ze_do_caixaoEm algum momento da história de capitulação do neo-PT muitos de seus filiados, ainda lutadores pelo antigo PT, pediam que não generalizássemos, pois ainda havia disputa interna.

E havia, houve durante muito tempo, até a suprema derrota da esquerda interna ainda nos fins de governo Lula. Esse pedido em público por vezes soava como a uma busca de não pagar pelo ônus de estar em um PT a passos largos para a direita, embora ninguém negasse o ostensivo bônus do ganho eleitoral das políticas assistenciais do Governo Federal, do PAC, do Bolsa-Família, dos mega empreendimentos, inserção via consumo,etc. Soava cínico, e muitas vezes o era, em nome de “somos maioria” e “estamos mudando a vida das pessoas” lutadores e lutadoras, os militantes, os filiados, os simpatizantes do neo-PT optavam ostensivamente por minimizar o ônus, garantir o bônus e quando sofriam ataques, porque se assumiam governistas e defendiam o governo no indefensável, apelavam para “Vocês estão generalizando”.

imagesHoje esse discurso mudou, a paciência acabou, ninguém mais deixa de ver em quem se mantém no PT como cúmplice do que seu governo faz, mesmo quem ainda é de esquerda, reconhecido como tal, corajoso o suficiente para se reivindicar PT e tomar as porradas pela capitulação à direita, Feliciano e que tais.

E diante do fato consumado muda-se o judas na malhação diária. Agora o PSOL é alvo pelo simples fato de conter entre seus quadros quem procure de alguma forma não “ultrapassar o PT pela esquerda”, usando uma terminologia que o companheiro João Machado gosta muito de usar.

A-Próxima-Vítima-Assassino-2000As ações do Senador Randolfe Rodrigues no senado e de seu grupo no Amapá, expõe o PSOL à lógica de que não faz contraponto ao PT, lógica que vem de militantes de base de outros partidos, pessoas comuns envolvidas em movimentos sociais e também gente desonesta intelectualmente que não está muito disposta à justiça política com a atuação do partido como um todo.

Óbvio que não só Randolfe competiu para isso, mas aceitação de financiamento da Gerdau no Rio Grande do Sul, da Zaffari, aproximações com o PV no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, perigosos financiamentos de ações comunitárias pelo Itaú, omissões aqui e ali, tudo isso compete para que um mesmo modus operandi do PT, criticado à exaustão pelo partido, seja reproduzido no interior do Partido Socialismo e Liberdade, reduzindo a diferença entre nós e eles, daquele partido do qual saímos, do qual nos pusemos como guardiões das bandeiras deixadas por eles ao chão.

imagem_2101131358796289_gNesse sentido acabo entendendo a mágoa de quem buscava internamente do PT manter bandeiras históricas da esquerda erguidas e apanhava por endossar e ser cúmplice inadvertido das paulatinas e cada vez mais eloquentes medidas de estupro da qualquer cheiro de esquerda dentro do PT.

Entendo também, no entanto, o quanto ações que não cravem uma diferença clara entre o PT e nossos caminho pela esquerda é danoso não só para o PSOL, mas para a esquerda como um todo, que ao perder o referencial no PT, não só não encontra referencial no PSOL, só vendo no gueto PCO/PSTU e não gostando do que vê, como acaba igualando o diverso, implodindo também lutas e construções honestas que buscam resistir a este câncer da institucionalização como partido da ordem que vitimou o PT e que tentam inocular no PSOL para também o vitimarem.

a_proxima_vitima-claudia_ohana3Porém é preciso entender também o quanto há de uma lógica de despolitização em quem em tese é politizado e como o idealismo purista, não de buscar a incorruptibilidade, mas o de entender que fora do ideal, do mítico, do mágico partido perfeito, nada há, aquele idealismo que não se envolve, que não se mexe e que abandona quando “cansado” de um cotidiano que se formos abandonando é tomado por uma ordem nada justa, acaba implodindo o que busca recuperar o que se está perdendo.

340x255_1313059O PSOL cometeu este erro com o PT quando por vezes ainda dava para recuperar um corte pela esquerda, não sozinho, o PT de esquerda em sua mágoa de viúva abandonada contribuiu para o acirramento da implosão de pontes entre quem se encontrava nas ruas, mas divergia sobre apoiar um governo de coalização com cara de conciliação ou não.

E hoje o erro é cometido com o PSOL: Ao nos tornar todos Randolfe, tornando Freixo, Cinco, Chico, Luciana, Jean iguais ao senador amante do DEM, igualamos onde ainda há enorme diferença e uma disputa violenta pela derrubada de tentativas de petização e abre-se fogo contra quem está de seu lado na luta.

