Planeta-dos-Macacos-O-Despertar-poster-11dez2013-04

 

Algumas coisas são sintomáticas e a metodologia de debate político demarca e demarca muito. Após um texto de Luciana Genro sobre Marina choveram ataques que foram do texto ser “Linha auxiliar do petismo” até comparações com textos da Fernanda Torres que batem na Marina pela direita. Sobre os argumentos nenhum comentário, ou seja, não se contra-argumenta, se ataca o crítico.

Duas coisas sobre isso, até pela similaridade com os métodos petistas do lulismo dilmista:

1 – Basicamente toda critica à Marina é desqualificada sem nenhuma resposta? Tem precedente e é ruim.

2 – Ad hominem contra quem critica? Tem precedente e é ruim.

E de resto zero de menção à André Lara Rezende, ausência de política ambiental para além de carta de intenções, zero de menção sobre Friboi e ANJ, zero de menção sobre o peso do Itaú na campanha.

Se isso é alternativa à Dilma é em que? Acenos distantes sobre apoio à união homossexual que não é a defesa do casamento civil igualitário? Nenhuma palavra sobre a promessa de 2010 de pôr a legalização do aborto pra ser decidida em plebiscito? Menção à sustentabilidade sem dizer como? Programa neoliberal com Gianetti concordando em método com Armínio Fraga?

Não é alternativa não, amigo.

Que sustentabilidade estamos falando? É uma sustentabilidade que investirá em mudança radical de matriz energética com substituição dos combustíveis fósseis em um programa de 20 anos de substituição por matrizes limpas? É uma sustentabilidade que mudará os modais de transporte para modais sustentáveis como transporte sobre trilho e integração intermodal com bicicletas? É uma sustentabilidade que descentralizará a produção agrícola com investimento na agroecologia familiar, em reforma agrárias e reorganização da distribuição de alimentos país afora reduzindo as emissões de carbono de transporte? É uma sustentabilidade que reorganiza a produção industrial e investimentos para redução da obsolência programa? É uma sustentabilidade que INTERROMPE o programa nuclear brasileiro e desativa Angra 1, 2 e 3?

E sobre energia? Teremos a descentralização do sistema energético e seu gerenciamento com planejamento democrático das decisões sobre geração e consumo?

Que sustentabilidade é essa?

E vamos além, o que Marina, A “alternativa”, fará de diferente de Dilma no que tange á dívida pública? Terá auditoria? Terá revisão da relação com o sistema financeiro?

E sobre habitação, terá apoio à redução do deficit habitacional com programas de habitação feitos pelo estado em conjunto com a sociedade e com transparência e não pelo mercado, sendo um braço da reforma urbana necessária pra inclusive atacar as causas das mudanças climáticas? Grandes terrenos serão desapropriados para assentar famílias que sofrem para pagar aluguel, residem em situação de risco e/ou em locais atingidos pelo racismo ambiental e pela injustiça social?

E sobre economia, Marina defende decrescimento ou planejamento democrático da economia ou defenderá princípios liberais de gestão da economia, hipercentralizado e desregulamentado?

E sobre indígenas e quilombolas? Teremos uma política de demarcação agressiva e reconhecimento de etnias e remanescentes sem que o agronegócio seja consultado? E sobre pescadores artesanais, ribeirinhos, atingidos por barragens, teremos uma política de justiça ambiental que os contemple e resolva o enorme passivo socioambiental em torno destes grupos?

E sobre mulheres, teremos uma política de reconhecimento da necessária legalização do aborto, de cuidados de saúde? E sobre Trans*, que política teremos? E LGBT?

Todos estas perguntas são perguntas de quem contesta o governo Dilma e o PT, Aécio e o PSDB, mas vai além, contesta o sistema e trabalha com soluções discutidas na sociedade, na academia, nos movimentos para problemas concretos do cotidiano, da sociedade brasileira e mais, da própria manutenção da vida na Terra.

São perguntas que quem quer ser alternativa tem de responder, a não ser que a alternativa seja apenas retirar Dilma do poder, e ai não contem comigo e assumam a escolha de lado, que não é o de alternativa nenhuma, nem ao sistema, nem ao estado, nem nada.

Até lá o jogo do espantalho construído como método pelo neo-petismo ao ser reproduzido por quem apoia Marina diz muito sobre os objetivos desta militância, e acreditem, não é bonito.

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