downloadOs Black Bloc, o “Vandalismo”, a proteção a uma lógica de que a ação violenta “afasta” manifestantes, o medo de passar da linha que divide o bom moço que é palatável pro voto da vovó Donalda e o cara que apanha da polícia e a enfrenta, tudo isso reaparece a cada ação da política e da polícia que exigem irmos além do ramerrame intelectualóide e “tático” que permeia o mundo da esquerda, que ainda conservadora, tem medo do planeta, porque o planeta tira votos.

A Esquerda ai se arvora de Super Nanny dos “rebeldes e irrefletidos ativistas quebradores”, tratando quem tá na rua como mulas que precisam do genial guia dos povos. A esquerda se coloca como defensora de uma lei que a Polícia não anda seguindo ou respeitando na hora de jogar bomba de gás.

untitled-3A lógica do PSTU, infelizmente, reaparece em textos cuja leitura limitada da relação entre as pessoas, o povo, e os BB, é uma leitura inclusive mais próxima da leitura classe médianovista do que do povo, povo mesmo. Ao tomarem pra si a lógica de que os Black Bloc tornam-se barreira à chegada de mais gente nos movimentos e manifestações, ao fomento da atividade política das masses, muitos analistas são como o jornalista que briga com a imagem ao escolher interpretar quem quebra banco como “vândalo” e não como resistente à polícia e à política que quebra gentes, trabalhadores, etc. Não há diferença ai entre o militante da Esquerda com medo e o jornalista que chama de confronto o massacre que as polícias fazem dos trabalhadores.

Primeiro porque o povo quebra, e quebra mesmo, as estações de trem do Rio quando sofrem as contínuas paradas da Supervia são quebradas, nas ruas o que se houve é que se entende o emputecimento que leva à depredação de bancos e vidraças, pontos de ônibus em um estado de coisas onde as pessoas são tratadas como gado. E o quebra-quebra não é exatamente um elemento novo na história dos cansaços e manifestações da população carioca e Brasileira. As estações de trem e barcas que os digam.

download (1)Os professores por exemplo, abraçaram os BB, os entenderam, e primeiro, entenderam que os Black Bloc não são e nunca foram exatamente os mesmos que depredam, sendo muito exatamente quem fica na frente do batalhão de choque quando este avança, pro resto da massa poder se proteger. E isso é historicamente sabido e comprovado, é repetido ad infinitum, mas se opta por cair, mesmo pessoas das mais preparadas, no senso comum que envolve os analistas dos adeptos da tática.

imagesE quando se chama os Black Bloc de vanguarda, o que se mostra é uma leitura formatada pro esquemas rígidos imutáveis para uma esquerda teoricamente reduzida a igrejas teóricas cegas, surdas, mudas e meio mancas. Até visualmente os BB são retaguarda, até na tática militar os BB são retaguarda. Essa lógica de são uma vanguarda e de que existe uma vanguarda que pensa como tática política para o assalto ao poder uma tática de resistência EM manifestações, revela um problema analítico grave, porque não situaliza a questão, não organiza a análise em torno do objeto específico dela, mas generaliza a partir de uma espécie de sobrevoo universalista.

images (2)Diante disso a brecha para a criminalização, se não legal ao menos política, é dez merréis pra ter. E exatamente porque coloca os BB e toda ação direta como uma barreira à organização popular. É? Vamos mesmo cometer o mesmo erro da esquerda francesa diante dos quebradores de carros dos subúrbios do país que reagiam à violência popular e tomaram o ato como tática de resistência?

images (1)Vamos ignorar os alvos das depredações? Que quando raramente fogem de Bancos e revendedoras de automóveis são abrigos de pontos de ônibus e automóveis, símbolos gritantes do capitalismo e da cultura de consumo que atinge a população no acirramento do desejo, mas jamais os permite passear no céu da obtenção de bens supérfluos que Bancos e Indústria automotiva esfregam nas suas fuças?

E será mesmo que a gente precisa relembrar os companheiros que foi exatamente após confrontos entre políticas e “vândalos” que a luta acirrou? que um milhão forma às ruas? Que até os mesmos profissionais de educação citados no texto gritaram ontem “Black Bloc é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”?

Junho ensinou mais, muito mais, aprender deveria ter sido um dever.

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