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Bem, o cerne da questão é que a relação entre decrescimento ou “não crescimento” com o “desenvolvimento” da economia, ou seja, com o status que a economia de um país tem, se “desenvolvido” ou “em desenvolvimento”, é colocado pelo Tanuro, Lowy,etc como um erro, um equivoco, e exatamente porque o problema é que a relação entre crescimento econômico e desenvolvimento social não é intrínseca, como mais que provado e o planeta não vai aguentar que todas as economias cresçam sob o paradigma do capital até estarem no nível considerado bom para decrescerem.

E este é o cerne da questão, porque o problema do desenvolvimento social não é decrescimento da economia, mas de sua distribuição.

O problema da distribuição da produção e dos recursos é parte fulcral do problema do capitalismo, do que o capital é, e o quanto atinge o meio ambiente e a relação metabólica entre homem e natureza.

Produzimos o suficiente para alimentar, ter banda larga, ter energia elétrica, água, roupa, tudo para todo mundo, o problema é que a produção é imensa, mas sua absorção é desigual.

Não podemos ignorar a obsolência programada que é alimentada pelo consumismo, ou seja, para alimentar um mercado ávido por novidades criamos produtos que tem data marcada para não serem mais funcionais, com um custo de produção enorme, irracional, e tudo isso para gerar mais lucros e engordar a conta bancária dos proprietários dos meios de produção.

Não, não temos superprodução para atender a demanda concreta de uso de produtos, de comida, de bebida, de moradia, de roupa, de saúde, produzimos para atender mercados consumidores e não necessidades dos cidadãos, das pessoas que vivem no planeta que se exaure.

Ou seja, o problema do decrescimento não é apenas algo que só é voltado para as “economias desenvolvidas”, ele é fundamental em toda economia capitalista e para a vida na terra, ou seja, não é mais uma demanda desigual e combinada, é uma demanda universal.

Óbvio que pra isso é preciso reorganizar a economia e a política, e isso não se dá sem a superação do capitalismo.

O desenvolvimento não pode existir com um crescimento econômico cujo cálculo invariavelmente trabalha com a infinitude de recursos. E não pode considerar que de um lado do planeta dá pra decrescer e de outro não porque o problema do decrescimento não é uma proposta local, ela é universal, porque o problema não é da Uganda ou da Grã Bretanha, nem só humano, é da vida na terra a médio/longo prazo.

No ritmo atual de crescimento constante da economia capitalista, a perda de espécies, agravamento da questão climática com ampliação dos eventos extremos climáticos, que atingem primariamente os mais pobres, secas, problemas na distribuição de água e alimentos, só aumenta.

Decrescer não pode ser visto como apenas um delírio de países centrais em prol de prejudicar o desenvolvimento dos países mais pobres. E não podemos ter uma espécie de etapismo que considera que precisamos chegar num estágio que os EUA chegaram, por exemplo, para poder dali recuar, o mundo não dá mais conta.

E é nesta hora que temos de problematizar o que é decrescimento e o que é desenvolvimento. Desenvolvimento é crescer a economia como se fosse possível um crescimento infindável, algo matemática, biologicamente e fisicamente impossível? Não, desenvolvimento é utilizar nossa capacidade de produção, nossa capacidade técnica para construir cidades, sociedades, vidas melhores e mais racionais, que trabalhem com os recursos contemplando sua finitude e também o fato inexorável que os recursos, pessoas inclusive, não tem valor econômico-financeiro, tem particularidades, valores culturais, elementos sensíveis que não são calculáveis no plano econômico.

Desenvolvimento é também entender que a terra não é só onde se planta para gerar produtos que serão vendidos no mercado, que a relação do homem e de um povo com a terra é mais que uma relação puramente econômica. Assim como com o trabalho, com a água, com o ar.

Desenvolvimento é utilizar os recursos econômicos com o filtro da cultura para que todos sejam beneficiados de forma idêntica e que os recursos respeitem a relação metabólica entre homem e natureza, sem esgotarem-se, sem irem além de sua capacidade de regeneração.

O limite da economia é o limite dos recursos e com isso da vida. É preciso respeitá-los.

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