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Quem matou Santiago?

Por que a velocidade de tirar da reta de Cabral? Em que se pese a possibilidade de ter sido mais um ato equivocado de manifestantes, há a certeza disso para dizer que quem matou Santiago não foi Cabral?

A ação que provoca a reação então não tem culpabilidade nenhuma? A reação que atingiu Santiago foi promovida por manifestantes?

Há muitas perguntas e muitas respostas. Há sim de se fazer autocrítica dos métodos de resistência, mas não uma autocrítica enviesada pela sanha de buscar justificações à ação política recuada e temerosa do confronto.

A autocrítica do método não pode suprimir a reação em nome de uma lógica pseudo pacifista recuada ou de um entendimento que manifestação tenha de ser um imenso coro de “Caminhando e cantando e seguindo a canção”, muitas vezes estéril, domesticada e que não questiona por exemplo o silêncio de mídia e governos amigos com relação às mortes diretamente ou não causadas pela policia e pelo aparato repressor do estado, pelos jornalistas cegados ou quase isso pelas PMs, pelos ativistas mortos por ingestão de gás ou pelos ativistas ou não presos de forma irregular sendo um morador de rua condenado por portar, pasmem, pinho sol.

Quem matou Santiago?

O circo de violência policial aliado à resistência desorganizada mataram o jornalista atingido por um morteiro em circunstâncias que confundem mais que esclarecem e que contém elementos de profunda dúvida sobre quem, quando, onde foi acesso o morteiro e a quem interessava que ele fosse aceso.

A presença de advogados de milicianos e matérias em rede nacional baseadas em pouco mais que um conjunto de poucos fatos e muitas hipóteses do “amigo do primo do tio de um amigo meu me contou” torna toda a história muito confusa, quase uma cortina de fumaça para a construção do cadáver que faltava à criminalização dos atos contra a copa, contra os abusivos aumentos de passagem e criminalização dos os black bloc sob vergonhosas palmas de parte da esquerda que parece que também precisava de um cadáver que lhe permitisse o imobilismo adestrado costumeiro.

Quem matou Santiago?

A ausência da crítica à violência policial que causou direta ou indiretamente muitas mortes do lado dos manifestantes e sequelas diretas em inúmeros jornalistas preenche uma lacuna que deveria causar espanto em gente inteligente que vai com muita sede ao pote do oportunismo de aproveitar uma tragédia para tecer seus resmungos contra o movimento que ousa resistir à violência policial.

Dizer que Cabral, Dilma, Paes, Alckmin são inocentes da morte de Santiago é fingir não ver que cada morteiro é antecedido de bombas de gás, avanço violento de tropas de choque e uma política de intimidação cruel. E sabemos que o medo causa também raiva e nem sempre o temeroso se esconde.

Aos movimentos sociais e manifestantes cabe sim autocrítica e mais ainda, uma ação positiva de proteção a si mesmos a aos jornalistas, mesmo estes sendo muitas vezes veículos da criminalização dos movimentos. Cabe se perguntar até quando suas ações de proteção serão desorganizadas o suficiente para permitir infiltrações e atitudes irracionais que acabam por abrir um flanco para sua criminalização. É preciso repensar a resistência, suas armas, seus métodos, mas jamais suprimi-la.

É preciso que ampliemos a resistência, sem no entanto dar brechas à sua criminalização, e preciso repensar métodos e armas, é preciso repensar formas de agir, através do diálogo e não da condenação. É preciso um diálogo amplo e franco entre os atores, organizados ou não, do movimento e propor métodos mais pensados de ação e reação. É preciso inteligência e não recuo.

Quem matou Santiago?

Quem matou Santiago foi também quem o expôs a um trabalho com os riscos inerentes a ele sem a proteção devida, ainda mais depois dos episódios de violência policial contra jornalistas. Também forma as revistas, jornais e tvs que optaram por nada fazer diante do acelerado avanço do estado de exceção e que geraram a ampliação de uma ação policial violenta que até bomba de gás em hospital já fez.

Quem matou Santiago?

Não se sabe até o fim do inquérito, mas a violenta repressão às manifestações é cúmplice, assim como os governos que a incitam.

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3 comentários sobre “Quem matou Santiago?

  1. A polícia tem o trabalho de garantir a segurança das pessoas que participam do protesto. Não chegaria ao ponto de dizer que foi culpa da polícia ou de Cabral, mas digo que a polícia tem parte de culpa por incumplir essa tarefa, assim como Cabral tem parte de culpa por não saber ler as mensagens da cidadania e alimentar o confronto com declarações e polícia fora de controle…

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