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Vivemos nos marcos da imortalidade.

A imortalidade beijada pela ânsia de infinitude, pela lógica de domínio por sobre o destino, os ventos, sobre o progresso técnico, sobre o avanço inexorável da humanidade rumo às estrelas.

E perdemos o lugar das coisas, a mortalidade necessária á compreensão do todo como uma rede onde vivemos sendo parte e não todo, nó e não trono.

Em busca de nossa imortalidade buscamos qual cavalos em uma corrida cíclica, digna de tragédias gregas, alcançar uma meta, correndo atrás de uma cenoura imaginária, buscando o laurel que nos livre da mortalha, dando a nós o primeiro posto no pódio da humanidade.

Competimos, é isso, competimos em todos os planos de relação, em todos os espectros políticos, competimos e nem mais sabemos por quê. Queremos ser líderes, donos, reis, queremos seguir na busca da imortalidade cíclica da linha de chegada. Para chegar lá abandonamos biografias, sonhos, entendimentos, sensibilidades, afetos, dignidade, tudo, em nome da busca inexorável do dizer “Eu venci!”.

Tentamos nos equiparar a César em De Belo Gallico, em formas menores, perseguimos, nos matamos cotidianamente para sermos os primeiros, os funcionários do mês, o país mais rico, o grupo político hegemônico.

E desmorremos ao seguir adiante numa busca frenética por menos do que ser.

Na sanha da imortalidade desejamos menos sermos e mais parecermos estátuas íngremes por sobre as quais cagarão os pombos. E largamos pra lá nossa construção pessoal, política e social, a necessária solidariedade geracional, a necessária formação de solidariedade social e política para construirmos o mundo melhor com que sonhamos antes de nos tornarmos estes cínicos imbecilizados em busca da medalha de honra ao mérito.

Desaprendemos a morrer, e no fim do nos desentendermos com o fim, nos prendemos ao meio para que justifiquemos o que nem mais sabemos o que é.

Ao esquecer como morrer, esquecemos como viver e como a longo prazo estaremos todos mortos, ignoramos que até lá viverão outros e como esquecemos que morreremos e que vivemos, esquecemos que eles viverão e mal.

Quando eu morrer, me enterrem na lapinha.

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Um comentário sobre “É preciso saber morrer.

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