imagesA questão ambiental está hoje para a esquerda como o iceberg está para o Titanic: ninguém dá bola, até ela bater de frente com o imperativo da contradição capital x trabalho.

Não é mole não, pra quem é ecossocialista, a luta diuturna contra a solene ignorada que socialistas e nem tanto dão para uma questão que cientificamente está para a luta política quanto apoiar Galileu contra o Vaticano estava nos idos do aparecimento da dita idade moderna, na classificação antigona da História em eras, idades e cortes bruscos temporais que fingia não ver que tudo é muito mais complicado do que os cortes curtos e dribles mecânicos fazem entender.

No que tange à História o Zagueiro é clarividente e o drible é visto e revisto mil vezes num replay mental que sempre vai surpreender quem ainda cisma nas táticas que ignoram o vento, o sol e o clima, como efeitos gritantes no campo de jogo.

No que tange à luta ambiental somos nós os críticos que dizem: é preciso jogar no ataque que dá pra virar o placar. Enquanto isso a estrondosa religião dos seguidores de Lênin finge que o mundo é facilmente resolvível em equações deturpadas de um livro vermelho qualquer e seguimos tomando goleada.

É dura a vida pra quem grita “é a ecologia, estúpido!” e só é dura porque há um longo e tenebroso inverno do marxismo que por inúmeras idas e vindas é confundindo com seu mecanicismo que já nos idos dos anos 1930 era criticado como mecânico por Benjamin, Marcuse e outros tantos que apontavam já lá, que a vulgarização de Marx mora na simplificação do complexo e na recusa de sair da matemática simplória do engessamento das realidades.

Enquanto muitos nadam nos manuais burocratizados deturpantes do marxismo de Lênin, acusadores de espontaneísmo aos que lêem Rosa, acusações de fratricismo aos que reivindicam Trotski, há outros tantos que catam Benjamin, Foster, Thompson e outros tantos ocultados, gritantes e até não marxistas que repicam o grito em uníssono “É a ecologia, estúpido!”.

E o grito tá aí, tá na rua, na ciência, tá na exigência de recontarmos os exércitos para enfrentar a luta, lado a lado com quem ignora a existência de Marx, mas não da natureza, e ocupa estradas, mentes, corações sendo quilombolas, indígenas, ribeirinhos, pescadores artesanais e novas gerações, novas vidas encarantes, vindas de um futuro cada vez mais tenebroso, atacado violentamente pelo Nêmesis da vida chamado Capital.

O grito tá aí, porque é mais difícil ensinar novos truques a tantos que calados no esquematismo, calados no interesse burocrático, calados e cúmplices do medo da revolução, calados no eleitoralismo, optam por não ir longe, não olhar radicalmente o problema, não enfrentar com radicalidade um tenebroso futuro onde o capital suga de forma violenta a vida da terra, e não só a humana.

O grito tá aí, tá do lado de quem morre, de quem morrerá e de quem verá uma linha do horizonte amarga e cinza, gerações inteiras que pagarão caro por nossa omissão.

936339_601578399853964_255236182_nHá que irresponsavelmente ache que se tudo se desenvolver até o talo a mágica acontecerá, confundindo desenvolvimento como uso em massa de fósseis, carvão e petróleo, em máquinas sujas, que assassinam o clima, e com o clima assassinam pessoas, espécies, mundos.

Há quem opte pro não ver por não saber ir além do gabinete.

E há quem grite com os índios e quilombolas a plenos pulmões: “É a ecologia, estúpido!”.

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