no que fazem, não buscam enriquecimento, não buscam uma posição de se tornaram capitalistas. Acho que a crítica não deveria passar por ai, mas pelo programa, pelo método, pela tética e pela estratégia.

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