imagesMilito desde 1988 mais ou menos. Fui um “esquerdista tardio”, me alinhava até meados dos anos 1990 ao que se convencionou chamar de ala moderada do PT, embora com passagens pelo movimento anarquista e antes até pelo PCB/PPS, dos quais sai em 1992 para exatamente militar com anarquistas e autonomistas no movimento estudantil da UFRJ.

Parei de militar em quase todo o fim dos anos 1990 e só voltei, já no PT, a militar realmente após 2000, tendo sido filiado ao PT a partir de 1998, porém só atuando ao lado do combativo Wagner Lacerda em São lourenço, Minas gerais, movido pela resistência contra a Nestlé, que ali explorava as águas minerais de forma predatória.

Ali saímos do PT, primeiro para o PCdoB, em busca de romper com o PT só localmente e ainda apoiando o Governo Lula, e depois rompendo definitivamente e indo para o PSOL, do qual ajudamos a fundar recolhendo assinaturas na cidade. Ali rompemos pela aliança informal (Ou formalmente oculta) entre o Pt de Dirceu e a Nestlé, ocultando e omitindo a ação predatória da empresa e atuando para desmobilizar o movimento Cidadania pelas Água,s ainda muito composto de simpatizantes do Pt local e achando que tudo no fundo daria certo com a ajuda do que entendiam como esquerda. Só que como posteriormente a nível nacional, o PT local atuou para cooptar e desmobilizar a luta, o que acabou com a vitória da empresa. Assim como nacionalmente, o PT local conseguiu o que queria, um cargo no governo municipal de um dos mais truculentos prefeitos da história da cidade, o PMDBista José Netto.

Em 2006 voltei para o Rio, já no PSOL, e iniciei minhas primeira jornada de militância full time, primeiro no Revolutas e depois já no Enlace, após um ano sabático, feito pra repensar onde, quando e como voltaria a jogar gás na luta cotidiana.

Em todo esse tempo busquei um diálogo mínimo com o PT de esquerda, àquele que em tese resistia ao avanço reacionário dentro do partido e em suas alianças para a manutenção de uma governabilidade cujo altíssimo preço para a democracia ganha áreas de ópera bufa ou tragicomédia de horror nas proximidades da Copa de 204 e no decorrer da Copa das confederações de 2013.

Sobre todo o processo de guinada à direita encontra-se neste blog uma série de análises que se não são boas tentam ao menso refletir sobre o PT, o PSOL, a esquerda como um todo.

Porém este texto não é sobre isso, é sobre um réquiem, um réquiem talvez até para a própria democracia, e um réquiem regido com a batuta de Dilma Roussef e Lula, comandantes em chefe de uma aliança que inclui de forma oficial ou não os principais partidos do país (PT, PMDB e PSDB) e todos os partidos da direita tradicional, comandantes em chefe da mais truculenta ação político-policial que já vi desde os anos FHC, Eldorado dos Carajás, Exército na CSN e polícia na privatização da Vale.

E é um réquiem completo, é uma missa fúnebre sobre a demolição do capital político e da história do outrora país dos trabalhadores e da própria democracia, sapateada com a junção de omissão e comando deste partido e seus aliados e da horda truculenta, raivosa e estúpida que na defesa deste que de partido virou malta reacionária armada de progresso, cassetete e gás lacrimogêneo.

A quinta da boa Vista sitiada, a Paulista em chamas, o Estádio Nacional de Brasília envolto a perseguições de manifestantes em suas residências são o retrato acabado de um atentado de morte à democracia que eu, você e muitos outros, mortos e vivos, lutaram para reerguer depois do pesadelo da ditadura civil-militar de 1964.

De FHC em diante se costumou a lidar com a alternância de poder entre PT e PSDB como a “consolidação da democracia no Brasil”, porém o que se demonstrou posteriormente foi a consolidação de uma oligarquia autoritária, do entendimento do país como um balcão de negócios, onde o povo só tem vez via política compensatória e que se este gritar recebe o mesmo que a ditadura militar dava aos nossos: porrada, gás e sie lá oque mais.

A tristeza de ver o suicídio de um enorme e extremamente importante partido de esquerda, hoje Ex-Querda, é aliado a hoje a tristeza de ver o abandono de um ethos, de uma tradição de luta que louva seus mártires do passado e procura construir um plano melhor de lutas para os lutadores seguintes. A tristeza é ver o que jamais achei que veria de novo, o assassinato da democracia, com censura à imprensa, violência contra manifestantes e a criação de uma novilíngua que a omite.

Parabéns aos envolvidos.

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