images Não, esse post não vai falar da forma de “mídia alternativa” que a mídia ninja faz. E nem de cultura que o FdE faz. Ele pega posts que fiz no Facebook e reúne tentando dar alguma coerência.

Primeiramente:

  1. Acho interessantíssimos como se reclama da “rivalidade da esquerda como uma rede como o Fora do Eixo”, queriam disputar política na purrinha? Tem motivos.

  2. Porque opta por ocultar pra onde vai a mais valia da exploração do trabalho, porque ela existe, dado que o trabalho é feito pro Mercado, com preços de mercado, etc.

  3. Porque opta por ocultar os objetivos políticos, fingindo que é tudo por amor.

  4. Porque opta por ignorar que ao se colocar como pós-capitalismo, pós-industrial ou algo que o valha, abole por decreto o modo de produção capitalista e o sistema sociopolítico-econômico ligado a ele.

  5. Porque opta pro centrar fogo numa analogia com jargão libertário do “fim da História” do Fukuyama, abolindo a diferença entre esquerda e direita, etc, numa defesa de um mundo pós-luta de classes. E isso tem nome.

Eu fico só chateado porque a discussão o debate é tido como um problema, porque existe uma necessidade de um consenso megamonstro e não pode haver dissenções.

A quem interessa essa unidade nefelibata, acrítica, que não problematiza? Problematizar é atuar contra iniciativas? A questão financeira é mesquinha porque se a lógica do financiamento é central politicamente, vai do combate à corrupção à transparência de laços políticos e projetos que se abraçam? Por que uma questão como essa que é central é desqualificada em nome do afeto, que é subjetivo e, sim, imensurável? Por que é tão problemático expor a transparência sobre o financiamento, afetaria o afeto?

Não vejo agressividade na dúvida, vejo que essa questão é o que separa a alternativa do antigo. O antigo modelo de mídia e cultura oculta a quem serve, com quem acorda, quem lhes paga as contas e é do papel do novo não ter medo de expor-se.

E é fundamental que o modelo que se propõe novo (e a meu ver é em muitos aspectos como o do uso da forma no jornalismo, por exemplo) seja realmente novo em muitos planos. A lógica da economia solidária cooperativa sem uma clareza de como o fluxo de capital ocorre é obscurecida e com isso perde o eixo político da novidade completa.

E porque se pede a uma esquerda que se propõe anticapitalista uma tolerância acrítica a um projeto que se assume um novo dentro do plano do capitalismo, um capitalismo pós-fordista que supostamente abole a exploração, a mais valia, etc? Como faz isso se está imerso no capital e se reivindica capitalista? Como faz isso, é apenas criando um submundo, um submercado imerso no grande capital e criando uma redoma de economia livre nas franjas do capitalismo hegemônico?

E a economia da marca, criada em torno da marca pelo esforço de muitos e que permanece nas idas e vindas de pessoas que são ‘treinadas” pelo Fora do Eixo para serem aptas a agir no mercado (Pelo que entendi o laboratório ensina e qualifica quem participa das casas)? Essa marca remunera o esforço em torno de sua construção com o conhecimento e o treinamento fornecido? Essa remuneração é igual à produção que agrega valor à marca? Esse valor agregado sai com quem rompe com a Casa? Esse valor agregado é herdado e fortalecido fazendo com quem permanecer no eixo das casas tenha um acumulo de valor para a marca e do capital, simbólico ou não, relacionado a ela? Se tem, isso não é injusto com quem fez parte desta acumulação e não faz mais parte do programa?

Acho pertinentes as dúvidas e acho muito ruim que estas e tantas outras expostas aqui sejam tratadas como ataque e pior sutilmente tidas como “rancorosas” ou desqualificantes ou “malabarismos teóricos” quando são dúvidas, que não estão sendo respondidas, só se repete um pedido de paciência que lembra muito o tom acrítico que se pede em torno da defesa de governos.

Acho legítimo politicamente que se defenda um capitalismo pós-fordista, acho legítimo que exista financiamento por edital, etc, mas acho também legítimas as dúvidas sobre mais valia, possível precarização do trabalho, capital simbólico que geral capital concreto para além de informações sobre amor e afeto que traduzem uma tentativa de argumentar que há um capitalismo afetuoso e militante ai pra libertar o planeta.

A dúvida ofende ao ponto de toda resposta ter embutido um ataque desqualificador do interlocutor? Qual o problema de se analisar de fora com uma critica relacionada a outras experimentações políticas?

Se a gente tem por medida de conduta o questionamento do próprio sistema, da mídia antiga, seus modos, financiamentos, etc, o novo torna-se inatingível pela crítica? E a dúvida, pode? A dúvida não serviria como inclusive caminho de esclarecimento para além de novilíngua que se ofendem com perguntas?

Porque vão me desculpar, a alegria é a prova dos noves, mas o concreto da alegria produz valor e valor monetário, porque sem ele não haveria o refinanciamento das ações da casa, etc, porque não se superou o capitalismo fora da casa e nem o Fora do Eixo se propõe a isso, pelo que entendi. e isso não é nenhum problema, o problema é enrustir as dúvidas no plano da acusação que existe um incômodo com uma experiência nova, explicitado no “tá tudo dominado” e entender toda critica como demolição porque “Agora estamos do mesmo lado e precisamos atuar juntos”.

E não, não estamos do mesmo lado, a partir do momento em que há uma busca de transição entre um capitalismo fordista para um capitalismo cognitivo, assumido em textos seus, há uma diferença de fundo político entre o FdE e muita gente que se reivindica anticapitalista.

Se discordamos no essencial (O Fora do Eixo se assume capitalista de novo tipo e parte da esquerda se assume anticapitalista) é natural haver discordâncias de fundo e isso não é um problema quando se vive em democracia.

A questão é porque a critica é tida como “pé-na-porta” e porque a busca de uma leitura transparente de como se mede o mensurável na questão é tido como “recalque”.

E com todo respeito esse tipo de discurso acaba sendo apenas barreira pra diálogo. Porque oferece muitas interpretações problemáticas, uma delas é que se opta por uma espécie de ad hominem coletivo em vez de se colocar no debate de forma transparente, outra porque parece que a ideia de tentar entender a relação entre a economia imensurável da alegria do Fora do Eixo se entende com a economia mensurável do cotidiano é algum tipo de blasfêmia contra a dimensão do sonho, quando não é.

E ai cabe citar o Chico: ‘Nem toda lucidez é velha, como nem toda loucura é genial”.

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