Professor_Girafales

Bem, vou começar colocando que não vou dar exemplo nem de Londres, nem da Groelândia, nem do Rio e nem da cidade do Papai Noel no Polo Norte. Vou partir de princípios do conceito de pedágio urbano, beleza?

1 – Monetarizar o direito de ir e vir colocando um valor neste direito, ou seja, limitando o direito de ir e vir a quem pode pagar por ele é política popular? E problematizar isso é ser de direita? Olha, a volatilidade dos conceitos e categorias é enorme, mas essa me pegou de surpresa

2 – Monetarizar o direito de ir e vir colocando um valor neste direito, ou seja, limitando o direito de ir e vir a quem pode pagar por ele é uma política de redução de carros na rua ou de redução de carros de quem não pode pagar pela sua entrada nos belos centros das grandes cidades? Problematizar isso é ser elitista e de direita? É mesmo? Uau, surpreso de novo.

3 – Monetarizar o direito de ir e vir colocando um valor neste direito, ou seja, limitando o direito de ir e vir a quem pode pagar por ele é uma ação de política de redução de carros? Olha me parece mais eficiente reduzir a produção e o consumo de carros e de combustível fóssil a partir da redução de subsídios a ambos. Sim, amiguinhos, estou falando de aumentar o preço dos carros e do combustível fóssil (Que por mim era suspenso o uso por portaria).

4 – Vamos falar de transporte público? Monetarizar o direito de ir e vir colocando um valor neste direito, ou seja, limitando o direito de ir e vir a quem pode pagar por ele em um cenário de caos e falências dos transportes públicos é política de esquerda? opa, sós e for da neo-esquerda estrelada, porque sem uma medida prévia, e que levaria uns bons dez anos, de revisão de todo o sistema é IMPOSSÍVEL que uma Monetarizar o direito de ir e vir colocando um valor neste direito, ou seja, limitando o direito de ir e vir a quem pode pagar por ele não seja ela mesma a interrupção do direito de ir e vir dos mais pobre sou pior, sua precarização a partir de um transporte público incapaz de atendê-lo como o mínimo de civilidade.. E não, amiguinhos, não é o caso só do Rio, fica a dica.

5 –  Vamos falar de política de secessão no Rio de Janeiro?  Cês sabem que a secessão entre pobres e ricos é uma tradição carioca como o futevôlei, o chopp no fim da tarde, o samba, o suor, a cerveja, o arrastão em dezembro e a PM matando pobre? Pois é, inclusive tem um artigo mui bacaninha da Gizlene Neder, chamado Cidade, Identidade e exclusão social, que trata da lógica de secessão no início do XX que levou aos píncaros da construção de m corredor sanitário entre o Rio aquilombado  e o Rio aburguesado. Este corredor não foi apenas uma exceção, ele é a regra. A ideia de uma cidade partida é uma ideia que nasce com a república e que é implantada a partir da derrubada de cortiços para iniciar a expansão urbana moderna  no centro da mui leal. qualquer projeto que não seja um projeto nitidamente de esquerda nesta cidade é herdeiro de Barata Ribeiro, Pereira Passos e outros tecnocratas demolidores que entraram para a história como cabeças de ponte de uma política elitista. Paes se coloca como fã de Pereira Passos, é bom lembrar.

Então amiguinhos, vamos ter cuidado, nos informar, ser mais responsáveis sobre nosso volumoso dedo indicador a respeito de quem vai ou não para a direita ou sobre o “elitismo’ de quem é contra medidas que não são exatamente fáceis de serem identificadas como esquerda, e mais, não são exatamente fáceis de ser descontextualizadas de um projeto de cidade excludente que não nasceu ontem.

Aliá,s fica a dica: O projeto de cidade excludente do Rio de Janeiro que permeia toda a sua história é também um modelo de cidade para o Brasil, e não é de hoje.

É de bom tom para cagar regra ter o que cagar, fica a dica.

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