images Na recente polêmica dos testes com animais muitas coisas forma vitimadas que não fazem parte da imagem do instituto Royal.

Uma das vítimas é a razoabilidade mínima, outra é a informação.

O princípio básico de que há uma modernidade tântrica e infalível no mundo que não é acompanhada pelo rincão sem pai nem mãe chamado Brasil, e que a ciência faz testes em animais só de sacanagem virou lei entre o planeta dos ativistas pelo direito animal mais agressivos.

O problema dessa lógica é que não dá pra dividir o mundo entre quem tá de sacanagem ou quem não tá, e nem reduzir a comunidade científica nacional a um bando de pobres-diabos que optam pro preguiça à metodologia mais escrota do mundo, ou por preguiça ou por falta de investimento.

animais-videos-extinçãoA ideia de substituir os testes com animais por outros tipos de testes não só não é nova, tampouco é circular apenas aos meandros “desenvolvidos” da divisão planetária. A discussão é enorme e sim há muito ativismo animal no meio científico, inclusive brasileiro, que entende como fundamental a transição paulatina para o fim dos testes com animais. Só que a substituição por portaria dos testes com animais por simulação em software ou opções piores não é assim tão simples, tampouco sem custo humano, em vidas, menos ainda tão fácil de ser reduzido ao que colunistas de jornal acham possível como “Testes com presos para comutação de pena”.

E não, problematizar a questão não é apoiar “tortura com animais para fazer pomadinha”, embora eu saiba que é tentador para quem acha que simplificando as questões se encontra solução, a satanização da discordância.

Problematizar a questão é buscar soluções dentro do plano concreto e não dentro do mundo de fantasia onde se resolvem coisas na canetada.

A ideia da suspensão imediata dos testes com animais nos leva à questões questão simples: Vamos interromper os testes científicos com substâncias e ir pro pau direto em seres humanos com o custo disso em vidas? Vamos optar pelo risco absoluto da simulação via software com o igual custo em vidas? Vamos optar por cultura de células humanas? Tá, mas isso funciona em todos os casos onde hoje se fazem testes com animais?

É amigos, ainda tem isso “testes com animais” não são feitos só pra “testar pomadinha”. Há questões onde se pode optar por suspender agora e há testes que não dá pra suspender em décadas.

0,,33380267-FMM,00Não vou comentar a lógica de testes com presidiários por uma questão ética, primeiro porque jogar com a liberdade de outrem mediante sacrifício é desumano, segundo porque é óbvia a lógica de desumanização do criminoso.

Testes com voluntários? Vamos lá em ordem e como Jack:

  1. Voluntários podem não aparecer.

  2. Voluntários remunerados são voluntários ou seria jogar com a miséria ou a pobreza em nome da ciência, o aspecto ético não entra ai?

  3. Os testes dando merda numa primeira fase teriam voluntários para uma segunda?

  4. Quem vigia o voluntariado?

Ou seja, toda a questão não é exatamente bolinho e nem tão fácil assim como se propaga no dia a dia, assim como outras tantas questões que eu inclusive defendo não são tão simples.

A lógica de suspensão do uso dos combustíveis fósseis também não dá pra ser por decreto e leva à substituição paulatina da própria matriz energética em uso no mundo, com programa de transição com garantia de emprego para quem trabalha na área, ou seja, é uma luta também antissistema.

Além de ser antissistema, a luta pela suspensão dos testes em animais depende também do avanço científico e mais, de um programa de transição que garanta a segurança inclusive dos próprios animais, dado que sim, medicamentos para animais também são feitos com testes em animais.

191c806fe8a746a4Não dá pra ignorar todos os fatores que trabalham em conjunto com a questão dos direitos animais, inclusive toda a questão cultural da própria relação homem e animal, homem e natureza. Não dá simplesmente para jogar isso pra fora abraçado com slogans e invasões de institutos e aulas de medicina, não é simples assim mudar o eixo de identidade humana como um todo, que passa também pela alimentação, na base da porrada. E não dá pra esquecer que gente honesta, sincera e esperta tá atuando para mudar o sistema de testes de dentro pra fora também e lutando além da lógica de supremacia antropocêntrica com os limites da própria ciência, que só nas últimas décadas se voltou para pensar no assunto.

Não é radical agir em nome da humanização de animais dentro da ética da fofura e desumanizar a humanidade em nome do espírito do desumanismo.

Não somos todos Beagles.

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