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 Sou pouco pro mundo, sou só um. Sou pouco e falho, como outros. Nesta unidade falha dos coletivos, as dificuldades muitas de deslocamento, de tempo e de grana não me tornam o mais eficiente dos lutadores. Tenho o texto, o pensar e não muito mais que isso. Há coisas que me impedem de ser mais rua, por isso sou mais rede.

Escrevo isso pela junção do sentimento de impotência com a imensa indignação com que vejo o uso do futebol como álibi para por em movimento a máquina de repressão de um governo que coroa a gigantesca traição de um partido de esquerda à base que o construiu, às ideias que representou e ao futuro da classe trabalhadora como protagonista de uma ação transformadora no país e no mundo.

Hoje o PT é mais que um da ordem, é um partido que trocou a liderança da classe trabalhadora para artífice de uma conciliação de classes que quando ameaçada trata esta mesma classe trabalhadora na porrada.

Todo diferencial entre PT e PSDB se dilui quando ambos são títeres de interesses que quando ameaçados deslocam toda sua máquina repressiva na direção de uma classe em movimento, na repressão, na remoção dos mais pobres de suas casas, no esquartejamento de direitos humanos e sociais, reprodutivos, de orientação sexual,etc.

O PT hoje é, tanto quanto seus principais rivais tucanos, um partido de uma ordem repressiva, um partido da retirada de direitos do desmoronamento dos direitos trabalhistas, humanos, etc. E não se salva nenhum de seus oponentes, como o PSB de Eduardo Campos que neste mesmo dia removeu com violência o Ocupe Estelita, exceto os opositores da esquerda radical que lutam com dificuldade para estabelecer uma cunha no avanço de uma institucionalidade extremamente cruel e alimentadora da desigualdade e da gentrificação.

Esta esquerda radical não á toa é reprimida com muita violência estando toda ela na rua combatendo a gentrificação e demarcando a existência de uma copa do mundo enfeitada pelos governos e outra estabelecida com a marca da violenta repressão. Além disso, somos nós que gritamos a denúncia do violento deslocamento populacional dos mais pobres promovido pelos gerentes estatais que aproveitam os megaeventos para estabelecer um projeto de cidade absolutamente negador da cidadania, promotor do mercado ao invés da igualdade social e econômica.

É neste ponto que a indignação contra os xingamento dirigidos à presidenta da república tenham ganho um espaço tristemente maior que que a extrema indignidade c que esta mesma presidente, junto com os governadores, tratam quem exerce o direito constitucional ao dissenso.

Acreditem, mas prevaricar com a guarda dos direitos constitucionais de livre manifestação é muito mais grave que uma presidente ser mandada pra aquele lugar ou tomar no orifício que não quer tomar.

Neste meio tempo mulheres, jovens e negros são violentados, torturados apanham, recebem gás de pimenta, veem quem deveria guardar direitos usurpá-los. Jornalistas são presos, estudantes são torturados, manifestantes são perseguidos e indiciados em inquéritos onde são perguntados se são comunistas, onde são apreendidos livros marxistas ou “rebeldes”, conduzidos de forma tão similar à ditadura militar que a presidenta se orgulha tanto de ter combatido que nos fazem questionar se ao combater a ditadura, a presidenta não tenha inadvertidamente invejado seus métodos e a ausência de democracia que permitiram-na, a ditadura, agir “mudando o país” enquanto pavimentava um desenvolvimentismo por sobre sangue da população.

Seria uma espécie de síndrome de Estocolmo?

Estes questionamentos são fruto de indignação, impotência e da necessidade de estabelecer o parâmetro lógico que nos constrói como lutadores. É preciso ter em mente que projeto temos para o mundo e como ele se reflete em nossos apoios cotidianos.

Não dá, repito, pra esquecermos que na política do medo que muitos abraçam se encontra o álibi pra repressão dura, violenta, cruel e vil que os defensores do medo da direita praticam na construção de seu desenvolvimentismo ufanista, ruralista, homofóbico, misógino e genocida de indígenas.

Não dá pra termos medo de uma direita neoliberal alimentando uma nova direita burocrática, antipopular e regressista.

Precisamos sim superar o medo e avançar por sobre as barricadas dos traidores contra toda a direita, a nova e a velha, fortalecendo as ruas, as redes, as consciências, não tergiversando sobre quem é o inimigo.

Precisamos abraçar as ruas e e as redes, avançando contra toda hipocrisia que pede solidariedade a xingamentos enquanto surra estudantes e implode manifestações.

Não há solidariedade possível com quem move contra nós as mesmas forças do estado que os torturaram nos anos 1970.

*Este texto é em solidariedade a todos os lutadores que apanham nas rua,s são presos são indiciados e cruelmente vilipendiados em seus direitos mais básicos.

** Quem mal esconde que apoia Dilma eu lamento profundamente, mas você está escolhendo um lado que bate em seus amigos nas ruas.

 

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