Invejo a burrice, porque é eterna.”

Nelson Rodrigues

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A biografia costuma ser algo menosprezado por digladiadores políticos do mundo excelso do cotidiano. Comete-se o maior absurdo como se não houvesse amanhã.

Em geral o pragmatismo político exacerbado vem acompanhado de um sentimento de que tudo, absolutamente tudo que se faz é problema de interpretação do outro, seja um comentário homofóbico, seja um comentário misógino, seja uma péssima piada, seja o uso de comentários a respeito da vida sexual alheia para desqualificar o adversário mais próximo.

O pragmatismo político exacerbado ignora a biografia porque é um encurtador de caminhos, um atalhista, um buscador do avanço célere rumo ao topo, é na verdade uma versão do comportamento neoliberal, é uma adaptação da luta “loosers x winners” pro discurso de esquerda e atribuído ao sindicato, aos mandatos, aos DCEs e CAs.

O “Eu não posso fazer nada” é em geral acompanhado de justificativas para ações de ataque à sua militância, a seu trabalho, a seu gênero, a sua etnia, a sua orientação sexual, alguns bem claros, outros nem tanto, mas eles estão ali.

Ah, você trava debates duros? Não fode faz meses. Ah, você é mulher e se irrita com menção à sua irritação? Tá de TPM. Gay? Frescura. Cansou de repetir dez vezes e receber uma resposta que despreza sua inteligência? Precisa de tratamento psiquiátrico e ai seguem jorros de termos pejorativos sobre doenças psiquiátricas e por ai vai. Às vezes é nítido, às vezes oculto.

Quando há reclamação é automático o “Eu fiz uma piada, vocês que não entenderam, não posso fazer nada”.

Pode sim, pode começar revendo seus parâmetros, seus preconceitos, sua vida, seus aliados, sua ideologia, seu pensamento, sua boca, sua língua, seu meio. Pode começar revendo se você é mesmo comunista, se é socialista, se concorda com a revolução, se concorda com a legalização do aborto, a igualdade entre gêneros, etnias e orientações sexuais, entre cis e transgênero, entre homens, mulheres, crianças e animais, igualdade de direitos, igualdade de deveres.

images (1)Pode também começar a pensar, a usar o cérebro que traz consigo dentro da caixa craniana para algo além de mugir repetindo ladainhas aprendidas com lideranças que pouco se fodem para a própria biografia em nome de garantir seus espaços de ocupação burocrática, quanto mais para a sua biografia, a biografia de um perfeito idiota da base.

Outro caminho possível é você usar seu maldito cérebro para ir além da conquista de votos pra mandatos, CAs, DCEs, Sindicatos, Congressos, Conferências, e pensar que a luta, ela dura a vida toda e não apenas processos sazonais de eleição.

São muitos caminhos que o “Eu não posso fazer nada” pode caminhar para fazer sim algo, mas para isso ele tem de pensar, e em muitos casos isso dói mais que a própria morte.

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