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Eu queria escrever uma bela análise técnica e teórica sobre como a mídia, a direita, a neo-direita governista e toda a malta que provoca o pior dos sentimentos em quem tem um mínimo de cor humanista no sangue.

Queria também ter a serenidade para tratar de questões políticas graves com a frieza necessária, com a postura fleumática que acompanha algumas lideranças políticas.

Porém não sou o mais fleumático e calmo dos humanos e por vezes a frieza necessária inexiste ou é substituída por uma resignação triste, por vezes irascível.

Entrei pro PSOL ciente dos problemas que a esquerda carrega consigo, dos problemas da forma partido e sigo entendendo-os, achando-os graves e enfrentando-os.

Entrei no Enlace por acreditar que os ventos da quarta internacional e do ecossocialismo embutido em sua política eram e são fundamentais para a reconstrução da esquerda brasileira a partir do cenário de terra arrasada que os governos Lula e Dilma deixaram nos anteriormente férteis campos da esquerda socialista.

Segui e sigo com a Insurgência, que é resultado da fusão da corrente Enlace com a o CSOL e outros coletivos que são parte do PSOL, entendendo a centralidade do processo de fusão em um quadro de fragmentação grave da esquerda socialista e a também centralidade da manutenção do legado do antigo Enlace em conjunção com o legado das demais organizações para que fosse construída uma ferramenta de semeadura do novo que brotava, e brota, das ruas no fim dos anos 2000.

Entender a centralidade do PSOL foi o combustível para manter-me como militante em suas fileiras. Entender a centralidade da Insurgência foi e é o combustível de uma militância que com todas as dificuldades entende que ali repousa a melhor ferramenta para que o ecossocialismo floresça como deve em um cenário de crise ambiental grave ancorada numa crise climática que só começa a mostrar seus efeitos danosos na vida cotidiana do planeta e das populações, especialmente as mais pobres.

E diante de tudo isso temos o covarde ataque das forças conservadores cuja vanguarda reside nos aparatos midiáticos corporativos que com TVs, jornais e rádios promove um jornalismo de campanha cujo objetivo é calar toda resistência a um projeto de país movido à aceleração da exclusão em prol de um avanço do capital rumo ao abismo onde se ocultam os cadáveres de ditaduras e dos genocídios étnicos promovidos na sanha de alimentar a fome do mercado imobiliário, do agronegócio e da implantação dos projetos do IIRSA (integração inter-regional sul americana).

Quando estes ataques iniciaram, as divergências entre as diversas forças internas e externas ao PSOL a meu ver se tornaram nulas. Não porque superáveis por decreto, mas porque a unidade diante do inimigo poderoso não precisa ser confundida com a adoção de uma unidade mítica ou idílica, mas sendo posta e prática com o respeito à elas sem condescendência, respeito pelas características das diversas tradições que compõe a esquerda socialista anarquista, autonomista,etc.

Muitos não enxergam isso e entendem que unidade tem de ser supressão. A tristeza resignada vem por este aspecto daninho das lutas cotidianas.

Porém é fundamental ignorar a ausência da grandeza necessária de muitos e continuar a defesa resignada de companheiros de todas as correntes, legendas e grupamentos que compõe a resistência do que entendo ser a esquerda socialista que contempla também os companheiros anarquistas e autonomistas,

É fundamental! Porque não se semeia um campo com cadáveres. Salvar uns e deixar para lá outros não traz apenas bad carma, traz sim o peso da ausência do exercício de nosso mandato histórico, tema repetido aqui muitas vezes, que é o da reconstrução sólida da dimensão da utopia solapada pelo pragmatismo, irmão siamês da sanha pela gerência do estado, que no fundo é o da sanha da gerência do capital e da ocupação dos escritórios que compõe seu aparato burocrático.

Entendendo esta fundamentalidade o passo seguinte é ir além dos objetivos “técnicos” e políticos que traduzem uma grandeza tática e estratégica e explicitar o simplório exercício humano de ter um mínimo de empatia pelo outro.

Somos, ao fim e ao cabo, vítimas coletivas do avanço conservador, que mais cedo ou mais tarde viria em nosso encalço após ousarmos resistir a seus encantos traduzidos em cargos, mandatos, secretarias e vistos com a miopia teórica e humana que caracteriza em quem só vê vitória a partir de contagem de votos.

Somos, todos, vítimas de um ataque engendrado por quem não admite ser confrontado. E é por isso que temos de ser companheiros.

Conheci a luta socialista em 1989, aos quinze anos, fazendo campanha para o então socialista Luiz Ignácio Lula da Silva. Conheci o Renato Cinco aos dezesseis anos no colégio Pedro II, cuja taboada ainda soa para mim um canto de identidade. Conheci Marcelo Freixo em 2006, o Revolutas do irmão Sérgio Domingues em 2005, o Enlace em 2010, a Insurgência ajudei e ajudo a construir de 2013 para cá.

No meio deste caminho tracei tortuosas e bacanas caminhadas com anarquistas e autonomistas, que por mais que considere aqui ou ali um tanto equivocados (o que deve também ser uma análise destes sobre nós, socialistas em um partido político), jamais pude ou poderei deixar de entender e admirar a sinceridade estoica de construir seu caminho político-ideológico. Idem na maioria da esquerda partidária. Por mais que lamentemos os equívocos e as divergências, não dá pra simplesmente considerar que são todos calhordas movidos pela ânsia de conquista do aparato.

E embora não possamos ignorar a existência sim de calhordas ansiosos pelo aparato, não podemos ignorar mais ainda que um partido carrega consigo muito mais que os votos que coleta ou que as figuras públicas que constrói.

É neste momento que temos de ver que a esquerda, seus partidos, organizações e militantes são um símbolo que é como que um tijolo que ajuda a fundamentar a reconstrução da dimensão da utopia.

Então na defesa desta esquerda é preciso ir além, muito além, da nossa mesquinhez cotidiana, de nossos amores pessoais, de nossos laços de profundo respeito e amizade, de nossos ódios ou de nossa arrogância teórica.

É neste hora que precisamos assumir a dimensão da utopia e com garra e sonho ir além de sentarmos nos nossos claudicantes ódios pessoais destilando venenos em murais púbicos.

É preciso desarmarmos nossos autoritarismos e sectarismos, partindo para a necessária tarefa de construção de um legado, um legado que vai além da própria esquerda e de nossa geração e que s e traduz na superação das opressões e na luta pela democracia.

E é por isso que temos de defender Freixo, Cinco, Sininho, o PSOL, a Insurgência, a FIP, a FARJ e todas as força que compõe o campo da resistência.

Não, não morreremos educadamente e não, não nos renderemos, mesmo sob ataque interno e externo.

É preciso que sejamos maiores, a democracia brasileira depende disso.

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