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Não, o Hamas não é santo, mas não é justificativa para o que faz o estado de Israel. E nenhuma agressão com  uma determinada magnitude de impacto extremamente baixo e fruto de ações desesperadas de grupos ou indivíduos (mesmo que orquestradas)  pode ser  respondida por um Estado Nacional com magnitude três mil vezes maior. E sendo respondida por um estado não pode ter qualquer argumento razoável defendendo do tipo “eles nos atacam primeiro”.

Enquanto a solução for militar pelo estado de Israel ele deve ser condenado com imensa ênfase.

Agora uma coisa é condenar o estado de Israel, outra é fingir que o Hamas é herói e outríssima coisa é estender a condenação ao povo judeu ou aos israelense. É como estender a culpa pelo genocídio indígena ao quilombola ameaçado pro ele ser brasileiro e o índio não ou o boliviano ou o paraguaio não.

O estado é o culpado e quem o sustenta idem, quem o apoia idem. É bom, sensato, diferenciar quem apoia o estado de Israel nas ações para condená-los.

Ah, tem outra coisa: Apoiar a existência do estado de Israel não significa apoiar o que este estado com Benjamin Netanyahu no comando, ou outro da mesma estirpe, faz.

Eu apoio, hoje, a existência do estado Brasileiro, mas condeno o genocídio indígena praticado por este estado há séculos, condeno o racismo deste estado, condeno a misoginia e a homofobia deste estado.

É preciso que tenhamos a responsabilidade política no trato dos debates e das causas, é preciso que não utilizemos causas e bandeiras como ferramentas para satisfação egóica intelectual, narcisista mesmo, de nossa necessidade de aprovação coletiva, ideológica, cultural e intelectual.

A média dos debates é menos de profunda indignação e mais de resposta adaptada, decorada, calcada menos na necessidade de atacar o inimigo, o capitalismo, os estados nacionais, a opressão da elite reacionária israelense e mais no foco no achaque ao inimigo próximo pra realização das mais reles vitórias e conquistas, a conquistas dos espólios da mediocridade intelectual e política: Vencer um espantalho imaginário próximo pra tornar-se campeão de palestinos mortos que não pediram nenhum campeão.

A questão palestina é um dos nichos onde residem  os maiores preconceitos, achismos, reducionismos e jargões retóricos da esquerda brasileira, quiça mundial, e é lá onde está nítida a ausência de formação intelectual política e até de interpretação de texto desta mesma esquerda.

É ai (como na questão do imperialismo ou no debate sobre relação entre revolução e institucionalidade) que surgem os mais batidos e surrados ad hominem, os mais reles e restritos jargões irrefletidos, a tolice média do militante cotidiano, a ausência de qualquer leitura, desde obras marxistas até míseros textos em site.

Não se lê, não se pensa, não se lê nem dois parágrafos em postagens e ai se vomita um bando de imbecilidade, se confunde pergunta com afirmação e se destrói todo debate.

Por isso quem em um debate diz “Calma, que a questão palestina é mais profunda que transformar o Hamas em herói e o estado israelense em vilão” torna-se num piscar de olhos um “sionista safado” e via de regra se disser também “Mas é inaceitável o que faz o estado de Israel” torna-se antissemita medonho.

Sabe quem é a primeira vítima desse tipo de lógica de debate? A verdade, essa entidade que qual Deus e Papai Noel vive sob a controvérsia de sua existência.

E no fim e ao cabo jamais se entende que sim é possível ser solidário ao Povo Palestino, anti-Hamas, contra o genocídio e a violência pratica da pelo estado de Israel sob Netanyahu, defensor de dois estados com as fronteiras de 1948  ou de um estado binacional que passe por justiça de transição, comunista e ainda ser um sujeito bacana e razoável pra tomar cerveja sem precisar confundir o que faz Netanyahu com o que aquele seu amigo judeu e pró-existência de Israel é e pensa.

Eu sou pró-existência de Israel hoje, ainda não sei exatamente o que pensar se o ideal é a existência de Israel e Palestina com as fronteiras de 1948 ou um estado binacional que passe por justiça de transição e acomode as duas etnias e povos em paz e por óbvio condeno com veemência o que faz Netanyahu. É possível passar ao largo de reducionismos me chamando de pró massacre porque  entendo que existem israelenses contra Netanyahu e socialistas que combatem também o Hamas, mas não o povo palestino?

Se for possível eu agradeço.

Porque é óbvio que Israel tem gente demais pra incluir todos na direita reacionária e dividir a questão um binarismo tosco e absurdo. Todo Palestino é pró Hamas? Deveria ser? Acho que não.

É mole ser radical com a bunda alheia.

Enquanto o “radical” Hamas “radicaliza” contra Bibi Netanyahu, e o ajuda a “ter motivos” pra jogar bombas em gaza, num movimento de fomento mútuo ao não-diálogo que mantém os dois grupos reacionários no poder, e a população de Gaza e Israel sob o domínio do medo, quem se fode são as criancinhas e mulheres que tomam bomba na cabeça municiando seu perfil do Facebook de fotos grotescas pra você exercitar seu “apoio crítico” cidadão na timeline.

Sim, o reducionismo das fotos cotidianos e do binarismo é primo distante do bombardeio mútuo entre Hamas e Netanyahu, e sim você com o binarismo é parte do problema e não da solução.

É possível avançar, mas pensando e não copiando e colando discurso pronto que nem lê o que o outro debate.

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