imagesNão conheço o Cocó em Fortaleza, não conheço Fortaleza mas conheço a sanha do mercado imobiliário e a ode ao automóvel enquanto política urbana quando as vejo.

Não conheço Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza, mas conheço João Alfredo e sei diferenciar um companheiro valoroso, o vereador, de um serviçal do pior que há em matéria de homem público, o eficiente gerente do “progresso” das cidades mercadoria, o prefeito.

Ao anunciar que construiria um viaduto em nome de um “melhor para a cidade” tendo como “melhor’ o livre fluxo de automóveis, queimando mais gasolina, queimando mais combustível fóssil, queimando mais carbono que aumenta o aquecimento global, investindo na solução rodoviária individual ao invés do transporte público realmente de massas (sobre trilho) e, pior, devastando área de proteção ambiental, o prefeito segue em uma mistura de falácia criminosa com cinismo e incompetência.

A Falácia criminosa é a que se sustenta na lógica do fato consumado, da úncia solução, quando sabemos todos os que não estão olhando pra ontem que soluções para os problemas urbanos são muitas, nem sempre lucrativas, nem sempre fossilistas, nem sempre as que ostentam o custo da melhor solução como álibi para a solução mais fácil, e geralmente a mais predatória.

O cinismo está em dizer que representa a maioria apenas a partir da lógica do voto, como se o voto traduzisse automaticamente uma carta branca para toda e qualquer atuação e a posição de prefeito eleito pelo voto popular autorizasse automaticamente todo atropelo autoritário dos chefetes tecnocratas às resistências populares, dos movimentos, etc. Fora que ser representante da maioria não torna a minoria algo descartável e prenhe de irrazões, a minoria aponta oque a maioria não vê, ou uma opção que a maioria até discorda, porém não é em si uma posição que deva ser atropelada. Se há quem resiste o diálogo é a úncia solução e ouvindo o todo, sem ouvir, atropelando com guardas, tratores e truculência o representante da maioria exacerba sua função político-social e se declara incompetente a ser um gestor POLÍTICO do principal cargo da cidade.

A incompetência está na ausência de um entendimento que vá além da lógica do lucro dos sócios doadores de suas campanhas e que entenda que a função de gestor público é principalmente entender que a cidade não é só o presente ou o curto prazo e que antes de mais nada em um quadro de violenta crise ecológica e econômica, de uma patente bolha imobiliária em andamento país afora, ignorar que a junção do insuflar da bolha com o ignorar da crise é de uma estupidez paquidérmica, é jogar a responsabilidade geracional às feras e ignorar que a biografia é talvez a úncia coisa da relação homem e política que se pode manter mesmo após a morte física e política do homem público.

Diante dos relatos, dos movimentos de resistência, da conjuntura política brasileira de ampliação da ocupação dos espaços políticos extra institucionalidade, o Prefeito comete mais um erro que é uma mistura de surdez oportunista com miopia política grave.

E é por isso tudo e mais um pouco, pela mistura de consciência ambiental, consciência política, solidariedade com um companheiro de partido e entendimento do esgotamento da concepção de cidade como cenário e mercadoria, que me solidarizo aos lutadores e lutadores que resistem à insanidade galopante dos gestores do Ceará.

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Um comentário sobre “Minha solidariedade ao Cocó, a João Alfredo

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