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A sensação que dá do discurso ufanista do neopetismo da cidadania, dos benvindos, mafras e quejandos é que há um profundo recalque de não serem aplaudidos em praça pública por nos trazer a fórceps e goela abaixo o desenvolvimento do capital brasileiro, tornando o país um recordista de remoções, de violações de direitos humanos, mas entre as 6 primeiras economias do mundo. Foda-se o IDH, temos Copa! Foda-se o IDH, somos membros do G135!

Ai como não abraçamos eles no cotidiano e há quem ainda ache que precisamos ir além de bons lambedores de botas dos países centrais ou de bons fornecedores de grãos e carne produzidos por sobre sangue índio e negro. Somos alvos de um profundo ódio de quem achava que por serem gerentões qualificados de um capitalismo que não soube ser tocado por tucanos, que pouco entendem de fábrica, deveriam ter bustos nas praças e odes em poemas menores.

Esse ódio é fruto da pretensão populista de salvadores da pátria, de motoristas do Brasil Grande que acham que deveriam ser aplaudidos por nos levarem pela mão na direção do primeiro mundo. É um ódio orgulhoso por não batermos palmas por sermos conduzidos para um caminho que não queríamos. Eles nos vêem como ingratos, nós os vemos como parte do problema.

O problema que não entendem é que quando lutamos todo o dia contra o capitalismo, FHC, Sarney, Collor não estávamos lutando para que um outro vindo da esquerda fosse o mais competente gerente do mesmo capitalismo que os anteriores não foram, estávamos (E estamos) lutando contra o capitalismo.

Então, quem esperava que ficássemos gratos por vermos parte da esquerda que lutava conosco contra o capitalismo entregar o país para uma das mais corruptas entidades mundias, a empresarial FIFA; em nome de manutenção da ocupação do governo entregar índios e quilombolas à própria sorte ou à morte em nome da expansão do agronegócio que virou o centro do universo econômico do país; em nome do discurso do “Brasil Grande” expandir a exploração de Petróleo, a produção de carros e a opção rodoviarista no país ignorando todos os efeitos do aquecimento global advindo da queima de combustíveis fósseis, que espere sentado, e se possível com medo, porque ao ultrapassar o rubicão do pragmatismo burocrático, ultrapassaram os limites éticos que separam lutadores de opressores.

Então, não ajam esperando uma gratidão de quem hoje os vê como inimigos.

Nossa gratidão é de pedra, gasolina e fogo.

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Um comentário sobre “O neopetismo da cidadania e o sentimento de ingratidão

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