gatos pardosDeng xiaoping dizia que não importava a cor do Gato desde que ele caçasse o rato. Hoje partidários assumidos ou envergonhados do governismo atuam segundo a máxima do tio Deng, mas dizem que nem todos os gatos são pardos para tornarem o esvaziamento da política nas eleições como um fato consumado da complexidade da política, ao mesmo tempo em que separam as eleições do processo político cotidiano.

Tomam corretamente a eleição como evento pro senso comum da população, é na eleição o “tempo da política”, para a partir desta concepção definirem que eleição é algo à parte e que após isso a população se descola da política na prática, para além do descolamento consciente dela.

Além disso, a tomada da eleição como um evento em si serve como argumento “didático” da necessidade de sustentação do PT no governo enquanto se combate o mesmo governo do PT nas ruas, em um processo esquizofrênico de endosso e negação ou de eleição e sustentação da combatividade política nas ruas.

imagesNa verdade é uma espécie de informação ao povo: “Votamos no PT porque não temos opção, mas continuamos lutando pelo socialismo nas ruas”, em uma manobra que procura se separar do governo de direita que o PT faz através de um discurso de esquerda, consciente ou não.

E ai se usa desde o esvaziamento do voto nulo com emponderamento do voto em Dilma, até a lógica da “ausência de alternativa construída” enquanto se opta por não construir alternativa nenhuma reforçando o PT e seu governo, endossando-o via voto e via campanha, mesmo que envergonhada ou “forçada pelo menos pior”.

Por trás então do “Nem todos os gatos são pardos” há menos a busca da complexificação do processo político e mais uma despreocupação com a cor dos gatos desde que eles cacem ratos. E no caso, ratos são a manutenção do Bolsa Família e do desenvolvimentismo que “gera empregos”. E ai se cria a fábula de que se vota na Dilma e no PT por não haver alternativa viável ou pela alternativa ser pior, e que se condena o genocídio indígena ou a preferência pelo agronegócio, quando na verdade se vota reforçando estas preferências pela opção consciente em barrar o espantalho da vez.

É como o policial que caça o bandido para o qual vendeu uma arma.

Edownload (1) criam-se espantalhos cíclicos que garantam a lógica do medo, a política do medo. Antes era o fantasma Serra, hoje está entre o fantasma Armínio Fraga e inclusive a volta de Lula e sua defesa da autonomia do Banco Central, tudo cabe na política do reforço do Governo do PT em questão, Dilma ou Lula, em se comparando com outro viés pior, sempre pior e assustador, e segue-se isso enquanto Dilma, o PT e Lula ampliam a presença do agronegócio no governo, o mesmo agronegócio assassino de índios, e se promovem privatizações e leilões do petróleo, de aeroportos, ampliação da presença das OS na saúde,etc.

A cada quatro anos o argumento de criação de espantalhos cria novos aparatos “complexificadores” que no fundo simplificam, reduzem e despolitizam a política em nome do voto assumido ou envergonhado no PT da vez e na ameaça do inimigo externo mais próximo.

A pena é que gente inteligente, que entende mesmo da complexidade, procure em vez de assumir sua opção por uma política desenvolvimentista e produtivista, travestir sua opção de imposição da conjuntura que “não fornece alternativas”. Como se política não fosse sempre um mecanismo de opções claras, no tempo da política ou não, que construísse um objetivo estratégico ou tático de longo prazo.

Enquanto se nega a cor do gato que se quer criar e se diz que só o cria para caçar um rato que os demais querem manter sem caça, o que se faz é negar à inteligência alheia a capacidade de ver que no fundo o que rola com o gato é uma afeição medonha, e que no fundo não se quer ser salvo das garras deste amor gostoso.

Pode-se se dizer que nem todos os gatos são pardos com um gato pardo na mão, é direito de cada um, mas ao menos respeitem quem vê claramente a cor do gato e acha que sua função é mais do que caçar ratos.

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Um comentário sobre “Nem todos os gatos são pardos

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