lula-e-maluf-juntos-180612-aroeira-humor-politico-580x356Caro Partido dos Trabalhadores, queria entender como um partido nascido da luta contra a ditadura patrocina com PMDBistas e tucanos a ressurreição do DOI-CODI a partir da calhorda acusação aos Black Bloc de serem uma organização criminosa.

Não é preciso nem concordar, tampouco apoiar os Black Bloc, pra saber que são uma tática de manifestação nada orgânica ou organizada. Governos e partidos, muito mais que cidadãos, tem de ter a responsabilidade política de qualificar o que dizem, pensam e agem, mesmo optando por um lado entre poderosos e oprimidos. Especialmente àqueles nascidos da luta contra a opressão e autoproclamados defensores da população e da justiça social.

Não há justiça social, Caro Partido dos Trabalhadores, com injustiça política cujo discurso da ordem é mais importante que o discurso da justiça. Para quem nasceu da luta contra o estado da ordem ditatorial rumo ao estado democrático de direito, que se buscava estado democrático de direitos, a supressão do direito em nome da criminalização de manifestantes e manifestações sob o pressuposto de serem organizações criminosas é que é o verdadeiro crime. Um crime contra o estado democrático e um crime contra a história de lutas que o partido já travou em sua existência.

Quando a lógica pragmática se torna uma lógica programática, manifestada pela opção preferencial pelo discurso da ordem, rubicões são atravessados, caravelas queimadas e o preço disto é incinerar a memória que construiu suas principais lideranças, é ladear-se aos inimigos de classe, é tornar-se inimigo de classe.

Não é possível que a migração rumo à vitória institucional tenha esquecido os passos largos que levaram ao Partido dos Trabalhadores ao status que tem hoje, inclusive se esquecendo que não basta tirar quarenta milhões de pessoas da miséria se hoje o partido se torna aliado daqueles cuja política mata os filhos dos quarenta milhões de ex-miseráveis, ainda quase todos pretos, pretos de tão pobres.

Será que as famílias que saíram da miséria com o Bolsa Família terão orgulho de verem seus filhos massacrados como os Amarildos e Douglas pelas polícias militares comandadas por Cabral e Alckmin e seus Beltrames e Ustras?

Será que em nome da conquista de governos a opção preferencial pela omissão diante da injustiça e o entendimento de fenômenos sociais se torna mais que uma marca indelével na história de lutas do Partido dos Trabalhadores, se torna uma marca de opção, de escolha de um lado, um lado que expõe movimentos sociais como o MST ou a resistência indígena ao tacão de tornarem-se organizações criminosas com o beneplácito do Ex-operário e da ex-torturada?

A luta de Dirceu, Genoíno, Dilma, Lula e tantos outros se tornou mesmo o abraço do afogado a Malufs e Sarneys, Alckmins e Serras, quando não concretamente,de forma simbólica?

Será mesmo que além de atravessar o rubicão dos limites éticos acaba-se de atravessar sem culpas ou vergonha o limite da democracia?

Governos e partidos não são indivíduos, é deles, ou deveria ser, a responsabilidade política de entender o fenômeno social das ruas e agir diferente do senso comum reacionário, conservador e assassino cujo bordão “bandido bom é bandido morto” deveria manter-se como símbolo não do Partido dos Trabalhadores, mas dos colecionadores de esqueletos no armário que habitam os porões da direita.

Optar conscientemente em nome do navegar não com a responsabilidade política dos transformadores, mas pela aceitação das marés do discurso conservador, é um crime de lesa história e mais, germina a semente, choca o ovo da serpente.

Quanto sangue ainda pavimentará o projeto de Brasil Grande levado a cabo pelo Partido dos Trabalhadores? Quanto sangue negro e indígena? Quanto sangue Black Bloc? Quantos Amarildos e Douglas serão necessários para que o passado deste partido volte a guiar sua conduta política?

Quantos sairão da miséria para a cova diante da óbvia predileção para o resultado das urnas antes do resultado do mandato histórico que o ex-PT recebeu e traiu?

E ai cabe questionar também à oposição de esquerda que mediante análises toscas, tolas, medíocres e infames acabam por reforçar o discurso da ordem que tu, Partido dos Trabalhadores, ecoa ao lado dos criminosos que projetaram Pinheirinho e as pacificações que torturam pedreiros. Até quando insistiremos em nome do vanguardismo e do medo do novo, e do povo, em criminalizar politicamente o que os jornais, revistas tevês e governos se esforçam diuturnamente em criminalziar legalmente, criminalmente?

Até quando seremos atropelados pela conjuntura em nome da cegueira do aparato? Até quando seremos cúmplices dos assassinos programáticos e pragmáticos da juventude negra e pobre que hoje reage, que age e ocupa as ruas, querendo ocupar mais que os caixões?

É preciso estar atento e forte, porque dia desses vamos mesmo ter de parar de perder tempo temendo a morte.

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