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O povo casou com as ruas.

Ele ocupou as ruas em todas a suas faces, ódios, alegrias, festas, cores.

Hoje eu vi algo novo, muito novo. Vi o belo, vi o horroroso, senti o gás de pimenta que desconhecia, experimentei o desconhecimento de situações outrora claras pra mim, que já ocupei tanto essas ruas e que retornei em um ambiente totalmente novo.

Segui jovens que tinham experiencia superior à minha neste novo mundo e nova rua. E segui com orgulho, pois é meu um aprender, eu gosto disso, eu gosto de aprender. Não tenho vaidades de ouvir de gente mais nova, de ouvir gente mais nova e entender esse novo a partir dos olhos delas.

Segui a manifestação da alegria inicial de estarmos em um ambiente democrático, com seus enfrentamentos, de enfrentá-los,d e por a cara a tapa, de ir na luta e de defender bandeira,s ideologias, pessoas.

Vi os ataques cruéis e covardes de fascistas dispostos a tudo após perderem politicamente no plano da democracia.

Vi uma esquerda que enfrentando isso teve a honestidade e e sabedoria de saber que era hora de voltar. Vi as provocações, vi os medos, vi também a raiva, nossa raiva e a alegria de métodos novos de lutas terem espaço e eco em corações novos de rua, tão novos quanto o meu, readaptado em novas ruas que se ergueram.

Vi o Bloco do nada dar um show de presença de espírito e de sabedoria ao voltar e refazer numa manifestação com quase quatro milhões de pessoas uma manutenção de esperança de que aquilo, aquela rua, pode e poderá ser nossa, não sob um controle, mas com junção, uma relação democrática.

E sai mais cedo pois as pernas cansaram, os olhos arderam e tudo parecia calmo. E ai volto para casa e vejo que além dos fascistas o estado resolveu atuar e tentar destruir os ânimos de todos aqueles que saíram de suas casas para mudar o mundo.

E me senti culpado por não estar do lado dos companheiros de Enlace que me levaram pela mão, com preocupação, com amor mesmo, aquele amor solidário que a gente aprende em partido. Espero que me desculpem, fiz muito pouco, tentei, ainda perdido, ajudar, mas fui falho, fui menos do que poderia, embora sendo mais um já me entendesse útil.

E nesse meio tempo me lembrei que tudo o que sempre fiz foi tentar entender o mundo, é minha profissão,a profissão que escolhi, o ethos que decidi ter e que me formei no socialismo, na História, e que construí resistindo aos cantos de sereia das dissoluções do que somos em meio a mares de mudanças de história. E eu, que sempre fui bom em entender que o mundo muda, hoje entendo mais ainda como mudou esse mundo e que precisamos dissecá-lo para agir nele.

Agir e com presteza, porque é preciso.

É preciso que entendamos o casamento do povo e nosso com as ruas, e que disputemos sim cada segundo de rua, e cada minuto de rua.

É preciso que enfrentemos a rua, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

Até que a morte nos separe.

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