estupido

O clima é um dos assuntos mais utilizados pelos ingleses quando há ausência de assunto e quando a profundidade não é exatamente uma opção, ao menos segundo o Monty Pithon.

No entanto pra quem é ecossocialista e luta pelo fim dos combustíveis fósseis, o clima é exatamente o contrário, é um dos assuntos fundamentais que temos à mão para o debate político e para um debate que transforme a vida das pessoas.

Escrevo isto enquanto tento sobreviver a um calor cuja sensação térmica de quase 50º supera em anos-luz a expectativa térmica média de quem, como eu, nasceu e foi criado na mui leal ciudad de São Sebastião do Rio de Janeiro e está deveras acostumados a seu inclemente clima de infernal verão. Escrevo isto também vendo pessoas criadas no extremo sul do Brasil derreterem e terem sua vida tornada um inferno muito maior dos que os locais, mais ou menos acostumados a calor inóspito.

Qual a relação entre o inferno pessoal e as mudanças climáticas? Bem, a lógica percepção de que aquecemos a cidade grau a grau desde que me entendo por gente. O que era comum, embora fosse o ápice, termos 40º, hoje é mínima. É batata sair de casa com 40º, e tá ficando normal sair de casa com 43º, 45º ou mais.

Madureira em 2012 já gritou 46º, Bangu supera isso por arte, por malemolência do clima, por um clima de inferno moleque.

E o que isso tem a ver com ecossocialismo? Tudo. Porque enquanto temos negadores que ignoram tudo o que foi escrito sobre mudanças climáticas (seja por ignorância por opção, seja por cinismo capitalista mesmo) vivemos em meio ao aumento de temperatura do planeta e ampliação dos eventos extremos climáticos, um deles o aumento da temperatura do Rio com mudança em seu regime de chuvas, levando à redução em quantidade das famosas chuvas de verão e um aumento de volume delas quando ocorrem. Temos menos chuvas e mais chuvas violentas ano a ano e uma cidade cada vez menos preparada para isso, como via de regra todas as cidades brasileiras.

Há quem ainda repita que, embora quase todas as universidades com prestígio científico do mundo e quase toda a comunidade científica grite em altos brados que o planeta está aquecendo e causando efeitos graves e crescentes na vida humana e como um todo, o aquecimento global é um embuste dos vendedores de ações do mercado de carbono.

O mais interessante é que se ignora por opção que a esquerda e os ecossocialistas tem como principal alvo a critica ao mercado de carbono como um embuste que busca minimizar os efeitos do aquecimento global a partir da queima de combustíveis fósseis por uma solução capitalista e financista, que no fundo não resolve nada e mantém a marcha do aquecimento global.

A única solução possível é o fim do uso dos combustíveis fósseis.

Há muita explicação científica presente em diversos textos, artigos e resoluções políticas que identificam detalhe por detalhe todo o processo de aquecimento global em marcha e seus efeitos danosos para a vida como um todo. O historiador aqui optou conscientemente por mostrar que não é necessariamente preciso ler um relatório de 47 páginas do Daniel Tanuro para entender os efeitos danosos das mudanças climáticas e suas origens, o simples impressionismo da observação atenta nos diria que sim, há aumento de eventos extremos climáticos, muitos deles menos perceptíveis que grandes nevascas, chuvas torrenciais ou furacões ameaçadores, mas danosos por igual e que atacam o cotidiano de homens, mulheres, fauna e flora, como a ampliação de temperatura em regiões tropicais e redução drástica de temperaturas em regiões próximas aos polos.

A opção por negar as mudanças climáticas em nome de uma concepção de desenvolvimento da máquina de produção capitalista, e também de um tipo de socialismo que desconheço como tal, mas é presente em estados de origem soviética, é uma opção em nome da marcha da estupidez na direção do abismo. E é sintomática a arrogância que doura a pílula da opção pela estupidez.

Enquanto isso sofremos, criamos espantalhos que encaixam muito bem nos jargões dos movimentos estudantis ou sindicais, criamos a luta contra os patrões que não atingem o cerne do coração do capitalismo (Petroquímicas e bancos) e seguimos felizes de chopp em chopp depois de uma assembleia. O planeta, queridos, que se foda!

O problema dessa opção é que se opta conscientemente por uma ação revolucionária de fancaria, por um marxismo de galinheiro, pela opção consciente pela ignorância arrogante e construída em torno da estupidez coletiva.

E vamos derretendo, e vamos congelando, porque no fundo, a esquerda tá quase toda pouco se fudendo pro meio ambiente.

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