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Com quantos mortos se faz um desenvolvimento?

Com quanto sangue indígena se pavimenta um progresso?

São perguntas pouco racionais é verdade, pouco científicas, pouco “maduras” , são perguntas que não ostentam a “práxis” e o pragmatismo dos maduros apoiadores de uma locomotiva cruel que ignora o que resta de humano no coração de quem já foi companheiro.

Hoje morreu mais um índio, Oziel, 35 anos, Terena.

Hoje morreu mais um pouco da gente, das gentes.

Hoje morreu mais um pouco de uma geração que olhava para quem resistiu à ditadura com respeito, com esperança, com um amor companheiro, aquele amor fraterno que quem luta todo dia sabe que existe, sabe que ali a gente pode contar.

Hoje morreu mais um pedaço daquele amor que superava o cinismo de tempos duros de luta contra o neoliberalismo com a esperança que venceria o medo, que faria brilhar nossa estrela.

E morreu de morte matada, como o brilho da estrela se revelou o brilho da Estrela da Morte.

Morreu deixando maior ainda o desafio de transformar o mundo.

Porque o mundo hoje é mais escuro. O mundo hoje exige muito mais que a coragem cotidiana, ele exige muito mais que formação, muito mais que práxis, muito mais que esperança, o mundo hoje exige que não morramos por dentro.

Cada pedaço desses que morreu tem um nome, cada pedaço desses que morreu tem uma nação, é Munduruku, é Guarani-Kaiwoa, é Terena, é de Madureira, é de Santa Cruz, é do Capão Redondo, é Gay, é Lésbica, é transgênero, é mulher.

Cada pedaço desses que morreu é humano, cada pedaço desses que morreu teve seu direito universal de ser humano negado.

Cada pedaço desses que morreu foi mais um pouco dos direitos humanos atropelado pela declaração universal e irracional da feroz e faminta locomotiva da governabilidade por mais terra, por mais energia, por mais alimento à fome do Hamster impossível que abraçou como nova fé, a gerência de um capitalismo cada vez mais cruel e incapaz de ser domesticado.

Cada pedaços desses que morreu é mais um pedaço da Ex-Querda que hoje tomou o neo-PT, o partido que foi dos Trabalhadores e hoje só trabalha dores.

E permanece o desafio que temos.

O desafio desta geração que viu figuras públicas com quem contava virarem gerentes do mausoléu em velório permanente de pessoas, sonhos, moradias, atmosfera, civilização, permanece.

O desafio que temos é aprendermos que desesperar, jamais, já tivemos muitos desenganos.

O desafio que temos é entender que quando um muro separa, uma ponte une.

Nosso desafio é resistir.

Ele não é pequeno, estaremos do lado que perdeu, mas quem mesmo queria estar no mausoléu do vencedor?

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