gritoAcabei de ler a entrevista do Marcelo Freixo onde ele afirma que o PSOL tem de isolar os Black Blocs e lamento, lamento muito o que li.

Lamento porque há um componente grave politicamente na entrevista como um todo e ele pode ser sintetizado numa frase: “O PSOL precisa isolar os Black Blocs”.

Reproduzo comentário que escrevi sobre a matéria abaixo e que contempla o lamento e o quanto a esquerda erra quando fica atônita.

Achei a entrevista muito, mas muito ruim, muito personalista, muito redutora, e lamento mesmo que exista agora uma régua sobre correntes e partidos que condenaram com o PSTU e as que não condenaram junto com o PSTU os Black Bloc.

O PSOL não tem posição sobre os Black Bloc por um fator muito similar ao que a maioria das correntes não tem posição sobre os Black Bloc e as que tem em sua maioria são ruins, redutoras e rasas, assim como a fala do Freixo: Ausência de debate e ação reativa para construir posições.

Em resumo: Correntes e partidos foram atropelados pela conjuntura e ao invés de serem prudentes no que deviam ser prudentes optaram pela resposta rápida ou pelo parar atônito diante de um choque.

PSTU e outros tomaram a posição baseado num acúmulo retrógrado sobre fenômenos novos e complexos, e permanecem tomando.

Freixo está certo quando diz que não é quebrando bancos que se destrói o capitalismo, mas se esquece que também não é se domesticando.

Há uma diferença abissal entre condenar a violência, centrando fogo na causa, a violência policial, e lamentando divergências táticas que podem ter retroalimentado o fluxo de violência e dizer que o PSOL tem de isolar os Black blocs.

E é isso que a entrevista diz, o PSOL tem de isolar os Black Blocs. Tem? E a parte de dialogar, de construir uma ponte que reduza as diferenças, que mude as táticas até o limite do possível antes do isolamento? Foda-se? Então a gente isola nego combativo e abraça o Lindbergh? E pior, em um posicionamento público da maior figura pública quase que impondo um ultimato de fora pra dentro se utilizando da pressão externa para obter da executiva um posicionamento que joga a juventude e a militância de rua no fogo do front do diálogo entre frentes diferentes de atuação?

Freixo foi irresponsável, personalista e lamentavelmente ignorou algo que o Viveiros de Castro foi fulcral ao mencionar: Há valores maiores que o cálculo eleitoral.

Vamos mesmo abandonar a Sininho, seja ela imbecil ou não, e outros lutadores ao deus-dará diante do massacre da mídia? Já fizemos isso no ato onde sequer tivemos a decência educada de conversar com a FIP (Estávamos um andar acima) e convidá-los mesmo que tardiamente para um evento que poderia nos dar inclusive um tom magnânimo, onde poderíamos dar voz á Sininho para uma defesa dela diante do massacre midiático, mas optamos por isolá-los, pior, afirmamos dias depois, dois dias, que a tática era essa mesma?

E nossos militantes que foram conversar com eles no boteco para literalmente diminuir distâncias, fodam-se?

Não temos acúmulo sobre o Black Bloc, não queremos ter acúmulo sobre os Black Bloc, não temos acúmulo sobre violência nas manifestações ou consensos diante da ótima posição do Renato Cinco, de que o ideal é recuar e reagrupar, e pior, partimos para um ultimato velado onde temos de isolar os Black bloc? E mesmo que optemos enquanto partido oficialmente e pós-debate pela tática colocada pelo Cinco, algo que sou a favor, é fundamental isolar os Black bloc, numa tática de jogar às feras os malditos?

Péssimo, péssimo. Talvez pra quem debata na executiva e tenha uma ampla interlocução com ela e seus membros, com os mandatos seja fácil entender isso, e não culpo, mas pra quem tá na base e com as dificuldades médias de entender como uma posição é imposta veladamente de fora pra dentro fica difícil aceitar que mudamos o partido, mas não mudamos o partido.

Teremos uma figura pública usando o adjetivo que a coloca acima do partido, fundamentalmente ouvido e entreouvido entre as estrelas e acadêmico a que o apoiam, a vera? Lamento e muito.

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