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Sempre fiz e discuti política com dois elementos bastante presentes: A paixão e o senso de responsabilidade.

A paixão conduzia as ações e os pensamentos com uma intensidade que me é comum em todos os campos da minha vida. O senso de responsabilidade entendia que a política é a ferramenta de transformação da minha vida, da vida coletiva. que cada ação tem um eco e esse eco contribui pra vitória e para a derrota das ideias e da transformação da vida das pessoas. Ou seja, cada passo, cada ato tem um ônus e um bônus.

A quem acha que a ideia de me assumir anarquista foi um processo súbito, Ledo Ivo engano. A concessão foi à vida partidária, e uma longa com concessão de mais de dez anos, o processo súbito foi em 1998 acordar e entender que não me organizando como anarquista, não atuando no cotidiano não vendo espaço pra isso estava abdicando de ser um ator no processo de transformação social. Em 1998 optei por militar em partido, entendendo ali que precisava me organizar para influenciar politicamente, assumindo o ônus e o bônus da escolha, entre eles a hierarquia e a disciplina partidária. Como bônus um espaço de influência, um aparelho de influência cotidiana, um espaço de aprendizado.

A conjuntura em 1998 era uma conjuntura de profundo refluxo e de duas porradas na cabeça da esquerda nas eleições de 1989 e 1994, além do anarquismo ter sido atingido por duas ditaduras e pelo avanço da esquerda partidária de tal forma que seu espaço de organização havia sido reduzido de forma enorme. Antes disso havia militado em um coletivo autônomo na universidade, que defendia a autogestão, que atuava estudando clássicos anarquistas, mas que durou poucos anos.

Ao optar pela vida partidária abdiquei de muita coisa e abdiquei de uma autonomia que a disciplina não permitia. Primeiro no PT e depois no PSOL atuei de independente a sendo parte de correntes políticas internas e a que mais permitia autonomia tinha o limite da organização coletiva, ou seja, não permitia pela responsabilidade envolvida em fazer parte de um grupo que estava em um partido a autonomia que coletivos anarquistas possuem.

Em resumo optar por uma organização partidária não foi um passeio no parque, teve sues ônus e bônus, idem a opção pela militância anarquista e sua diversidade e falta de centralidade, tudo precisa de adaptação e entendimento pontual das diferenças.

A questão é que em todos os momentos e decisões arquei com o papel que exercia, entendia o tamanho da responsabilidade e agia com isso. Política não era um espaço de socialização e de exercício de uma consciência política feita sob medida para exibição no Cowntry Club.

Isso não faz de mim herói ou diferente, mas explica a ideia da paixão e da responsabilidade, explica o porque a construção da consciência passa antes pelo entendimento do papel da política na vida das pessoas.

Endossar opiniões, opções de voto, omissões, tudo isso funciona como alimento do processo político não sai no xixi, não é uma festa.

Quando se omite conscientemente a opção por uma lógica política neoliberal, omissa na questão LGBT, etc, em nome do que quer que seja se faz uma opção direta que endossa práticas políticas de governos. Não tem mimimi depois.

Política não é chá das cinco. A cobrança de posturas é parte fundamental dela.

Da mesma forma que se cobra consciência política do pobre que troca voto por tijolo, é preciso que intelectuais professores e jornalistas que trocam seu voto pela simples recusa a qualquer opção anticapitalista de superação do petismo, sejam cobrados pela sua opção consciente pelo neoliberalismo.

O operário que troca seu voto por tijolo tem uma ação política construída dentro de um arco de relações sociais, de solidariedade comunal inclusive, que tem muito pouca opção de fé em sistema, de pensamento estratégico e age com as armas que tem. Desorganizado ele tem muito mais noção dos limites de sua ação política e do papel do voto que o intelectual que finge não ver abraços de candidatos a militares, agronegócio e pastores homofóbicos.

