green-bloc-black-bloc-g8-rostock-2007A esquerda gira qual a pomba e se perde no próprio critério da análise do que lhe escapa enquanto força motriz de movimentos e ação. As análises sobre os Black Bloc circulam no eixo “A mídia os usa para nos desqualificar” e “lhes falta organicidade, lhes falta estratégia, lhes falta centralismo”.

O medo pânico do não entendimento do que flutua e foge dos códigos tidos como aceitáveis pela forma-partido tradicional é primo-irmão do entendimento que o socialismo está automaticamente na vanguarda do mundo, ou seja, o socialista é antes de tudo prafrentex.

imagesSó que não,né? O socialista é gente e o socialismo tem quase duzentos anos, portanto parte dele criou craca, apesar dos esforços do Papai Noel do Socialismo, ele, o Marx, em criar uma metodologia de análise da sociedade e do capitalismo que pela dialética fosse de certa forma “auto-limpante” ou imune aos efeitos do tempo. Ao menos outros marxistas como Benjamin, Thompson, Marcuse, Foster,  Bensaid, Lowy procuram fazer de Marx mais do que um pré-Lênin criador da solução final teórica.

No entanto a gente fica em um movimento cíclico de citação do uso dos BB para desqualificação de movimentos, da falta de organicidade, do papel ameaçador que tem para os partidos, que em tese seriam o sujeito da revolução por excelência,etc e tal sem no entanto que o cerne  da questão Black Bloc seja corretamente trabalhado. E quando digo corretamente digo que a própria lógica do que são os BB tá sendo distorcida e não posso, nem acho que nenhum socialista deva, se posicionar com a qualificação dos BB que a mídia conservadora faça.

QUEBRA-QUEBRA-440x293E eu não consigo compreender como “as ações dos Black Bloc” seja vista desatrelada do objetivo tático deles dentro das manifestações: Interromper o avanço das forças de repressão NAQUELE ATO/MANIFESTAÇÃO.

Fora que a repetição ad infinitum do uso que a mídia faz dos BB para desqualificar atos/manifestações da categoria a ou b contém o que ouso chamar de uma ingenuidade atroz. Porque qualquer luta/manifestação/ato que atue de forma contra hegemônica jamais vai ter simpatia da mídia ou vai ser alvo de qualquer objetivo da mídia que não seja a desqualificação. E se não tiver o quebra-quebra (Que no caso dos BB é uma ação consciente de desvio do foco da manifestação para eles com o fim de ajudar na dispersão do ato após violência policial), vai ser um “confronto” inventado, ou uma discussão entre professor e PM, alguma coisa, como tantas vezes ocorreu, como tantas vezes sabemos que existe,etc.

images (1)Nos atos da copa das confederações a PM sentou a porrada pela simples aproximação da área do Maracanã e no primeiro ato não teve nenhum quebra-quebra, mas os manifestantes “entraram, em confronto com a polícia que atuou para dispersá-los’ segundo a mídia.

A gente vai mesmo pautar nossas análises no beneplácito da mídia que atua, como bem disse Gramsci, em momentos de crise como partido da burguesia?

Quando citam os BB como um grupo esquecem que não é um grupo, uma organização na acepção do termo e enquanto for lido como tal (como se tivesse um objetivo estratégico/tático, organicidade,etc) e com o viés de qualificação deles como co-responsáveis pela desqualificação que a mídia faz de atos contra-hegemônicos, não vai ser entendido, sequer vai ser cheirado.

01 Arnaldo Antunes nao creia em tudoE digo mais o preconceito que está existindo nas análises diz demais de uma lógica que na verdade reflete a doutrinação midiática sobre atos/manifestações.

A Mídia é nossa inimiga, os BB não.

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