sub-topo

“E é importante que nos conheçamos a fundo
E saibamos quanto nos necessitamos
Pois eis aqui o fim, o começo
A dor e a alegria, eis a noite, eis o dia”

O Mergulho – Gonzaguinha

Todo caminho acaba por chegar ao fim.

A lógica ideológica tende no entanto a atrasar o fim dos caminhos com obrigações mútuas de paciência e construção que nem sempre possuem a justeza e o amadurecimento necessário para realmente permanecerem como saldo mútuo, benefício mútuo, entre indivíduos e organizações.

Quando entramos em uma organização, em um partido, entramos também num processo de consciência e conscientização coletiva. Nenhuma vida em uma organização, partido ou corrente, é de saldo nulo ou nos torna insensíveis ao tempo vivido, por menor que seja, em seu interior.

Eu sempre mergulho, eu sempre mergulhei. Talvez por isso tenha batido algumas vezes com a cabeça ou fui longe demais. Mergulho e mergulhei, mergulharei, pois é meu o salto, o risco, o nado, e saber que “o suor que escorre, não seca, não morre e não pode e nem deve nunca ser em vão”.

Como historiador sempre tive o prazer de buscar o cotidiano e lê-lo, lê-lo em detalhes, nas linhas, nas entrelinhas, lê-los nos gestos, nas ações e nas omissões. Lê-lo tentando entender suas conexões entre passado, presente e futuro e sabendo que ao ler o cotidiano das coisas onde estava mergulhado saberia que o suor nesta luta “São memórias de doce e de sal, nosso bem, nosso mal. Gotas de recordação”.

Só que é importante que todo mergulho tenha a compreensão do quanto é preciso continuar nadando ou parar. É preciso para que cada militante, cada lutador tenha em mente o que vê como presente, passado e futuro. É preciso que cada militante e cada organização tenha em mente que “ é importante que nos conheçamos a fundo, saibamos quanto nos necessitamos”.

A luta cotidiana exige isso, exige que saibamos o quanto é fundamental estarmos ou não mergulhados no mar que partidos e organizações apresentam a nós. O quanto somos fundamentais para remarmos juntos no mar da revolução.

Como dizia Plínio: “Nós que amamos a revolução, nós não amamos a vida mansa”.

E é por ai, tudo o que eu amo é a vida que precisa ser dita, redita, didaticamente construída para além dos muros da conveniência.

E o mundo grita e urge dizer: Ecossocialismo ou Barbárie!

E eu amo demais a revolução e este planeta, a vida nele, o ecossocialismo, pra morrer no mar sem sair da caverna do medo.

É preciso estar atento e forte, não dá mais tempo de temer a morte! Ela chegará, mais cedo ou mais tarde, mesmo com “O Globo” negando, mesmo com “O Globo” tentando nos calar, mesmo com “O Globo” pautando nossas vozes que optam pelo silêncio diante do carrasco que rompe o pescoço alheio.

Nós que amamos a revolução, nós não amamos a vida mansa, menos ainda o silêncio diante do cadafalso. Quem está no cadafalso? A democracia, o planeta, as diferentes orientações sexuais, as diversas identidades de gênero. Não dá pra escolher que luta lutaremos.

Nós que amamos a revolução, nós não amamos a vida mansa. E é preciso que não amemos também as convenientes relações perigosas que a institucionalidade nos aponta. Saber o limite da institucionalidade é fundamental. E também é fundamental saber o limite da tribuna, o papel da tribuna, a fundamentalidade de ser um tribuno do povo, uma voz dos que não a tem.

É preciso que não deixemos que a voz do dono seja dona da voz.

E é por isso que em nome da voz, da minha, da sua, da que grita “Ecossocialismo ou Barbárie!” eu me solto mergulho afora pra lambuzar-me de mar.

Nós que amamos a revolução, nós não amamos a vida mansa, e talvez nada mais duro do que seguir, dez anos depois, meus próprios passos.

Ainda lendo Foster, ainda lendo Lowy, ainda lendo Trotsky, ainda lendo Tanuro, ainda abraçado na Quarta internacional, mas mais solto.

Porque nós que amamos a revolução, nós não amamos a vida mansa, mas também sabemos que “é importante que nós saibamos que a vida está mais que nunca em nossas mãos”.

E para que essa vida em nossas mãos não seja extinta “devemos despir o que seja vaidade, o que seja orgulho” para que nós que amamos a revolução não tenhamos de enterrá-la junto com a terra.

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