Então, antes de falar em patrulha é interessante quem toma posições políticas públicas que entenda seu papel dentro do arco de disputas políticas, sua influência, sua atuação dentro do arco de táticas de disputa e assuma sua responsabilidade ao cumpri-lo.

Ao optar pela luta cotidiana e não pelo eleitoral preciso de uma ação de conscientização muto mais feroz, preciso de uma ação de diálogo que aponte para a luta dos indígenas no Paraguai, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Peru ou em Belo Monte como uma luta integrada, como uma luta que opõe um conjunto de lutadores de anarquistas a socialistas partidários contra quem defende direta ou indiretamente o avanço do agronegócio e da mineração que a todos expõe e mata.

Ao optar pela organização descentralizada e pela campanha pelo voto nulo sei exatamente o que deixo de endossar, o porquê disso, o quanto opto conscientemente por não contribuir para a eleição de gente que é sim lutadora, o quanto influencio para ampliar a negação do sistema e especialmente o quanto isso prejudica quem se organiza em partido em posições minoritárias.

Quando opto por bater em Dilma e Marina e evitar bater diretamente nos partidos de esquerda não é simplesmente omissão. É tática. Não é ignorar o papel danoso que os partidos de esquerda assumem no endosso do sistema, é entender que esse papel ainda é um pape de confronto contra inimigos superiores. Esse papel não é por si só motivo para que abandone o que entendo ser fundamental, a negação do sistema, mas é um papel que precisa ser ao menos identificado como gradualmente menos píor que o das candidaturas majoritárias.

Bater em Dilma e Marina é bater nas principais candidaturas do capital hoje. Bater em Luciana, Iasi e Zé Maria é discutir o quanto contribuem para a permanência da disputa política nos moldes atuais ao cometerem inúmeros erros, deixarem de fora alguns elementos programáticos fundamentais, endossarem o sistema eleitoral e o estado, terem sido cúmplices em maior ou menor grau da criminalização dos ativistas não partidários, etc. Este bater tem de ter e vista diferenciar o locus onde atuam cada grupo. Algum deles é esperança? Não exatamente, mas Dilma e Marina são inimigas diretas.

A diferença entre eles é que socialistas partidários não estão no mesmo campo de defesa do estado que Dilma e Marina, atuam na luta anticapitalista, embora defendem o estado e isso deva ser combatido. Dima e marina são vieses diferentes do capitalismo e da gestão do estado, do apoio ao agronegócio.

Por isso é fundamental entender o tamanho de nossa responsabilidade e o quanto a política como espaço de socialização é FOTO-7_Inauguracao-do-Trapichao-Lamenha-Filho-Pele-e-Napoleao-Barbosa-1970um ataque à luta cotidiana. Tornar a política um teatro de discurso rebaixado, um desfile de bottons que pouco significam além da exibição de consciência política como se fosse resplendor de fantasia de carnaval, é lamentavelmente uma faceta da sociedade do espetáculo e um tiro na cabeça da responsabilidade política e da ação política. É a negação do assumir a responsabilidade da mensagem que se passa.

Ao assumir o papel de endosso do sistema que s opte ao menos pelo papel de transformá-lo e não o de manter a lógica de opressões e de exploração em voga nos governos que se sucedem. Que ao menos se sinalize uma ideia de transformação. Quando se opta apelas pelo assessório e pelo vislumbre da exposição da posição política chique da choperia oque se assume é que política pra quem faz isso é a supressão da responsabilidade coletiva, é apenas afirmação de uma individualidade vaidosa e arrogante.

Votar é abrir mão do poder pessoal em nome da representação deste poder por outro. Um outro que não só não tem nenhuma garantir de exercê-lo como quem votou deseja, como tem o aval de controlar o estado e o monopólio do uso da violência. E esta violência seja ativa ou passiva, afeta mais do que a individualidade. Assim como a gestão da economia.

Abrir mão do poder pessoal pra endossar recuo é uma irresponsabilidade gigante, ainda mais se a política é tratada como piada de salão.

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