Sim, ouvimos isso dos petistas, e hoje sou eu que estou dizendo, é irônico,não? Quem será o próximo?

a+proxima+vitima+novela+brasileira+rede+globo+teldramaturgia+recife+pe+brasil__246B9D_3Já vemos, lemos e ouvimos que pessoas identificadas com a esquerda votariam no Aécio ou Marina para barrar o PT por sua homofobia, racismo, machismo, fomento ao fundamentalismo, não se vê alternativa à esquerda, por mais que Freixo, Roseno, Hamilton, Chico, Jean, sejam claras diferenças e busquem construir um partido que não seja Randolfe, uma expressão muito mais publicitária de um grupo que estrutural no PSOL. Hoje vemos gente que sempre esteve do lado da esquerda da luta ver em Marina Silva, com todas as suas não frases sobre questões fulcrais sobre a questão ambiental sendo deixadas pra lá, uma alternativa política, sendo que nada garante nenhum tipo de medida que rompa com o avanço do fundamentalismo, que enfrente o “desenvolvimentismo produtivista” de frente, que atue de forma contundente para a interrupção do etnocídio indígena, nada disso.

imagens-a-proxima-vitima-engraçadasMas tá tudo bem,né? O ideal de purificação da esquerda é prioritário, manter uma resposta traumática à capitulação do PT de forma a excluir tudo o que “degenera” como se partidos, organizações, grupos se constituíssem numa angelical Marte antes de virem puros para um cotidiano que desinformado finge não ver no gueto vícios identicos ao que identificam em PSOL, PCdoB, PT.

Quem será a próxima vítima? Além de dizermos “Você não é mais legal!”, fazemos o que? Quem cresce com isso?

A questão não é estar ou não em um partido ou ofendê-lo, ou dizer “este jamais!”, mas é uma postura que troca de espantalho sem uma críticazinha sequer ao próprio método, à própria esquerda.

images (1)Quantos filmes vemos de partidos capitulando à direita aqui e lá fora, alternando-se na história como novos membros do clube da ordem e saímos e xingamos muito no twitter e seguimos buscando um partido ideal, feito de pessoas ideais, de incapituláveis? E quantas vezes olhamos pro meio da esquerda, dos amigos, dos companheiros, do clube de chá e criticamos a estrutura de organização de esquerda, a lógica coletivamente de demarcação de posições no locus burocrático do estado/sindicatos, e passando a mão nos Pedros e só olhando pros Joões, não, fingimos não ver nossa parte da burocratização.

images (2)É muito comum que o amigo Jones seja um cara tão bacana que não vemos que ele apoia a liderança venenosa que mata o gado da fazenda da esquerda, e o alvo passar ser o coletivo, o partido, a organização, mas o Pedro, que faz parte da organização, não, esse jamais capitulará, embora apoie quem envenene a água do grupo, e quando o veneno se espalhar o Pedro, honesto, sairá.

E o Juca? E o Marcelinho? Esses todos que tão ali lutando mesmo, cotidianamente, que não fingem que não ajudam ao envenenamento, combatem-no? Esses podem ser atingidos?

20090430-zedocaixaoJá era, e sou, contra a irracionalidade anti petista, como sou contra a guetificação de PCO e PSTU, embora tenha pouquíssima paciência com atos cotidianos de auto-guetificação que é mato quando eles vivem como vivandeiras de um bolchevismo impossível só com o volumoso dedo duro que oculta suas burocratizações expondo a alheia., e mais ainda sou absolutamente contra a generalização que não discute política, discute purismos.

Se o alvo é o PSOL fico mais puto ainda, pois ele mesmo é claro na divulgação de suas divergências, é transparente, óbvio que menos por intenção e mais por conflito interno, e demonstra o quanto não é Randolfe e é múltiplo.

ze_do_caixao (1)A generalização sempre traz consigo o germe da destruição, e ela é tão ruim quando se compara evangélicos com viciados em drogas ( Mais precisamente em Crack, denotando o elitismo racista de quem diz e mostrando outro alvo de generalização, como se o viciado em drogas de per si fosse não humano) ou quando se diz que todo partido é um lixo, ou que por causa de um senador todo o partido virou apoio ao governo.

A generalização faz muitas vítimas no decorrer da história: Já jogou parte da esquerda moderada do PT no colo da desilusão inerte ou da própria direita, já jogou evangélicos moderados no colo dos fundamentalistas pela fúria que encontraram em quem por vezes podia sim apoiá-los na derrubada do conservadorismo, já jogou na vala comum do “nada presta” quem por vezes estava ai disposto a mudar as coisas.

Mas a primeira vítima da generalização é a política, e essa por vezes não ressuscita, e quem ama isso são os Felicianos e Bolsonaros.

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2 comentários sobre “A próxima vítima

  1. Bom texto. De fato, esta resistência irracional a este ou aquele partido apenas serve como forma de divisão. Na Bahia, este tipo de posicionamento já resultou no ressurgimento do carlismo em sua pior face. Mas, também é preciso dizer que a própria esquerda está se deixando capitular, tanto na prática como na teoria. Em verdade, esperávamos mais do PT, do PSOL, et cetera. Mas, enfim.

    Blog Administração Crítica: http://admcritica.wordpress.com/

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