Marcelo Freixo votando 001

Em momentos como o destes dias em que a Rede Globo usa todo o seu brutal aparato para manejar o assassinato de reputação de Marcelo Freixo e a criminalização torta e abjeta das manifestações, o peso do mandato histórico de nossa geração se torna cada vez mais latente.

Chegamos ao período dramático onde a maior rede midiática do país centra seus esforços na aniquilação de toda oposição pela esquerda através da criminalização das manifestações e dos partidos políticos, sindicatos e organizações de esquerda e busca neste mesmo esforço atingir uma das principais lideranças, senão a principal, da esquerda partidária, Marcelo Freixo, e não mais opta pelo ataque ao Governo do antes inimigo PT.

Não só as Organizações Globo, mas as principais redes de TV do país utilizam da morte do cinegrafista Santiago para atingir a oposição de esquerda ao sistema que está nas ruas e parlamentos, utilizando-se de frouxos argumentos quase cinematográficos lançados irresponsavelmente pelo advogado de um dos indiciados pela morte do jornalista, o Senhor Jonas Tadeu, onde inclusive o velho e requentado argumento do financiamento de manifestantes por organizações é jogado ao vento, com requintes dramáticos de tragicomédia das “Kombis que fornecem fogos de artifício”, é tido como fato por uma imprensa que se diz produtora de Jornalismo.

E muitos aplaudem e muitos comemoram.

Em momentos como este os laços que nos ligam a nossos companheiros como Marcelo Freixo se tornam mais fortes. E estes laços são ornados com o orgulho de quem ladeou e ladeia a ele e a muitos outros na construção de uma luta em defesa dos direitos humanos, em defesa da democracia, do socialismo e antes de mais nada, da leal e republicana batalha pela ampliação da dimensão da utopia.

Em momentos onde a racionalidade de muitos é mandada às favas, como os escrúpulos da consciência, por mero interesse político-partidário de quem já foi de esquerda e hoje habita as lúbricas cavernas onde Felicianos e Bolsonaros são frequentadores habituais, é que nos orgulhamos de estarmos do lado de quem enfrentou e enfrenta de peito, queixo e alma aberta milícias, mídia corporativa, Cabrais, Garotinhos, Lulas e Dilmas.

Ao estar do lado de Marcelo Freixo nos sentimos vencedores mesmo por vezes não vencendo eleições, como em 2012.

Estar do lado dos vencedores ali ou hoje, seria a contramão de um velho lema do antropólogo Darcy Ribeiro que dizia que “Sou um fracassado; queria alfabetizar as crianças brasileiras, fracassei; queria que o Brasil se desenvolvesse à nossa maneira, fracassei também; em tudo o que tentei, fracassei… mas não gostaria de estar no lugar dos meus vencedores.”.

Vencedores de certos tipos de batalha carregam consigo a maldição de Pirro.

A verdadeira batalha no entanto está num cotidiano que só quem não se rende consegue entender.

A verdadeira batalha está no cotidiano de quem sabe que não morreremos educadamente e esta batalha está na dura ampliação da dimensão da utopia.

Há quem opte por um pragmatismo burro que degenera a própria alma no avançar de um destino manifesto de que já não se lembram mais.

Há quem se locuplete por amor a uma causa da qual não carregam nem um fiapo de resquício.

Há quem doe seu amor não a um futuro, mas ao lustre corroído de um brilhareco passado que foi atropelado pela lama das escusas relações.

E há que esteja na rua por um ideal e não receba um real pra isso.

Talvez nesta batalha onde somos multidões e legiões de “ingratos” a apontar na cara do ex-partido dos trabalhadores e seus aliados do carcomido PMDB que não engoliremos lorotas desenvolvimentistas que removem nossos irmãos mais pobres de suas casas em nome de um progresso que não lhes deixa legado, venhamos a ser derrotados, como em tantas outras.

Talvez nessa batalha onde forças inescrupulosas se armem de vídeos, advogados, jornalistas carregados pelas mãos de seus patrões para exclusivas onde ajudam a malhar judas pobres, pretos e acuados em nome de uma vingança corporativa que mal esconde seu medo da democracia, venhamos a ser massacrados.

Talvez percamos também o bonde da nossa própria história em vez de tentar entender as razões de uma juventude que se vê violenta em reação a uma violência estatal de uma crueldade poucas vezes vista, com direito a bomba em hospital e jornalistas cegados por balas de borracha, optando por seguir um eco conservador de medo de algo incompreendido, confundindo calma na análise com conivência e crítica com julgamento.

Talvez no fim enfrentemos desertos e duras batalhas que não temos pernas para lutar e andar. Talvez.. talvez…

Mas diante do desafio que se põe á nossa frente é preciso que retorne o grito dos muros de Paris: Sejamos realistas, peçamos o impossível!

Ter ligações com Marcelo Freixo é isso, é trazer no peito a indômita necessidade de dar luz e asas á dimensão da utopia. E utopia alguma, companheiros, nasce envolta em louros de reinados mortos ou vestindo Prada. A utopia veste os trajes rotos dos que sobem montanhas movidos pela inequívoca vontade de manter seu mandato histórico luzindo ao sol.

Diante do imenso desafio de fazer luzir a utopia temos de ir unidos não nos acordos pré-nupciais que envolvem as burocracias, não na conversa paralela sobre quem subirá em que palanque, não no desejo mórbido de cagar regras sobre como quem usa o que onde, mas sim com a dimensão da utopia na nossa própria unidade.

Ter ligações com Freixo é defender a democracia.

É nosso mandato histórico fazer luzir o sol da liberdade quando tentam ocultá-lo com papel de jornal ou vídeos distorcidos.

Nossa unidade socialista é uma unidade de ação que vai além de nossas próprias covardias no enfrentamento de um sistema que pede muito mais dureza do que mantemos normalmente em nossos combates.

Nossa ação popular socialista é agir como um na defesa de nossos companheiros excluídos do direito à defesa por um sistema que os destrói primeiro na alma e na imagem e depois no massacre cotidiano que antecipa julgamentos formais.

Nosso movimento de uma esquerda socialista tem de ser o que dá voz e defesa a quem é massacrado e criminalizado sem ter tem uma organização para dar voz e vez.

Nossa convergência tem de ser o da defesa de nossos companheiros partidários ou não que sofrem como Freixo uma contínua criminalização sem ter aceso sequer um morteiro.

Nossa insurgência tem de ser a de negar sempre o eco das vozes conservadoras e costurar, construir o eco das vozes combativas e combatentes que, mesmo equivocadas, não podem ser caladas com a usurpação de seus direitos de ser, ir, vir, protestar e se defender.

Ter ligações com Freixo é ter ligações com Paula Mairan e Thiago Melo e ter orgulho de todos por seu histórico de defesa da liberdade, do socialismo, dos direitos humanos e do direito á verdadeira liberdade de expressão, esta mesma solapada pelas Organizações globo em sua liberdade empresarial de destruir reputações.

É preciso ter ligações com Freixo em nome da verdade, em nome da utopia, em nome de um futuro.

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