Imagem4O PCO tem feito bons textos, tem feito boas intervenções em relação aos Black Bloc e à criminalização dos movimentos sociais e não é ironia. Se a prática do PCO é ruim, e é, a ação deles midiática não está sendo.

É cômodo atacarmos a produção do PCO pelo que o PCO é, é um vício comum não só na esquerda, mas principalmente, e eu mesmo incorri nisto. É cômodo, mas tá longe de ser responsável.

É sintomático e sectário a classificação de A ou B como “ridículos” pela prática e ignorar a boa produção que sim nos permite acúmulo de fôlego sobre a análise de realidade. E não estamos falando da Veja, estamos falando de um partido de esquerda que por pior que seja tem acúmulo excelente em diversas áreas, como o abolicionismo penal.

thatcher1Da mesma forma que o PT, ele mesmo, tem excelente acúmulo na questão do orçamento participativo, reforma urbana, moradia, etc e parte da REDE tem acúmulo ambiental que temos de ler e discutir.

Então é dever nosso, que nos entendemos como “mais qualificados”, ir além da adjetivação, precisamos tomar posições públicas ENQUANTO PARTIDO. Falta ao PSOL a coragem, inclusive teórica, de ir além da ladainha burocrática.

E se o PSTU no cotidiano é melhor parceiro que o PCO, na publicização de suas posições tem sido pavorosamente conservador, como alas do PSOL também.

É hora da esquerda sair do limite rígido de sua própria incompetência e qualificar os debates e se propor a eles de forma qualificada com o fim de avançar na conquista da hegemonia pela qualificação da percepção do cotidiano e não pelo discurso raso, fácil, encaixotado em definições imutáveis desde 1917.

leninE isso não para na questão Black Bloc, tampouco na análise das manifestações, do que é revolução, etc, continua na posição conservadora, tosca até, que ignora posições do próprio interior do partido nas questões antirracistas, anti-homofobia, de gênero, antimachistas e principalmente ambiental, onde a limitação teórica da maior parte da esquerda e do próprio interior do PSOL preferem publicar textos de um desenvolvimentista altamente produtivista e ex-governo Lula como Carlos Lessa do que expor, publicar, posições nascidas do próprio Setorial Nacional Paulo Piramba do PSOL.

Ignora-se o que é o partido, ignora-se o todo, ignora-se qualquer debate democrático para tirar posições públicas e coletivas em torno de absolutamente tudo, dos Black Bloc ao pré-sal.

hd-ddE isso tudo em nome de uma adequação oportunista do discurso do partido ao redor de pautas públicas publicáveis e “populares”. Em nome do discurso amaciado para a obtenção de votos se ignora solenemente questões fundamentais, sob o ponto de vista político, que são debatidas há anos no interior da militância. Seja a perspectiva de diferenciação entre o clássico e absoluto tema da forma partido, seja a lógica de produção e desenvolvimento relacionado à questão ecológica.

O entendimento da prioridade do que os outros (fora do partido) pensarão é mais forte do que o entendimento dos trâmites democráticos mínimos para a definição de temas consensuais.

esportes-radicais-paraquedasParece que a ameaça da exposição da fragilidade teórico-política ou da dúvida, a reles dúvida, enquanto ameaça de demolição do argumento de autoridade baseada no controle burocrático de aparatos é o único leitmotiv permitido para parte da esquerda do PSOL (a direita do PSOL relacionada a Randolfe Rodrigues nem menciono dado que ela ignora solenemente qualquer coisa que não seja o acúmulo primitivo de votos, a qualquer preço), que em meio ao fervoroso momento em que vivemos prefere ecoar de forma medrosa o discurso da ordem e o discurso “Pra frente Brasil” do que olhar para dentro, pro vasto acumulo de debates que núcleos e setoriais disponibilizam para qualificar quaisquer debates em torno dos mais variados temas, mas especialmente quanto às questões em eco hoje: Desmilitarização da polícia, fim dos combustíveis fósseis e aquecimento global, violência contra a mulher e direitos reprodutivos, luta anti-homofobia, etc.

Essa preferência é sintomática e mais que um sintoma de miopia, é um sintoma de política, é uma declaração eloquente do viés político levado a cabo para a busca de hegemonia interna e um viés político autoritário, de cima pra baixo, desconectado dos clamores políticos das ruas, das necessidades concretas do planeta, dos negros, índios, mulheres e LGBT.

calendario-dos-suricatos-radicais-motociclismo-1343574173265_864x500A opção produtivista, hierarquizadora de lutas, insensível à questão de gênero, racismo e LGBT e criminalizadora política dos Black Bloc é uma declaração eloquente da miopia política para além da burocracia, é uma declaração de miopia opcional.

É preciso mais do que autoproclamação de radicalidade para sê-lo, é preciso mais do que declarar que a prática é o critério da verdade, é preciso uma prática de verdade e ela passa por mais que discurso.

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